14/03/2007 - 08h34 Entrevista: Valentino Rossi fala de baladas, carros e claro MotoGP
Por José Eduardo Martins
Ídolo absoluto em toda a Europa, Valentino Rossi é o principal nome do motociclismo mundial na atualidade. O carisma do italiano atinge pessoas de todas as idades e sexo. Com toda essa torcida, Rossi também é um fenômeno de vendas. O piloto, que no ano passado ficou entre os dez esportistas mais bem pagos segundo a Revista Forbes, domina a venda de produtos licenciados em barracas e em lojas espalhadas ao redor dos autódromos da MotoGP. Para se ter uma idéia da popularidade de Rossi, o boxe da Yamaha, equipe do italiano, é o único que sempre está repleto de fãs à espera de um autógrafo ou de uma foto. "É muito bom receber a atenção dos torcedores, mas não é possível atender a todos e em todos os momentos", disse Rossi.
Na pista Rossi também é soberano. Dono de sete títulos mundiais em quatro cilindradas diferentes, o piloto busca neste final de semana a vitória na abertura da temporada 2007 da MotoGP, que pela marca a estréia das motos de 800cc, no Qatar. Filho do ex-piloto Graziano Rossi, o italiano de 28 anos pode bater outros recordes neste ano e aumentar ainda mais a sua fortuna. Confira agora entrevista exclusiva feita com Valentino Rossi, que fala sobre a vida fora das pistas, MotoGP, Yamaha e carros de corrida:
José Eduardo Martins:Tudo é válido em uma corrida de motos? Você pretende mudar o seu estilo?
Valentino Rossi: Tudo pode acontecer quando um campeonato é definido em uma corrida. Ninguém faz milagres. Sempre fui e serei arrojado, nunca mudarei o meu estilo. Tento jogar limpo e dentro das regras, mas, como todo mundo, eu não gosto de perder. No limite do regulamento faço o que for possível.
É verdade que a moto da Yamaha é muito sensível?
É verdade. A M1 é uma autêntica moto de corrida, para o bem e para o mal. A Honda é bem mais dócil, sendo mais parecida com uma moto de rua. A Ducati também é bastante sensível a mudanças e, deste ponto de vista, a Honda é a melhor.
Rossi, como estaria a Yamaha sem você e o Jeremy Burgess (Chefe da equipe que foi contratado junto com o piloto italiano em 2004)?
Com certeza a equipe não estaria neste nível. Mas, por outro lado, não estariam como no ano anterior a minha chegada, pois em 2003 a Yamaha cometeu diversas falhas.
Quais foram as suas principais contribuições para a Yamaha?
É muito difícil permanecer sempre no topo, ainda mais quando se compete contra a Honda. A Yamaha sempre construiu boas motos, mas a verdade é que antes de mim e do Burgess as M1 eram difíceis de conduzir, apesar de sempre terem potencia. Ajudamos bastante a Yamaha nesta evolução dos últimos anos. Da minha parte, os resultados foram obtidos dentro da pista, acho que nos boxes aprendemos como se trabalha com a moto e como devemos compreendê-la - neste sentido boa parte dos méritos é do Burgess.
Se você fosse chefe de equipe quem seria o seu piloto?
A lista é bem grande. O campeão Nicky Hayden não seria uma má opção ao lado de um companheiro jovem da 250, como Jorge Lorenzo e Andrea Dovizioso. Poderia também ser o Loris Capirossi com o Marco Melandri. Enfim, não seria uma escolha fácil.
Como você avalia o seu momento na MotoGP?
Estou sempre pronto para vencer! Sou psicologicamente mais forte que o Hayden e os demais pilotos. Tecnicamente, eles são bons e corajosos também, mas acredito um pouco mais no meu potencial.
Você vai trocar as motos pelos carros?
Quem sabe no futuro posso disputar um campeonato de carros. Os testes de Fórmula-1 e corridas de rali foram bastante interessantes e só posso agradecer as pessoas que me ajudaram. No entanto meu objetivo é a MotoGP, que sempre será a minha paixão.
Quais foram as personalidades que você mais gostou de conhecer?
Michael Jordan e Ronaldo.
Seu sonho é ganhar com uma moto italiana?
Sim, sempre disse que sonho ganhar um campeonato com uma moto italiana, e atualmente as Ducati são competitivas. Tecnicamente o time italiano tem um grande pessoal e evoluiu nas últimas temporadas. No entanto, a minha vontade hoje é seguir na Yamaha, onde tenho vários amigos trabalhando. Não é uma equipe italiana, mas também não é japonesa. Podemos dizer que o estilo de trabalho é europeu.
Quais são os seus maus costumes no dia-a-dia?
Tenho uma porção deles. Por exemplo, várias vezes depois de uma festa vou dormir tarde e quando me levanto no dia seguinte com ressaca e com dor de cabeça penso.: "É foda! Não seria ruim beber menos da próxima vez". Mas quando chega outra festa acontece a mesma coisa.
Então você deveria ir com mais calma nas festas?
Sim, mas acho que é impossível.
Você tem o costume de após sair dos boxes ficar de pé e mexer no seu macacão. Por que faz isso? Você tem problema com seu macacão ou com suas roupas de baixo?
É porque muitas vezes o macacão do tamanho errado e quando entro na reta fica um pouco desconfortável. Isso me deixa um pouco mais nervoso e mexer no meu macacão acaba sendo importante para eu me manter concentrado. Quanto à roupa de baixo nada especial (risadas).