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Após pensar em parar, Soares desfruta de Grand Slam e "quer mais"
01/06/2008 às 14h00

Elói Silveira
Enviado especial

Soares saca no triunfo que o colocou nas quartas
Paris (França) - Por pouco Bruno Soares não perdeu a viagem para Paris. Com a mudança de planos de seu parceiro inicial, o paulista Thomaz Bellucci, que resolveu se concentrar na chave de simples, o mineiro de 26 anos passou alguns dias na capital francesa sem saber se disputaria Roland Garros pela primeira vez.

A espera acabou com dois lances de "sorte": o primeiro foi encontrar um parceiro, o sérvio Dusan Vemic, que também havia ficado inicialmente de fora da lista de inscritos. Em seguida, a desistência dos argentinos Juan Monaco e Maximo González abriu o caminho para a campanha que por enquanto já é a melhor de sua carreira.

Além de agradecer os argentinos ("Depois vou dar um presente para eles", brinca), Soares se mostra feliz por ter completado incrível volta por cima. Há três anos, ele iniciou batalha contra lesão complicada, passou por cirurgia e por pouco não parou de vez com o tênis. No retorno, somente em julho do ano passado, evoluiu rapidamente até chegar no top 100 e agora dar outro enorme salto.

Após a vitória deste domingo na quadra 1 de Roland Garros sobre os favoritos Jonathan Erlich e Andy Ram, talvez a maior de sua carreira, o destemido Soares conversou com a reportagem de Tenisbrasil sobre a responsabilidade de defender as cores do Brasil no torneio, do sonho de ir mais longe e da possibilidade de jogar a Copa Davis.

Como é para você esta sensação de estar nas quartas e defender o Brasil?
Bruno Soares
- É Show. Na nossa chave, os favoritos acabaram desistindo, então o pessoal ficou com um pouco de dúvida se a gente estaria na terceira rodada por sorte. Mas hoje provamos que temos nível para jogar bem, que eu tenho nível do Marcelo (Melo), do André (Sá). Agora é ir para cima.

Vocês enfrentaram favoritos hoje, caras que ganharam Grand Slam...Como foi a partida e quando vocês sentiram que dava mesmo para ganhar?
Soares
- A gente está bem juntos. Eu cheguei na semana do quali, tive dois dias para treinar e a adaptação foi boa. O Dusan também, jogou o quali, acabou perdendo em simples, então ficou. A gente vem bem e quando joga com esses caras, tem que acreditar, fazer seu jogo e pagar para ver. Porque se eles fossem imbatíveis, não estariam aqui, estariam jogando em outro planeta. A partir do momento que você está na quadra, você tem chance de ganhar.

Qual é a importância deste torneio na sua carreira?
Soares
- Muita. Depois de dois anos parado, de um momento da minha vida em que não sabia se iria voltar a jogar tênis, estou na quartas de Roland Garros, meu primeiro Grand Salm. A hora é de desfrutar e querer mais.

E quais são as metas, os sonhos daqui para frente
Soares
- Continuar jogando, pouco a pouco, ir crescendo. O tênis é uma semana de cada vez. Você faz um torneio bom aqui, mas na próxima segunda-feira começa tudo de novo, do zero. Tenho que continuar treinando, trabalhando e jogando semana a semana.

E a familia, tem conseguido falar?
Soares
- Quase nada. Estou na casa de uns amigos e com a família tenho falado pela internet, com câmera. Está todo mundo feliz, tenho certeza que eles acompanharam de lá. Daqui a pouco vou ligar para eles.

Em relação à contusão, como foi exatamente o período da lesão?
Soares
- Foi em 2005. Na época eu ainda jogava simples e duplas. Em julho me machuquei, no princípio era uma inflamação do trato tibial, algo teoricamente simples, de parar 3, 4 meses. Mas a inflamação não cedeu e a gente ficava sem informação porque eu não sentia dor. Quando começava a fazer exercício, em cerca de 15, 20 minutos vinha a dor e não conseguia nem pisar no chão. E duas horas depois estava andando normal, já sem dor. Foi indo assim até que um ano e sete meses depois fui para a cirurgia, que era a última opção. E felizmente depois foi todo bem, em julho de 2007 voltei a jogar. Agora estou 100%, nunca mais doeu depois da cirurgia, zero bala.

Neste meio tempo, você chegou a pensar em parar?
Soares
- Foi dificil, eu ficava sem informação. Começou a passar tempo e eu não sabia de nada, não era uma lesão que o médico e o fisioteapeuta dizem que em seis meses eu voltaria a jogar. Passava dois meses, eu testava, passava outros dois meses, testava de novo. Achava que estava bom, mas jogava e não estava. Aí começa a passar muita coisa na cabeça, de ir trabalhar, estudar, arrumar alguma coisa para passar o tempo. No fim, acabou dando tudo certo.

Ainda em relação ao futuro, você se vê jogando Copa Davis, defendendo o Brasil em caso de abrir uma brecha na dupla Melo e Sá?
Soares -
Todo mundo joga atrás de objetivos. A coisa legal da dupla (Melo/Sá), do pessoam de Belo Horizonte é que todo mundo torce um para o outro. Eles estavam aqui dando força, assim como eu vou no deles. Estou aqui para jogar tênis, o que aparecer, apareceu. Então, se for Melo e Sá, se de repente o Soares entrar no meio, vai ser show de bola. Se precisar de mim estou aqui. Se não precisar, estarei lá torcendo.

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