Federer se diz impressionado com força mental
10/09/2007 - 11h30

Federer desaba após a dura vitória
Nova York (EUA) - Com uma ou outra exceção, o suíço Roger Federer segue mostrando em 2007 sua capacidade de superação em momentos difíceis. Se esteve pressionado nas derrotas do início do ano para Guillermo Cañas e na final de Montreal para Novak Djokovic, superou com maestria os avanços de Rafael Nadal em Wimbledon e agora de outros bons tenistas nas campanhas de Cincinnati e do US Open.

Nesta última, aliás, mostrou desde a terceira rodada até a final por que tem dominado o tênis nos últimos quatro anos. Na base da força mental, reverteu situações complicadas e minimizou problemas que poderiam ter sido enormes, como ao perder os primeiros sets para o norte-americano John Isner, dono de um dos mais poderosos saques do circuito, e para o perigoso espanhol Feliciano Lopez.

Melhor ainda foram as atuações que vieram em seguida. Nas quartas, superou Andy Roddick em dia inspirado ao vencer os dois primeiros tiebreaks. Na semi, bateu a "máquina" Nikolay Davydenko também em sets diretos. Mas foi na decisão que guardou o melhor. Contra Djokovic, salvou nada menos que sete set-points, sendo cinco no 5/6 da primeira parcial (incluindo um 40/0 e saque para o rival) e outros dois no segundo (teve 15/40 também no 6/5 para o sérvio).

Como prêmio, outra vitória por 3 a 0 que pareceu muito mais fácil do que realmente foi. E se o próprio vice-campeão ressaltou esta superioridade mental em entrevistas após o jogo, Federer também não deixou por menos e admitiu ter ficado impressionado com sua capacidade. "Não perdi um set nas últimas três partidas, mas eles sempre estiveram perto. É provavelmente porque sou mais experiente e estou muito confiante no meu jogo", disse.

"Os outros caras perderam suas chances. Ao final de tudo, olhar para trás e ver que bati o Roddick, Davydenko e o Djokovic em sets diretos, é inacreditável para mim. Não esperava por isso depois de ter enfrentado problemas contra o Isner e o Lopez", completou o líder do ranking, que neste ano também passou por problema semelhante na final do Aberto da Austrália, quando Fernando González chegou a sacar para fechar a primeira parcial.

Sobre os pontos-chaves do primeiro set, o suíço também falou com humildade e deixou claro que, assim como 99% da torcida, já aguardava o pior. "Esperava por outro ótimo saque dele e que o set terminasse. Numa situação como esta você não tem muito o que fazer, é meio óbvio que você vai perder. Por outro lado, você apenas espera ganhar um ou dois pontos, sabe que um 40/30 o deixaria nervoso. Mas admito que não pensei muito, foi tudo muito rápído".

Djokovic no lado oposto - Depois de falar sobre seu potencial, Federer também reservou espaço para o sérvio e, não diretamente, admitiu que a partida poderia ter tido outro final caso o rival tivesse jogado melhor nos fatídicos set-points. "Ele teve chances hoje (domingo), muitas delas, mas perdeu e pagou caro por isso. Você poderia escrever uma música sobre este tema", brincou o número 1.

Assim como fez desde a primeira resposta na entrevista coletiva após o duelo, Djokovic comentou sobre os momentos de fraqueza, mas preferiu levar na esportiva. "O próximo livro que escreverei se chamará 'Sete set-points'", disse ele, lembrando-se com pesar dos pontos em questão. "Não podia acreditar. Eu perguntava para o público o que eu deveria fazer, mas ninguém pôde me dar um conselho", encerrou.