Benjamin Becker derrota seu ídolo de infância
03/09/2006 - 21h13

Benjamin Becker se junta aos aplausos de 23 mil torcedoresNova York (EUA) - A comemoração foi quase tímida. Depois, ali ao lado de sua cadeira de descanso, o alemão Benjamin Becker passou pelo menos cinco minutos no mesmo clima de toda as 23 mil pessoas no estádio Arthur Ashe, ou seja, ficou aplaudindo de pé o homem que acabava de dizer adeus ao tênis. "Foi um momento duro, emocional também para mim", comentou o jovem alemão. "Eu estava feliz, obviamente. Mas ao mesmo tempo, triste."

Benjamin, que não tem parentesco com Boris Becker, cresceu na Alemanha fingindo que era Andre Agassi na quadra. Agora, aos 25 anos, acabou tendo a honra de ser o último homem a derrotar o norte-americano. "Jogar contra ele foi um sonho que se realizou", garantiu ele, que se mudou para os EUA, onde estudou numa universidade do Texas antes de se dedicar integralmente ao tênis.

"Eu cresci vendo Agassi jogar, ele era um ídolo para mim. Esta foi uma sorte incrível para mim", afirmou ele, que teve uma atuação quase impecável na partida, principalmente no saque. Ele é o recordista de aces no US Open, após três rodadas, com 54 disparos perfeitos.

Há um ano, Benjamin era apenas o número 1.400 do mundo, tentando vaga em qualificatórios de eventos futures. Na semana passada, conseguiu vaga na chave principal do US Open através do quali. Sem prestígio, não conseguiu ingresso para assistir ao jogo de Agassi contra Marcos Baghdatis. "Tive de voltar ao hotel e ver pela TV".

Esta foi sua terceira vitória de peso no US Open. Na estréia, superou o número 53 do ranking, o italiano Filippo Volandri, e em seguida surpreendeu o cabeça 30, o francês Sebastien Grosjean. O resultado fará com que saia do atual 112º lugar e entre para o top 100.

"Quando joguei tênis universitário, tive a chance de jogar para um público de umas 200 pessoas", afirmou ele, comparando com a atmosfera vivida na quadra central. Becker estudou Finanças e falta apenas alguns cursos para se graduar. É campeão universitário norte-americano de 2004.

A grande ascensão de Becker começou há um ano, quando ele passou a ser orientado pelo ex-treinador de Andy Roddick, o francês Tarik Benhabiles. "Começamos do nada, quando ele ainda tentava se qualificar nos futures. É uma história de Cinderella", conta o técnico. "Ele fez o caminho inverso, ou seja, primeiro terminou os estudos e por isso hoje tem uma grande experiência de vida. É um adulto".