Observações de tenistas juvenis após Banana Bowl e Copa Gerdau
Por Sabrina Giusto

Fazia um certo tempo que não presenciava torneios internacionais e neste mês de março, tive a oportunidade de estar presente no Banana Bowl em Guarulhos, onde estavam sendo jogadas as categorias 14 e 16 anos, e na semana seguinte, trabalhei na Copa Gerdau, categoria 18 anos.

Normalmente, não os observo somente dentro da quadra. Tento estar perto para ver o que os bons jogadores fazem antes e após as suas partidas, treinos, como cuidam da parte física, relação com seus técnicos (os que viajam com técnico), relação com seus pais, o que fazem no seu tempo livre, etc.

Acredito que o rendimento dentro da quadra, na hora da partida, é um somatório de coisas que se completam. Quase sempre os melhores jogadores se sobressaem pois no conjunto de fatores mencionados acima, eles conseguem manter um certo equilíbrio e a grande maioria dos outros jogadores não. Nada acontece por acaso e só talento hoje em dia não basta para vencer jogos.

As diferenças entre a minoria que está no topo (infelizmente, a maioria são estrangeiros, só colocamos um brasileiro na equipe da Cosat que fará a Gira Européia em 2005) e a grande maioria que está presente neste tipo de competição mais pelo prazer de rever amigos (muitos para dar uma escapada do colégio), são enormes.

Enquanto uns comem certo, cuidam do seu físico, do mental e dormem as horas necessárias, outros quase desmontam o hotel e passam horas na frente do computador. Também fica nítida a mudança de atitude quando os tenistas estão acompanhados por seus técnicos. Com certeza, o foco e a concentração na competição ficam mais apurados quando estes atletas estão com a pessoa que impõe rotinas e que os conhece. Também notei que, de uma maneira geral, todas as meninas que não via hà quase um ano, ganharam peso. É conseqüência direta do tempo fora de casa em competições, onde a saudade e a ansiedade fazem com que comam cada vez mais.

O ideal seria estar sempre com seu técnico ao lado, mas nas atuais condições financeiras em que se vive, isto fica inviável. Então, acredito que é papel dos pais e treinadores destacarem as dificuldades que cercam a carreira de um tenista e a dedicação necessária, evitando assim desperdício financeiro e emocional a todos, além de ajudarem a solidificar a personalidade do atleta, pois, com certeza, ele saberá lidar com o mais variado tipo de dificuldades que a vida vier a apresentar.

 

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Sabrina Giusto, ex-jogadora profissional e uma das coordenadoras da equipe SMS/Sogipa, colabora com a Cosat e CBT em viagens com equipes infanto-juvenis e profissionais