Daniel rechaça rótulo de salvador da pátria e se diz tranqüilo
25/05/2007 - 14h23

Elói Silveira
Especial para tenisbr@sil

Daniel manteve a tradição do Brasil em Paris
Nem parecia que o gaúcho Marcos Daniel havia acabado de vencer o argentino Mariano Zabaleta, ex-número 21 do mundo, e garantido classificação para a chave principal de Roland Garros. Surpreendentemente calmo após a partida, mostrou mais uma vez sinais da nova fase e colocou na experiência e no bom nível técnico as razões pelo sucesso obtido ao longo da semana.

Após colocar o Brasil na chave principal do Grand Slam e manter escrita dos últimos 34 anos, o tenista de 28 anos preferiu manter os pés no chão e negou prontamente o rótulo de salvador da pátria. Para ele, o que mais importa no momento é saber que está jogando bem e que pode voltar aos melhores dias em breve, assim que recuperar de vez o ritmo de jogo.

"Não passa mesmo pela minha cabeça essa história de ser o salvador. Estou muito tranqüilo e feliz como venho jogando", destacou. "E é engragado porque ao mesmo tempo em que é uma coisa grande, estou muito mais relaxado que nos outros anos. E tudo acontece por causa da experiência que você adquire. Antes o quali era um bicho de sete cabeças, ficava nervoso. Com o passar do tempo você muda, nem se importa tanto e só concentra em jogar".

Ao falar sobre sua solitária classificação, também aproveitou para fazer balanço sobre a complicada fase do tênis brasileiro - o melhor representante do país, Flávio Saretta, é apenas o 130° do mundo -, e fez questão de enxergar lado positivo na história. "Relmente não estamos num momento legal. Depois do Guga ficou um vão muito grande e todo mundo só pensa nisso, em ter um cara bom".

"Claro que é bom ter um supercara, mas temos um pessoal que batalha demais, temos o Saretta que é super-habilidoso e outros que estão sempre na luta. Gostaria que a imprensa ressaltasse isso, para mostrar para o pessoal que não está tão por dentro que ainda estamos aqui. O tênis masculino está cada vez mais duro e equilibrado, quem bobeia cai fora", disse, em tom de desabafo.

Já com alguns pontos no ranking, dinheiro no bolso "suficiente para pagar as contas do mês", como ele mesmo destacou em brincadeira, e com o filho recém-nascido no Brasil como inspiração, Daniel pretende iniciar segunda fase em sua carreira, apenas alguns meses depois de quase colocar ponto final na vida de tenista.

"Estou curtindo muito essa fase e quero aproveitar ao máximo. Fiquei 3, 4 meses sem jogar em 2006, mas quando voltei, decidi que queria estar de novo onde cheguei (foi top 80 em junho do ano passado). Esse ranking que estou agora (169°) é mentiroso, porque estou jogando muito mais que isso. Tenho que agradecer muita gente, o Larri (Passos), o Roland Santos, que está me treinando lá em Camboriú, meu preparador físico e, se continuar assim, belisco um top 100", destacou.

Sobre o jogo com Zabaleta, Daniel admitiu ter feito partida de altos e baixos, mas no geral se mostrou satisfeito. "Comecei bem, depois fizemos games sempre longos, sempre com break-point, e no terceiro set cresci demais, porque decidi curtir e relaxar. Foi como falei, já não tenho mais aquela pressão. Devolvi bem, quebrei, mas ele me atacou no 5/3. Só na hora de sacar é que sentiu a pressão e eu fiz logo 0/40 antes de fechar. Nem pensei em grande coisa na hora", resumiu.

Tamanha era a confiança que antes mesmo de conhecer seu rival, Daniel já deixou aviso: "Estou feliz, bem comigo mesmo e sentindo bem a bola. Mostrei que estou em ótima forma e dependendo do sorteio, se bobear passo pra segunda rodada", completou o jogador de Passo Fundo.