Téo José


01/06/2007 - 09h15

Entrevista: Streit preparado para ser campeão da F-3 Japonesa



Da Redação

O piloto brasileiro Roberto Streit compete, atualmente, na Fórmula 3 Japonesa pela escuderia Inging Motorsport. No momento, após três rodadas duplas, ele lidera o campeonato com 93 pontos, dois a frente do inglês Oliver Jarvis da equipe Tom's.


Divulgação
O carioca, de 23 anos, segue para a sua terceira temporada consecutiva nesta categoria e já demonstra um grande amadurecimento em relação ao seu início na série.

Em 2005, na sua estréia, conseguiu apenas o sexto lugar na competição com uma vitória em Suzuka. Já, em 2006, foi vice-campeão, ganhando três corridas na temporada. E este ano, obteve mais duas vitórias.

Antes de chegar na F-3 Japonesa, Streit conquistou os campeonatos brasileiros de kart em 1995 e em 1999. O piloto ainda foi campeão da Fórmula Chevrolet, no Brasil, em 2001.

Entre 2002 e 2003, Streit passou pela F-Renault Italiana e Européia. Em 2004, ele disputou a F-3 Européia onde correu com pilotos como Robert Kubica, Nico Rosberg e Lewis Hamilton que estão na F-1.

Confira, na íntegra, a entrevista concedida, gentilmente, pelo piloto Roberto Streit ao site Amigos da Velocidade:

Amigos da Velocidade - Streit, você esperava liderar a F-3 Japonesa após somente três rodadas duplas?

Roberto Streit - Com certeza, antes da temporada começar, todos esperavam uma briga interna entre os dois pilotos da Tom's que usam motores 2007 da Toyota. O motor 2007, além de ser mais potente é 20kg mais leve que a versão que usam todos os outros, isso faz uma grande diferença em qualquer categoria. Não era esperado por ninguém eu liderar o campeonato, mas acho que estou conseguindo jogar bastante na base desses dois anos de experiência aqui no Japão. O fato de conhecer as pistas e, ainda mais importante, conhecer o carro da equipe Inging Motorsport como niguém, tem feito a diferença. Qualquer que seja a condição de pista que encontramos conseguimos adaptar o carro, rapidamente, e estamos sempre muito perto do nosso limite e isso tem contato bastante a nosso favor.

Amigos - Quais são as suas expectativas para o prosseguimento da sua terceira temporada na F-3 Japonesa?

Streit - É difícil fazer uma previsão sem saber como os adversários vão evoluir. Nós, já estamos dando 98% do nosso potencial, enquanto os outros ainda não conseguiram aproveitar a vantagem de usarem os motores 2007. Nós estamos fazendo o máximo para melhorar o carro, especialmente o motor. Além disso, daqui pra frente temos pistas como Okayama, Autopolis e Hi-land que, teoricamente, nos desfavorecem por serem pistas sem retas muito longas. Mas acho que nessas pistas seremos bastante competitivos e teremos que aproveitar para pontuar.

Amigos - Como você vê as suas possibilidades de conquistar o título? Quem seriam os adversários mais perigosos?

Streit - Acho que esse ano o mais importante vai ser continuar o trabalho que temos feito. Sem cometer erros, aproveitando todas as chances que aparecerem, acho que temos chance de lutar pelo título. Não há dúvidas que os dois que vão lutar comigo são Oliver Jarvis e Kazuya Oshima da equipe Tom's.

Amigos - Para você, qual a importância de conseguir o título da F-3 Japonesa depois de um vice-campeonato?

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Streit - No ano passado brigamos pelo campeonato, mas nunca chegamos realmente a ameaçar a liderança dos Tom´s. Esse ano, com uma desvantagem ainda mais clara de motor com respeito ao time de fábrica (Tom´s), brigar de igual para igual por cada corrida já é algo que está além do que todos esperam de uma equipe privada como a nossa. Vamos continuar a trabalhar duro para conquistar o título, pois o retorno com certeza vai valer a pena.

Amigos - Você está com 23 anos e já disputou a F3 Européia e a Euro Cup, qual evolução você percebe em seu desempenho e no seu amadurecimento?

Streit - Tecnicamente, durante esses três anos de Fórmula 3, posso dizer que aprendi muito em termos de adaptar a minha guiada a como está o carro, e, principalmente, aprendi muito no acerto do carro. Hoje eu tenho certeza que pouquíssimos conseguem acertar um carro de F-3 como eu. Essa bagagem levo comigo para onde quer que eu vá. Na parte psicológica, a maneira de ver as coisas ou até mesmo lidar com certas situações é muito mais fácil e natural hoje.

Amigos - Qual o seu maior sonho no automobilismo?

Streit - Ser reconhecido pelas pessoas com quem trabalho. Sejam elas, mecânicos, engenheiros, chefes de equipe, patrocinadores, managers ou a própria imprensa.

Amigos - Você planeja ainda chegar à Fórmula 1, a categoria mais importante do automobilismo?

Streit - A F-1 é uma coisa que todos querem, e eu também, claro. Mas não são todos os bons pilotos nem mesmo todos os fenômenos que tem a chance de ir para a F-1. Eu me preocupo sempre em fazer o meu trabalho bem feito. Se hoje o carro me deixa chegar em quinto, esse quinto eu tenho que levar para casa, ou se eu tenho a oportunidade de vencer não posso deixar passar. Se um dia a F-1 me der uma chance eu ficarei muito contente, mas já me considero uma pessoa de sorte por conseguir fazer o que eu gosto e poder viver disso.





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