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Entrevista revela uma Hantuchova sensível e inteligente
20/06/2007
- 12h21
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| Hantuchova: inteligência e talento |
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Bonita, talentosa no tênis e inteligente, a eslovaca Daniela Hantuchova concedeu uma longa e interessante entrevista ao jornalista Brian Viner, durante o Aberto de Berlim, publicada recentemente no jornal inglês "The Independent". Em 2003, correram rumores de que a eslovaca de 1m81 de altura estaria sofrendo de bulimia ou anorexia, o que a obrigou a declarar que não havia nada de errado com sua saúde, apesar de estar bem magra na ocasião.
Foi nessa época que Hantuchova - então quinta do mundo, atrás das irmãs Williams e das belgas Justine Henin e Kim Clijsters - sofreu dura derrota na segunda rodada de Wimbledon, de virada, para a japonesa Shinobu Asagoe por 0/6, 6/4 e 7/6 (12/10) e deixou a quadra chorando. Era o começo de sua queda no ranking, acompanhada de nítida perda de peso. Ela despencou além do top 50 e parecia fadada a ser mais uma promessa não concretizada. Mas neste ano, Hantuchova conquistou seu segundo título de WTA em Indian Wells, recuperou o peso, seu jogo e torna a aparecer entre as 10 melhores do mundo. Nesta semana, disputa o torneio de Hertogenbosch, na Holanda, onde nesta quarta-feira avançou às quartas-de-final.
Hantuchova diz que não foi fácil lidar com os rumores sobre seus supostos problemas alimentares. "Não foi nada bom, especialmente porque não era verdade. Foi o maior... Não sei como dizer isso de uma forma gentil", desculpa-se. Convidada a falar francamente, ela prossegue: "OK. Foi uma merda. Sim, eu realmente tinha mudado de forma porque havia muita pressão em cima de mim e não estava pronta para lidar com tudo aquilo. Agora, espero poder inspirar alguns jovens, mostrando que eles podem dar a volta por cima. Cada um tem seu tempo de amadurecer."
A número 10 do mundo afirma que as pessoas dão muita importância à aparência física e que isso é pior quando se é mulher. "No esporte em geral, acho que se enfatiza muito a aparência. Com os rapazes, ninguém aborrece, exceto para falar que Ronaldo está um pouco pesado. Mas com as mulheres, é demais. Cada uma tem uma forma, as pessoas deveriam se concentrar apenas no jogo."
A jogadora de 24 anos, completados em 23 de abril passado, é apenas alguns meses mais velha que sua grande amiga Kim Clijsters e tem sentimentos contraditórios com relação à aposentadoria precoce da belga. "Sinto como se Kim e eu tivéssemos crescido juntas. Então, é muito estranho", conta. "Por um lado, entendo perfeitamente o lado dela. Como tenista de ponta, você, de vez em quando, deseja uma vida normal. Por outro lado, com o talento que ela tem, já fez muitas coisas, mas poderia fazer mais. É uma escolha pessoal e ainda não conversei com ela sobre isso, mas meu manager sempre me fala do perigo de fazer muito em pouco tempo. O conselho que recebi é ser paciente. Às vezes, é melhor ir pelo caminho mais longo e apreciar mais tudo, porque talvez assim esteja mais preparada para isso."
Em 2002, aos 19 anos, Hantuchova parecia pronta para o sucesso ao ganhar o torneio de Indian Wells, considerado o mais importante depois dos eventos do Grand Slam, derrotando no caminho Martina Hingis e Justine Henin na decisão. No mesmo ano, foi às quartas em Wimbledon e no US Open e logo foi colocada ao lado de Anna Kournikova, como nova musa do tênis. Para alegria da imprensa, além de bonita e de jogar bem, era fluente em quatro línguas - eslovaco, inglês, alemão e italiano - e aprendeu a tocar piano ("sim, Beethoven, Bach, todas estas coisas", confirma).
Hantuchova falou de várias outros assuntos na conversa que teve com o jornalista no lobby do hotel Intercontinental, onde sua entrada, elegantemente trajada, atraiu a atenção de muitos homens e algumas mulheres. A eslovaca só se recusou a comentar a separação traumática de seus pais. Segundo a imprensa de seu país, o pai da jogadora, um professor universitário, teria se envolvido com uma de suas alunas. A seguir, leia alguns de seus comentários:
- sobre usar vestidos bonitos e querer que a mídia se concentre somente no seu tênis: "Mas por que eu não deveria usar coisas bonitas? Sei o que você quer dizer. Mas não é apenas eu. Jennifer (Capriati) trabalhou duro em academia e mesmo assim sofria grande pressão, diziam que estava pesada. Serena (Williams) também sofre com isso. Realmente, não é justo."
- sobre ser a única na família sem diploma universitário: "Meu pai é professor (de computação), minha mãe estudou Farmácia e trabalhou no Ministério da Saúde, meu irmão é arquiteto. Todos têm grau universitário, exceto eu. Sei que o tênis não está me ampliando. Digo aos meus pais, 'olhem o que vocês conseguiram'. O que eu faço? Bato numa bolinha amarela."
- sobre ganhar muito dinheiro e da vida de tenista: "Não penso em dinheiro e não acho que os prêmios sejam tão grandes assim. A gente tem de desistir de tudo o mais na vida. Você fala em ganhar Grand Slams. Este não é um trabalho das 8 às 16 horas, o que significa que se tem de estar comprometido 24 horas por dia, sete dias da semana. As pessoas não vêm tudo que fazemos. Elas vêem que vamos a lugares bonitos, mas ficamos em um quarto diferente de hotel a cada semana, por cerca de 10 meses no ano. Os hotéis são ótimos, mas não são um lar. Sinto falta de casa, mas também sei que é um grande privilégio fazer o que se gosta e eu adoro o tênis."
- sobre treinar com Hingis, sua parceira de duplas: "É uma emoção que só tenho com ela, uma emoção incrível. Em Miami, treinamos com raquetes de madeira porque alguém queria que tentassemos e a bola saiu da raquete de forma perfeita! É por isso que fiquei tão feliz com a volta de Martina. Tênis não é apenas força, é também ritmo e ela provou isso mais do qualquer outra."
- sobre ser parceira de Navratilova: "Joguei simples contra ela em Eastbourne há alguns anos, ganhei, mas nunca fiquei tão nervosa na minha vida. Normalmente, não ligo para quem está do outro lado da quadra, mas com ela, era tudo que podia pensar."
- sobre os conselhos de Navratilova: "Ela tem me dado muitos conselhos como, por exemplo, usar minhas armas na quadra. Ela sabe que eu penso muito na quadra, talvez até demais, e me diz que o tênis não é tão complicado como às vezes eu penso. Cometo o erro de ver o tênis como um jogo de xadrez, com muitas diferentes opções."
- explicando a razão do sucesso das jogadoras do Leste europeu: "É a mentalidade. Estamos preparadas para trabalhar muito duro para chegar lá, custe o que custar. Não somos mimadas. No Ocidente, às vezes, é difícil continuar motivada quando se tem tudo na juventude. E a pior coisa é quando os pais forçam demais as crianças. Em nossa parte do mundo, o desejo vem de nós, ninguém precisa nos empurrar. Na verdade, eles agiram ao contrário. Diziam, chega de tênis, agora, vá e estude."
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