10/01/2008 - 11h45 Cacá Bueno fala de NASCAR, Stock, TC e muito mais
Da Redação
Na última temporada, em 2007, o piloto Cacá Bueno conquistou o bicampeonato da Stock Car V8 depois de ter sido vice-campeão por três vezes seguidas, de 2003 a 2005. O carioca, que corre atualmente pela equipe RC e com um Mitsubishi, também disputa regularmente a TC 200 Argentina.
Agora, com 30 anos de idade, Cacá ainda almeja competir na NASCAR e também não descarta quem sabe conciliar outra competição com a Stock como a GT3 Brasil. Ele estreou na V8 em 2002, já possui 18 vitórias na categoria e, em 2008, chega ao seu sétimo campeonato na série com a meta de conquistar outro título.
Começou a pilotar aos 12 anos, na última prova de 1988 do campeonato carioca de kart, com apoio do pai, o locutor Galvão Bueno, como ele mesmo confirma. Na seqüência, em 1989, foi campeão da Copa de Prata de Kart e, em 1992, campeão paulista de Kart.
Em 1995, disputou a Copa Fiat Uno e foi escolhido o melhor estreante do ano. Em 1996, participou simultaneamente da Stock Car Categoria B (hoje Light), sendo terceiro e da Copa Fiat. Em 1997, foi campeão da Stock B e terceiro lugar da Copa Palio.
Com isso, se projetou no cenário internacional, em 1998, foi vice-campeão sul-americano de turismo, e logo, no ano seguinte, conquistou o título desta categoria. Em 2000 e 2001, pilotou na TC2000, sendo uma vez campeão na série argentina.
Confira a entrevista concedida, gentilmente, pelo piloto Cacá Bueno ao site Amigos da Velocidade:
Amigos da Velocidade - Depois de tantas vitórias e conquistas, qual a motivação para você continuar competitivo na Stock no ano que vem?
Cacá Bueno - Conquistar o tri. Já que fui vice três vezes consecutivas, porque não ser campeão três vezes consecutivas?
AV - Por quantos anos você pretende ainda ficar na Stock? Você busca novos desafios?
Cacá - Não penso em sair da Stock Car, mas participar de campeonatos paralelos à categoria, já que o calendário da Stock não á muito apertado. Neste ano, por exemplo, corri na TC2000, maior categoria do automobilismo argentino e a maior do sul-americano ao lado da Stock Car.
AV - O que você acha da categoria GT3 Brasil, que estreou este ano no nosso país com as supermarcas Ferrari, Lamborghini, Porsche, Dodge entre outros? Você gostaria de correr com estes supercarros?
Cacá - Eu não sou muito fã da maneira como as duplas são formadas, mas sem dúvida acho os carros maravilhosos. É uma boa categoria que está começando e que ainda tem muito espaço para crescer.
AV - Vários pilotos da Stock Car como o Luciano Burti, o Valdeno Brito, o Giuliano Lossacco já fizeram provas na GT3, seria possível você conciliar a disputa da Stock e da GT3 durante um mesmo ano?
Cacá - Se a GT3 crescer mais tenho interesse em participar dela sim. Atualmente concilio o calendário da Stock Car com o campeonato argentino TC2000. Seria ótimo poder conciliar duas categorias brasileiras.
AV - Como é que anda o sonho de disputar a NASCAR? Você pensa em competir lá nos Estados Unidos em breve? Tem alguma negociação?
Cacá - Tive um relacionamento bastante próximo com a equipe Richard Childress. Fui visitar algumas vezes a oficina deles, fiz alguns treinos e acompanhei algumas corridas. Mas por falta de patrocínio para poder correr o ano todo numa equipe competitiva acabei adiando um pouco o projeto de correr nos Estados Unidos. Isto até pelo bom momento que estou vivendo na Argentina e no Brasil.
AV - Você participaria de outras categorias de turismo como o WTCC (Campeonato Mundial de Carros de Turismo) ou o DTM (Campeonato Alemão de Turismo)? Qual análise que você faz destas séries?
Cacá - A DTM, ao lado da Nascar, é a maior categoria de carros de turismo do mundo. Tem ótimas equipes e passa pelos melhores autódromos. Hoje só pensaria em sair da Stock Car para correr na DTM ou Nascar. Não tenho tanta vontade de correr no WTCC. Acho que hoje o piloto correndo na Stock Car tem um retorno de mídia, financeiro e uma continuidade na carreira esportiva maior do que no WTCC. O WTCC seria uma opção conjunta à Stock Car, como faço com a TC2000 atualmente.
AV - Como foi o campeonato da TC 2000 Argentina neste ano, acabando em oitavo com 92 pontos? Qual a diferença da TC para a Stock?
Cacá - Os carros da TC2000 têm a mesma base dos de Superturismo. No entanto, são bem diferentes do stock car brasileiro, que tem um estilo americano de competição. O stock é grande, pesado e com muita potência de motor, mas pouca tecnologia embarcada. Já o TC 2000 tem influência européia. É menor, mais leve e com muita tecnologia.
AV - Tem outras distinções entre a TC e a Stock?
Cacá - Tecnicamente eles também destoam. O stock car tem tração traseira, com motor V8 de 450 cavalos e câmbio de cinco marchas fixas, ou seja, a gente não pode trocar a relação de marchas durante o ano inteiro. O TC 2000 tem um motor com cerca de 300 cavalos de potência, porém um câmbio melhor, de seis marchas, sendo que podemos escalonar e mudar as relações das marchas para todas as pistas. Apesar de ter 160 cavalos a menos, o TC vira apenas dois segundos pior que o Stock Car.
Por isto, é muito diferente pilotar os dois carros. Num (carro) tração traseira como o Stock Car, você pode ser muito mais agressivo do que num tração dianteira, até por uma questão de desgaste de pneu. No TC tudo está sobrecarregado nas duas rodas dianteiras.
AV - Falando sobre ser um piloto famoso antes mesmo de chegar na Stock, como é a pressão de ser filho do narrador Galvão Bueno?
Cacá - Ser filho de alguém conhecido acaba atrapalhando um pouco, pois as cobranças são bem maiores por parte da imprensa e do público. Mas depois da minha ida para Argentina eu esqueci um pouco isto, já que lá ninguém sabe o nome do meu pai. Vi que posso fazer sucesso no automobilismo sem o sobrenome.
AV - Seu pai sempre te incentivou no automobilismo?
Cacá - Meus pais sempre me incentivaram a praticar todos os tipos de esporte. Comecei a correr de kart com 11 anos de idade e não parei mais. Sempre tive o apoio do meu pai.
AV - Você sempre preferiu competir com carros de turismo? Você chegou a ter contato com monopostos?
Cacá - Sou um piloto especialista em carros de turismo, por isto compito em categorias como a Stock e a TC2000. Já competi na Copa Porsche, comecei em uma categoria de Fiat, fiz testes na Nascar (EUA), sempre em carros de turismo. Por isto, não penso em chegar nem a Fórmula 1 ou Indy.
AV - Para encerrar, como você vê as chances dos brasileiros Felipe Massa da Ferrari, Nelsinho Piquet da Renault e Rubens Barrichello da Honda na Fórmula 1 em 2008?
Cacá - Os três são excelentes pilotos. O Felipe é o piloto brasileiro do momento, o Rubinho contribuiu e contribui muito para a história do automobilismo nacional, enquanto o Nelsinho está chegando na Fórmula 1 agora. É complicado apostar as fichas em que está começando em uma categoria tão competitiva como a Fórmula 1. Acho que o piloto brasileiro que tem chances de disputar o título de 2008 é o Felipe Massa, até pelas diferenças entre o carros dele e dos outros pilotos, principalmente do Rubinho.