O tênis masculino em Roland Garros
Confirmando
a fase de ouro do tênis francês, Henri Cochet,
René Lacoste e Jean Borotra dividiram títulos
e finais nos cinco primeiros anos em que o torneio foi jogado
em Roland Garros. Os estrangeiros então dominaram
a cena. O australiano Jack Crawford foi seguido pelo elegente
alemão Barão von Cramm e especialmente o britânico
Fred Perry, o homem que tirou a Davis da França em
33. Por fim, veio Don Budge, que naquele ano seria o primeiro
tenista da história a ganhar os quatro grandes torneios
numa mesma temporada, criando o termo Grand Slam. Ele nunca
defendeu seu título na França. Tornou-se profissional
pouco antes de explodir a Segunda Guerra.
Assim que a paz voltou, o torneio abriu novamente suas
portas. Em 46, deslocado no calendário e realizado
após Wimbledon, os franceses comemoraram sua última
alegria com Marcel Bernard, que só se inscreveu na
chave de simples porque ficou sem parceria nas duplas mistas.
O domínio australiano, que sempre eram vistos como
tenistas de pisos rápidos, começou em 52 com
o jovem Ken Rosewall (então com 18 anos e sete meses)
e só foi interrompido rapidamente por Tony Trabert,
último norte-americano a triunfar nos 30 anos seguintes.
Seguiu-se Rod Laver, que também fecharia o Grand
Slam em 62.
A década de 60 coheceu novas potências européias
no saibro, com o italiano Nicola Pietrangeli e o espanhol
Manuel Santana, embora o saque-voleio australiano tenha
vencido com Roy Emerson, Fred Stolle e Tony Roche. No histórico
torneio de 68, que marcou o primeiro torneio aberto a amadores
e profissionais, Rosewall voltou aos títulos em cima
de Laver, que conseguiria a revanche no ano seguinte, quando
novamente completou o Grand Slam.
Entre 70 e 73, vários profissionais, que mantinham
contrato com Lamar Hunt no circuito World Championship Tennis,
boicotaram o saibro e Roland Garros. Foi a chance de os
europeus dominaram o Aberto francês, com o tcheco
Jan Kodes, o espanhol Andrés Gimeno e o romeno Ilie
Nastase. Mas o monstro sagrado ainda estava por vir. Com
18 anos, o sueco Bjorn Borg iniciou em 74 um domínio
que durou até 81, período em que colecionou
sofreu uma única derrota (em 76) e colecionou seis
títulos.
Seu
abandono do circuito permitiu o surgimento de novos heróis,
como seu compatriota Mats Wilander e o tcheco Ivan Lendl.
E permitiu que o jejum francês enfim terminasse em
83, com o acrobático e agressivo Yannick Noah. A
década de 90 terminou com antagonismo: em 89, Michael
Chang recuperou o troféu para os americanos com o
recorde de maisjovem campeão da história e,
no ano seguinte, o veterano Andrés Gomez surpreendeu
o tênis ao bater o já fenômeno Andre
Agassi.
Jim Courier e Sergi Bruguera se tornariam bicampeões
nos anos 90. A Espanha marcou um feito espetacular em 94:
Bruguera fez a final com Alberto Berasategui, Arantxa Sanchez
ganhou no feminino e Jacobo Diaz, no juvenil. Os anos seguintes
viram uma multiplicidade de diferentes estilos e campeões,
com Thomas Muster, Yevgeny Kafelnikov, Carlos Moyá
e enfim Agassi.
O grande nome, no entanto, a dominar o saibro
foi Gustavo Kuerten, que surpreendeu o mundo ao
ganhar em 97 como mero 66º do ranking e depois
confirmou em 2000 e 2001. Albert Costa e Juan
Carlos Ferrero estenderam a soberania espanhola,
diminuída com a final totalmente argentina
de 2004, mas amplamente ratificada com a ascensão
de Rafael Nadal, dono de quatro títulos consecutivos
e igualando o feito de Borg.