20/06/2007 - 15h00 Entrevista com o piloto brasileiro Vitor Meira
Da Redação
O piloto Vítor Meira corre, atualmente, pela equipe Panther na Fórmula Indy e está na sua sexta temporada na categoria. Hoje, o brasileiro é o nono colocado no campeonato 2007 e continua em busca da sua 1ª vitória na série, mas lamenta o ruim desempenho no início deste ano.
O brasiliense começou a sua carreira nos karts aos 12 anos e, em 1994, foi campeão brasileiro. Em 1995, foi para o exterior e ganhou a Fórmula Ford Inglesa. Vítor ainda competiu na F-Ford e na F-Renault.
Porém, em 1999, voltou ao Brasil para disputar a Fórmula 3 Sul-Americana. Em 2000, conquistou o título e já neste ano fez um teste para a Panther. Vítor acabou indo, em 2001, para a Fórmula 3000 Européia e ficou em quinto lugar na competição.
O brasiliense, hoje com 30 anos, estreiou na Fórmula Indy pela Menards, nas últimas quatro provas de 2002, e prosseguiu neste time na temporada de 2003. Depois se transferiu para a Rahal Letterman e competiu por esta escuderia de 2004 a 2005.
Em 2006, Vítor chegou à equipe Panther e, neste ano, terminou a competição em quinto lugar, o seu melhor resultado. Em corrida, a sua melhor colocação foi o segundo lugar obtido nas 500 Milhas de Indianápolis em 2005.
Confira a entrevista concedida, gentilmente, pelo piloto Vítor Meira ao site Amigos da Velocidade:
Amigos da Velocidade - Vítor, você tem tido uma temporada complicada e cheia de problemas, a que fatores você atribui tal rendimento?
Vítor Meira - Durante a pré-temporada deste ano a Panther focou seus esforços em ampliar a equipe de um para três carros (dois de IRL e um de IPS) enquanto as grandes equipes se concentraram em testes e desenvolvimento (principalmente aerodinâmico) e isto nos deixou um passo atrás desde o início da temporada.
Amigos - A própria equipe Panther, que já foi duas vezes campeã da Indy, não consegue acertar o carro, o que fazer para melhorar o desempenho e tornar o carro mais competitivo?
Vítor - Infelizmente, no nível de automobilismo que estamos na IRL, o que dita a performance dos carros é a quantia de dinheiro investida nas equipes. O orçamento é diretamente proporcional ao desenvolvimento que a equipe pode realizar fora das corridas e dos testes coletivos. Consequentemente, para desenvolver nosso equipamento precisamos de mais suporte financeiro.
Amigos - Em 2006, você ficou em quinto lugar na temporada com a Panther recomeçando. Neste ano, com mais investimentos do time, você esperava brigar pelo título?
Vítor - De início sim, mas com o decorrer da temporada nós vimos que as grandes equipes investiram muito mais este ano em desenvolvimento do que no ano passado, basta ver o caso da Andretti-Green. Certamente as nossas chances diminuíram, mas isto não indica que estamos fora da briga, ainda faltam 10 etapas para o fim da temporada e muita coisa pode acontecer.
Amigos - O seu companheiro de time, o japonês Kosuke Matsuura, auxilia no processo de desenvolvimento do carro? Como é o seu relacionamento com ele?
Vítor - Ter uma equipe com dois carros sempre é uma grande ajuda. Como cada carro tem sua equipe de mecânicos e engenheiros, cada uma das equipes pode focar em um setup diferente durante os treinos e assim temos mais dados para analisar e decidir o rumo certo a seguir. Tenho uma relação muito boa com o Kosuke, ele é uma ótima pessoa.
Amigos - Na atual 9ª colocação no campeonato, o que você e a equipe observam para o resto do campeonato?
Vítor - Da corrida de Iowa em diante teremos alguns ovais curtos, onde a equipe Panther costuma ter um bom acerto e também teremos algumas corridas em circuitos mistos (até agora só tivemos a corrida de St. Petersburgo), onde sempre a habilidade do piloto conta. Nós vamos continuar com o desenvolvimento do nosso equipamento na medida do nosso orçamento e esperamos poder diminuir a diferença entre nós e as grandes equipes.
Amigos - Vítor, vendo os outros brasileiros, Tony Kanaan sendo campeão em 2004 e Hélio Castroneves vencendo duas vezes as 500 Milhas de Indianápolis, como você se sente sempre batendo na trave?
Vítor - Tudo é uma questão de oportunidade. Tanto o Tony quanto o Helinho sempre contaram com estruturas de ponta para estar sempre na briga, e eu, mesmo sem ter o melhor equipamento ou a maior equipe sempre apareci bem na IRL.
Amigos - Você se importa com as comparações feitas pelas pessoas entre você e as conquistas dos outros brasileiros?
Vítor - Não me importo, pois sei as diferenças que existem entre os equipamentos e as equipes.
Amigos - Você está indo para a sua sexta temporada na Indy, qual é a sua expectativa para conseguir a sua primeira vitória na categoria?
Vítor - Na realidade vou para a minha quarta temporada completa de Indy. Em 2002 corri somente as três últimas provas, em 2003 fiquei quase metade do campeonato sem correr após uma batida em que fraturei o braço e em 2004 comecei o campeonato na etapa do Japão pela Rahal. Sempre que sento no meu carro eu guio para ganhar, e para mim sempre foi assim desde que sentei pela primeira vez em um kart. Fui campeão em praticamente todas as categorias que disputei, do kart até a F3 Sul-americana, mas infelizmente existem outros fatores que devemos levar em consideração para chegar à vitória além da habilidade do piloto.
Amigos - Por quanto tempo, você ainda planeja competir no automobilismo norte-americano?
Vítor - Ainda pretendo ficar aqui por algum tempo. Tenho um contrato com a Panther de três anos e me adaptei muito bem ao estilo do automobilismo norte americano.
Amigos - Você aceitaria uma proposta para correr no Brasil por exemplo na Stock Car? O que você acha de categorias como a Stock e a Fórmula Truck?
Vítor - Em 2006 eu estava praticamente acertado para correr pela Amir Nasr o campeonato de Stock e só não corri porque fechei com a Panther para fazer a temporada de IRL. Considero a Stock uma categoria de ponta e sempre que posso me informo a respeito das corridas. Além disso tenho grandes amigos na Stock. Nunca tive muito contato com a Truck, mas definitivamente é um campeonato que tem crescido muito e que conta com ótimos pilotos.
Amigos - Você já passou por competições na Europa como a Fórmula 3000. Qual a diferença que você vê no comportamento do público e da mídia nos Estados Unidos e na Europa?
Vítor - A diferença básica é a organização do evento. Não que os eventos na Europa sejam desorganizados, longe disso, mas nos Estados Unidos tudo é feito como um show, uma grande festa para o público. As ações de mídia sempre envolvem os fãs, deixando o público mais perto dos carros e dos pilotos, que na verdade é o que os fãs desejam.