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O tênis feminino no saibro francês

A fama de Suzanne Lenglen ajudou a erguer o estádio de Roland Garros, mas a francesa não chegou a jogar lá. Campeão do torneio na fase nacional, entre 20 e 23, ela ganhou os dois primeiros eventos da era internacional, em 25 e 26, antes de se profissionalizar e ser impedida de disputar os Grand Slam.

Helen Wills, chamada de "Poker Face" por sua seriedade, foi a sucessora no saibro e a primeira grande campeã no complexo. A francesa Simone Mathieu fez história, ao perder seis finais antes de conquistar o bi, em 38 e 39. Não por acaso, foi escolhida para arbitrar o primeiro jogo em Roland Garros no pós-Guerra, em setembro de 44.

O poderoso saque de Doris Hart - que sofreu de paralisia infantil e teve de reaprender a andar antes de conhecer o tênis -; a juventude de Maureen O´Connolly, que em 54 se tornaria a primeira mulher a ganhar todos os quatro Grand Slam; a façanha da atlética Althea Gilson, primeira negra a vencer um Grand Slam, e a versátil Darlene Hard marcaram a fase norte-americana no saibro francês nos anos 50.

A exemplo do masculino, a década 60 veria o domínio do vigoroso e agressivo tênis australiano, que triunfou oito vezes no período de 12 anos com Margaret Smith, Lesley Turner e Evonne Goolang. Além dos cinco troféus, Smith ainda teve tempo para ser mãe e se tornar a segunda mulher a fechar o Grand Slam, em 70.

A maior tenista sobre o saibro começaria sua história em Paris dois anos depois. Chris Evert, que chegou a ficar 125 partidas invictas sobre o piso lento, faturou o recorde absoluto de sete troféus em Paris, além de outras duas finais. Poucas tiveram espaço nesse período e a maioria aproveitou a ausência de Evert. Entre 84 e 86, ela faria alguns dos históricos duelos contra Martina Navratilova, que ganhou dois Roland Garros antes de amargar três quedas consecutivas na final.

A última delas, em 87, foi justamente para uma jovem que chegava rapidamente ao topo do ranking. A alemã Steffi Graf iniciaria ali outro enorme domínio no saibro francês. Já no ano seguinte, marcou feitos espetaculares. Além de ganhar a final por duplo 6/0 em cima de Natalia Zvereva, terminaria a temporada com um "Gold Slam", que incluiu as quatro conquistas de Grand Slam e ouro olímpico em Seul.

Graf conquistou seis vezes o Aberto francês, mas curiosamente teve também três vices históricos, o primeiro deles diante de Arantxa Sanchez, primeira espanhola a ganhar um Grand Slam, e os outros dois para a garota Monica Seles, mais jovem campeã de todos os tempos em 90, aos 16 anos, e a primeira a faturar três títulos consecutivos desde os anos 30.

A facada que interrompeu a carreira de Seles em 93, duas semanas antes de Roland Garros, permitiu que Graf e Sanchez alternassem títulos. A croata Iva Majoli surpreendeu em 97, ao bater a garota Martina Hingis na final, e Seles voltou a disputar um título no ano seguinte, derrotada por Sanchez. Graf recuperaria o troféu em 99, quando Hingis sofreu a maior vaia jamais vista num estádio de tênis. "Me sinto francesa", agradeceu Steffi, que anunciaria a aposentadoria pouco depois.

A França precisou esperar tudo isso para, 33 anos depois, rever uma campeã. Ainda que Mary Pierce tivesse nascido no Canadá e crescido nos EUA, sem falar uma palavra de francês até ir treinar em Paris, aos 16 anos. As emoções continuariam em 2001, quando Jennifer Capriati enfim ganhou Roland Garros, 11 temporadas depois de ter se transformado na mais jovem semifinalista do torneio, então com meros 14 anos.

Os últimos anos viram feitos inesperados e diferentes. As irmãs Williams decidiram o título de 2002, com vitória de Serena, e a temporada seguinte viu a primeira final completamente belga da história, com vantagem de Justine Henin e o segundo vice de Kim Clijsters. Veio então a vitória de Anastasia Myskina sobre Elena Dementieva, que marcaria a escalada russa no tênis feminino. Henin voltou a dominar o saibro com três triunfos consecutivos, encerrados com seu inesperado abandono das quadras em 2008, dando lugar a uma nova rainha: a sérvia Ana Ivanovic..
 
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