Atire a primeira pedra quem
nunca jogou com medo
Por Sabrina Giusto
Resolvi abordar
este tema pois, além de ser uma constante entre as
pessoas que jogam tênis, me deparei dias atrás
com dois atletas me perguntando o que poderiam fazer para
não entrarem com medo nas partidas ou se soltarem quando,
já no meio de um jogo, bate esta sensação
de impotência, tornando qualquer bola simples de realizar
em uma verdadeira batalha.
Não sou psicóloga
do esporte, sou sim uma "sensível tenistóloga",
que acredita que o tênis envolve muito mais coisas do
que ter uma boa técnica e um bom físico. Técnica
nenhuma e muito menos uma tática de jogo sobrevive
quando o tenista está sob forte tensão nervosa.
É erro técnico quando o atleta acerta todas
as bolas e justamente no 40/40 ou nas vantagens ele erra a
mais simples? Ou quando mete todos os saques e as duplas faltas
só aparecem mais no final do game? Ou ainda quando
trabalha muito bem o ponto e o erro vem justamente na finalização?
Para mim, é claramente um problema mental. Nem sempre
o tenista está "preso" nestas horas, mas
com certeza alguma postura e determinação faltou
para que finalizasse o ponto corretamente.
Atire a primeira pedra quem
nunca se sentiu sem um pingo de sorte em algum jogo. Por experiência
própria, posso afirmar que é muito ruim jogar
tênis quando se está num dia assim. Tudo fica
muito sofrido. Normalmente, já no aquecimento, eu sabia
como estaria me sentindo na partida. Para mim particularmente,
o primeiro lugar que esta sensação afetava era
o saque. Fazia muitas duplas faltas ou sacava extremamente
encolhida, o que me fazia iniciar o ponto já correndo
atrás da bola, completamente na defensiva.
E aí? O que se faz para
amenizar isto? Disparado o técnico que mais admiro,
Larri Passos, uma vez no sul da Itália, quando eu tinha
18 anos, me disse: "Sassa, tu não pode dizer para
o teu atleta: Vamos cara, confiança! Se ele tá
mal na partida é justamente por não estar confiante
e de onde ele irá tirar confiança no meio do
jogo? Por isto que uso sempre a palavra convicção,
estar convicto do que será feito. É uma palavra
mais forte, que passa uma certeza mais clara do que será
feito."
Então gente, dizer para
alguém que ele precisa ter confiança, é
o mesmo que dizer que ele está inseguro. Palavras positivas
e posturas positivas (mesmo que por dentro você esteja
tremendo) causam um ótimo efeito em nós mesmos
e na imagem que o adversário tem da gente, pois o crescimento
do adversário é inversamente proporcional ao
nosso, isto quer dizer, quanto mais nos enterramos, mais a
pessoa que está do outro lado da rede cresce de jogo.
Outra coisa que pode dar uma
ajuda é tentar mexer o corpo ao máximo. Suar
ajuda a liberar endorfinas (hormônios) que têm
efeito relaxante no nosso organismo. Quando nervosos, ficamos
com músculos tensos, reflexo prejudicado, lentos e
é contra estes sintomas que temos que lutar. Mas lembre
que são apenas algumas dicas que ajudarão, mas
não eliminarão a sensação de estar
"preso".
Para terminar, não se
sinta o último dos tenistas se você estiver temeroso
diante de um determinado jogo. Todas as pessoas passam por
isto. Ou você acha que um Agassi, Federer e Cia. não
se sentem assim em algum momento? Claro que sim, mas a diferença
é que eles sabem lidar muito bem com os seus medos.
Vemos o quão grande é um jogador, justamente
no dia em que ele não está bem, quando o saque
não entra, direita fora e esquerda na rede. É
neste dia que a cabeça dele tem que estar mais forte
do que nunca , pois jogar bem e ganhar num dia bom, quando
tudo que se faz dá certo, com certeza é infinitamente
mais fácil.
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Sabrina Giusto, ex-jogadora profissional
e uma das coordenadoras da equipe SMS/Sogipa, colabora
com a Cosat e CBT em viagens com equipes infanto-juvenis
e profissionais
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