Téo José


09/04/2007 - 09h00

Especial: Fernando Alonso vale todo o investimento da McLaren



Da Redação

A cada ano que se passa, os orçamentos e gastos das equipes, na Fórmula 1, ficam mais inchados e, isto se reflete no salário dos pilotos que, hoje em dia, são verdadeiras marcas e atrelam a sua imagem a alguns conceitos e características de produtos. É claro que, tudo está relacionado à fama do esportista, a sua importância no cenário da categoria e a habilidade de colocar seu nome em evidência.

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Até o ano passado, o mais bem pago era o heptacampeão Michael Schumacher pela Ferrari com a quantia de US$ 36 milhões (mais de R$ 78 milhões) por ano sem contar os contratos publicitários. Nesta temporada, o competidor com maior rendimento é o bicampeão Fernando Alonso com cerca de US$ 30 milhões (R$ 65 milhões) anuais pagos pela McLaren, três vezes mais o que recebia na Renault.


Alonso vale?

Analisando que há 17 provas no calendário atual, o espanhol arrecada a bagatela de US$ 1,8 milhão por corrida. Alguém mais crítico questionaria, se é justo tanto dinheiro para um piloto apenas, mesmo assim, "a questão não é o merecimento e sim, a imagem que as pessoas têm dele e isto que ele transporta ser visto como valor por patrocinadores e escuderias", afirmou o consultor de recursos humanos Mario Persona.

"Quando olhamos os valores a olho nu, claro que são valores impressionantes e que deixa perplexo qualquer um que queira comparar com outra profissão. O fato é que devemos olhar através de uma lente que nos permita enxergar particularidades nestes casos. Uma delas é que muitos pilotos hoje estão recebendo de volta o investimento físico, mental, monetário e até mesmo da infância perdida de vários anos de dedicação", declarou o piloto da equipe Blausiegel e atual campeão do Trofeo Maserati, César Urnhani.

Retorno certo

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Só devido à incorporação de Alonso, a McLaren terá uma receita publicitária de US$ 150 milhões para colocar logos das marcas no carro, no casaco e no capacete. "Ao se detectar um talento que tem todos os predicados comportamentais, surgem chances reais de trazer retorno e multiplicar os investimentos, influenciar várias nações e gerações e tornar-se ídolo como Ayrton Senna, esse profissional passa a ter o seu preço correspondente a proporcionalidade da sua missão e responsabilidade naquela escuderia", opina Urnhani. As empresas querem ter seus nomes relacionados a um esportista vitorioso e de personalidade como o espanhol.


"O lado positivo destes salários é à força das ferramentas de marketing, envolvendo e valorizando mídias, patrocínios e eventos. O lado negativo fica pela inversão de valores, ou melhor, pela falta de valores no âmbito social, já que o marketing supervaloriza e promove competidores, assim as pessoas mitificam os esportistas, havendo uma desproporcionalidade, o que precisa se repensar", analisa o professor da área de marketing Sandro Ariboni.

Demais do circo

O bolo ainda é muito grande, chegando a um total de US$ 136 milhões por ano somados os 22 pilotos, dando mais ou menos US$ 6,2 milhões por competidor. Quanto às outras fatias, sobram traços gordos como para o finlandês Kimi Raikkönen, com salário de US$ 25 milhões, enquanto seu companheiro de equipe, o brasileiro Felipe Massa recebe US$ 8 milhões, menos até que seu compatriota Rubens Barrichello, da Honda, detentor de US$ 10 milhões, como Jenson Button, seu colega. "Eu não acho que o salário de um piloto de F1 é alto, mas sim as cifras movimentadas no circo da F1 é que são vertiginosas", concluiu Urnhani.

O que pesa também na hora de se definir o salário é a experiência, já que o novato inglês Lewis Hamilton, campeão da GP2 e companheiro de Alonso, ganha só US$ 2 milhões e os veteranos da Toyota, Ralf Schumacher e Jarno Trulli têm respectivamente US$ 12 mi e US$ 10 mi na conta bancária. Na Renault, a filosofia do bom e barato prossegue, tendo despesas de US$ 4 mi com Fisichella e US$ 2 mi com Kovalainen.

Nas outras equipes como BMW, Red Bull, Williams, Toro Rosso, Super Aguri e Spyker, o máximo não passa dos US$ 4 mi. E no outro lado da moeda, se encaixam Anthony Davidson da Super Aguri e Adrian Sutil da Spyker, com os menores salários do circo correspondendo a US$ 0,5 mi para cada.





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