Agassi revela em livro que usou droga e mentiu para não ser punido
27/10/2009 às 23h52
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| Capa da autobiografia "Open" |
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Nova York (EUA) - Andre Agassi faz uma revelação bombástica na autobiografia "Open", que está para ser lançada no próximo mês. O ganhador de oito títulos de Grand Slam diz que usou metanfetamina em 1997, ano em que se casou com a atriz Brooke Shields. Ele tinha então 27 anos. Paul Bogaards, porta-voz da editora, confirmou a informação ao
New York Daily News nesta terça-feira. Depois de superar a má fase, Agassi conquistou cinco Grand Slam e se envolveu profundamente com o trabalho beneficente de sua fundação.
A informação foi inicialmente publicada no Twitter por Richard Deitsch, da revista americana
Sports Illustrated, mas depois retirada do ar. A
Sports Illustrated e a revista
People vão publicar trechos do livro. A revelação pode ser uma forma de atrair atenção para o livro, que será colocado à venda no dia 9 de novembro.
A metanfetamina é considerada uma droga muito perigosa por sua grande capacidade de viciar. Em 1996, Agassi havia conquistado a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atlanta, mas não ganhou nenhum torneio em 1997 e estava praticamente à beira da aposentadoria. Mas voltou no fim daquele ano e disputou um challenger, na mesma semana em que se realizava o Masters. Em 1999, recuperado, conquistou Roland Garros.
O site do jornal britânico
The Times publica nesta quarta e quinta-feira trechos do livro em que Agassi afirma que mentiu às autoridades do tênis ao ser apanhado pelo exame antidoping. O norte-americano se defendeu afirmando que ingeriu a droga acidentalmente. Nos Estados Unidos, a posse de metanfetamina pode levar a cinco anos de prisão.
No trecho que é publicado pelo site
Timesonline.com , Agassi conta que foi apresentado à droga por um membro de sua equipe, apelidado de Slim. "Há um momento de arrependimento, seguido de uma enorme tristeza. Então, vem uma onda de euforia que varre todo pensamento negativo de minha cabeça. Nunca me senti tão vivo, tão cheio de esperança e nunca senti tanta energia", conta. Durante o outono daquele ano, Agassi estava no aeroporto de La Guardia, em Nova York, quando recebeu o telefonema de um médico da ATP com voz de quem tinha más notícias. O médico o comunicou que ele havia sido reprovado no antidoping.
"Meu nome, minha carreira, tudo agora esta em xeque. Tudo o que tinha conseguido, tudo pelo que tinha trabalhado, poderia não significar nada. Dias mais tarde, escrevi uma carta à ATP, com mentiras entremeadas com pedaços de verdade. Disse que Slim, que desde então eu tinha demitido, era conhecido por ser usuário de droga e que ele, com freqüência, misturava soda com metanfetamina, o que era verdade. Então, veio a mentira central da carta. Disse que recentemente havia tomado soda de Slim, ingerindo a droga involuntariamente. Pedi compreensão e assinei. Senti vergonha, claro, e prometi que aquilo era o fim." A ATP reviu o caso, arquivou e o assunto só se tornou público agora com a autobiografia de Agassi.