Lições
para a vida
Por Sabrina Giusto
Dias atrás, eu, meus sócios
e o nosso grupo de professores organizamos um torneio infantil de tênis,
onde o público-alvo eram as crianças e adolescentes que estão
há pouco tempo convivendo com o esporte e também aqueles que já
conhecem o tênis há mais tempo, mas não disputam torneios
oficiais da nossa federação. O objetivo do torneio era que a galerinha
jogasse o maior número de partidas possível (dentro do nº de
quadras cedidas pelo clube, é claro), confraternizasse com outras crianças,
vibrasse com os sorteios dos brindes e se empanturrasse de pipoca.
Entre
toda aquela criançada que estava participando do torneio (138 inscritos),
havia os familiares das crianças. Coloquei familiares no plural pois além
de pais e mães, estavam presentes, avós, tios, primos, padrastos,
etc. É muito legal ver o quanto de família uma criança consegue
movimentar. Claro que os mais compenetrados nos jogos eram os pais. Alguns me
chamaram a atenção, mesmo no pouco tempo que tive para olhar os
jogos.
Tinha pai que não queria que o filho de 9 anos ficasse jogando
mini-tênis na quadrinha que deixamos montada durante todo o torneio pois
poderia se cansar para o próximo jogo. Tinha pai que ficava na beira da
quadra (quase dentro) dizendo para o filho respirar fundo e ficar calmo (quando
ele mesmo não conseguia). Tinha pai que reclamava do professor do filho,
pois este não estava passando instruções para a criança
(é proibido).Tinha pai (também quase dentro da quadra) que comentava
com o filho o erro que ele havia cometido e o que deveria ter sido feito. Tinha
pai que contava todos os pontos em voz alta e também dizia se a bola era
boa ou fora. Vi até irmãos mais velhos, pedindo para os manos se
concentrarem mais.
Como deu para notar, estes adultos acima, estavam um
pouco longe do objetivo do torneio, que era o das crianças se divertirem
e gostarem cada vez mais de estar dentro de uma quadra de tênis. Desta maneira,
longe de computadores, televisões e vídeos-games, que tanto afugentam
nossas crianças do esporte hoje em dia. Claro, ninguém é
perfeito e se tratando de um filho, é muito difícil ser completamente
racional.
Uma das nossas professoras (também psicopedagoga), uma
vez me disse que os pais "erram por amor". Concordo plenamente, mas
acredito que deixar a criança tomar suas próprias decisões
(dentro de um ambiente saudável e seguro), também é amar.
Se a criança errou na contagem, se fica olhando para fora da quadra, se
não marcou corretamente a bola, certamente isto a prejudicará no
jogo e no futuro ela entenderá (se for orientada da maneira correta e com
carinho) que se não repetir os mesmos erros, a chance de triunfar, será
muito maior. Existe amor maior de um pai do que conseguir fazer que seus filhos
sejam pessoas independentes, bem resolvidas e que enfrentarão os problemas
que a vida apresentar de cabeça erguida? Pois é, esta lição
pode iniciar em um simples torneio infantil de tênis.
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Sabrina Giusto, ex-jogadora profissional
e uma das coordenadoras da equipe SMS/Sogipa, colabora
com a Cosat e CBT em viagens com equipes infanto-juvenis
e profissionais
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