Primeiro ou segundo ano na categoria faz diferença?
Por Sabrina Giusto

A grande maioria das pessoas envolvidas com o tênis (atletas, pais, técnicos e etc) normalmente salienta em alguma conversa que fulano é "primeiro ou segundo ano da categoria tal". Já é consenso afirmar que o "ano bom" é o segundo ano. Será que é realmente isto que vemos hoje em dia?

Na minha opinião, o fator idade não é o ponto principal. O que faz a diferença sim é o quanto de postura, maturidade e atitude o jogador apresenta em qualquer idade, pois não é raro vermos jogadores (meninos e meninas) de 12, 13 anos, dando um verdadeiro "banho" de postura em muito marmanjo de 16, 17 anos.

No masculino, a idade influencia mais na parte física. Um ano de diferença entre 14, 15 anos, realmente faz a diferença, pois o chamado "estirão" que acontece com os meninos nesta faixa etária faz com que o corpo se desenvolva rapidamente e para aquele garoto que ainda não passou por isto, fica bem complicado acompanhar a velocidade e potência de bola de quem já "estirou".

No feminino, o quesito físico faz diferença somente até uns 13, 14 anos. Depois, a tendência é de um nivelamento entre as meninas. O que fará diferença sim, a partir deste ponto, é o quanto madura, motivada e consciente das dificuldades que o tênis apresenta, a menina estará. O fato de a menina estar no primeiro ano de 16 ou de 18, já não terá muita importância. Isto pode ser comprovado pelo grande número de meninas com 15 anos jogando torneios profissionais e deixando a categoria júnior cada vez mais cedo. Aqui, gostaria de salientar que para a Federação Internacional de Tênis (ITF), a categoria júnior é uma categoria única até 18 anos. Não existem divisões (12,14,16), tanto que se algum atleta quiser participar de algum Grand Slam, entrará no bolo com todo mundo. Um exemplo disto foi Jennifer Capriatti (EUA), que ganhou a chave júnior de Roland Garros com 13 anos, exatamente no ano em que eu jogava meu primeiro Roland Garros com 16 (e tomei na primeira rodada).

Isto de primeiro ou segundo ano não deixa de ser muito relativo. Pode ser até uma ferramenta usada inconscientemente por pais e técnicos para amenizar possíveis derrotas ou diminuir a pressão no tenista júnior. O que irá prevalecer é o quanto realmente o jogador lutou e fez por merecer o resultado do jogo. Normalmente, este resultado começa a ser traçado muito antes da hora da partida, pois bons treinos, rotinas saudáveis e disciplina são essenciais em qualquer idade e na maioria das vezes são muito mais importantes que qualquer diferença física.

 

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Sabrina Giusto, ex-jogadora profissional e uma das coordenadoras da equipe SMS/Sogipa, colabora com a Cosat e CBT em viagens com equipes infanto-juvenis e profissionais