Hegemonia das irmãs Williams em Wimbledon marca época
02/07/2009 às 18h55
Breno Menezes
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| Richard: "O ímportante é a vitória da família Williams" |
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Antes de Wimbledon começar, especialistas discorriam sobre quem poderia deter a soberania das irmãs Venus e Serena Williams nas quadras de grama do All England Club. Quase duas semanas depois, quaisquer dúvidas sobre o domínio das norte-americanas quando se trata de Wimbledon foi por água abaixo, com as duas garantidas mais uma vez na decisão e lutando também pelo título de duplas. As sempre perigosas inimigas do Leste Europeu vão aguardar por uma próxima oportunidade.
Atual bicampeã e na batalha para conquistar seu sexto troféu na capital britânica,
Venus esteve impecável no duelo contra a atual número 1 do mundo Dinara Safina pelas semifinais. Em 51 minutos, destronou a russa com uma acachapante vitória por 6/1 e 6/0, para alcançar sua oitava decisão do tradicional evento. Além de contabilizar vinte vitórias consecutivas em Londres, ela só perdeu dois sets nesta sequência inacreditável, ainda em 2007.
Serena, por sua vez, sofreu muito. Mas somente na penúltima rodada, quando teve de manter o sangue frio diante de uma aguerrida adversária. Ao contrário da compatriota Safina, a moscovita Elena Dementieva entrou disposta a acabar com a festa da Williams e ficou a um ponto de conseguir o feito. No final,
a europeia caiu de virada, por duros 6/7 (4/7), 7/5 e 8/6, em maratona de quase 3h.
As irmãs agora disputam pela quarta vez a decisão em Wimbledon, com Serena tendo levado a melhor em 2002 e 2003, e Venus dando o troco na temporada passada. Porém, o que mais chama a atenção é a hegemonia de ambas iniciada pela mais velha das Williams, em 2000. De lá para cá, apenas a russa Maria Sharapova, então adolescente em 2004, e a francesa Amélie Mauresmo, há três anos, se intrometeram no caminho das duas.
Juntas, as irmãs colecionam 17 títulos de Grand Slam somente em simples e já têm o 18º troféu garantido - só resta saber quem vai se dar bem neste sábado. Serena demonstra mais versatilidade, com taças obtidas em todos os quatro principais eventos, somando no geral dez conquistas. Venus, por sua vez, é pentacampeã na Inglaterra e bi do US Open. Atuais vencedoras em duplas no All England Club, as Williams colecionam oito prêmios juntas. No Aberto da Austrália, triunfaram em 2001, 2003 e 2009; em Paris ganharam há dez anos, assim como no US Open.
Nas semifinais em Wimbledon, elas enfrentam as principais favoritas Liezel Huber e Cara Black nesta sexta-feira, de olho na final de domingo. E, dando tudo certo até o último dia de jogos, elas deixarão Londres com o quarto título, já que ganharam em 2000, 2002 e 2008. A hegemonia poderia ser ainda maior, não fossem as lesões e os compromissos fora das quadras, que tiraram um pouco o foco de Venus e Serena.
Determinas a voltar ao topo do ranking, elas comprovaram que a Era Williams ainda está longe de acabar, como declarou Venus, de 29 anos, em suas entrevistas ao longo da competição. Para a experiente tenista, as jogadoras têm se aposentado muito antes do que deveriam. A californiana, no entanto, disse ainda hoje ter muita lenha para queimar.

Serena não ficou atrás. Após ser duramente criticada por colocar em dúvida o merecimento de Safina em ser considerada a melhor do mundo, a atleta radicada na Flórida, dois anos mais jovem do que sua irmã, parece estar mesmo com a razão. Fica difícil de alguém duvidar do poderio de Venus e Serena depois de mais uma vez a família Williams dar as cartas na casa dos britânicos com tamanha autoridade.
O mentor por detrás da união entre as norte-americanas é Richard Williams. Mais fã do que propriamente pais das ex-líderes do ranking mundial, ele sempre comparece aos jogos das filhas, exceção feita quando ambas se enfrentam. "Se elas chegarem novamente à final estarei no aeroporto voltando para casa", declarou ainda na primeira semana de jogos. Nesta quinta, descontraído, apenas brincou: "Serena quase me enfartou. Venus parecia estar com pressa para ir a algum lugar, ou sair para ter um grande jantar", brincou Richard. "O mais importante é que será uma vitória da família Williams".