O piloto alemão Nico Rosberg, campeão da 1ª temporada da Fórmula GP2, foi confirmado na equipe Williams como titular. Isto faz com que um trio dos anos 80 volte à categoria top do automobilismo: Rosberg/Williams/Cosworth.
Foi este trio que venceu o Mundial de 1982, com Keke ao volante. Ou seja, o pai do jovem Nico.
Não é de hoje que filho segue a carreira do pai, não só no automobilismo mas também em outras carreiras. Eu mesmo sou um exemplo. Hoje sou proprietário de uma empresa que já foi do pai. A comparação é inevitável. E falo por experiência própria: a cobrança não é fácil.
Alguns desenvolvem uma carreira tão brilhante quanto do patriarca. Outros nem tanto. Claro, existem aqueles que superam seus pais. Essa regra no automobilismo, e conseqüentemente na F1, não é diferente.
Nos últimos tempos, muitos filhos 'famosos" estiveram na F1. Um dos que me lembro é David Brabham, filho de um dos maiores gênios da história: o tricampeão Jack Brabham. Vale lembrar que Jack é até hoje o único piloto construtor campeão da F1. Ou seja, em 1966, ganhou o título pilotando um Brabham/Repco.
David por sua vez, tanto na F1 quanto no automobilismo em geral, ficou 'longe' do pai. Seu melhor resultado foi apenas um 10° lugar no GP da Espanha de 1994. O outro filho de Jack, Gary Brabham, também esteve presente em dois GPs de F1, mas nem conseguiu alinhar no grid e fez menos do que seu irmão mais novo.
Ainda no início dos anos 90, outro filho trilhou os passos de seu pai na F1. O nome dele: Michael Andretti. Este, diferentemente, tinha uma boa 'bagagem'. Havia conquistado o título de 1991 da Fórmula Indy e mais três vice-campeonatos. Ele fez sua estréia na F1 em 1993. Seu melhor resultado foi um 3° no GP da Itália daquele ano. Depois voltou para a F-Indy.
Michael também ficou 'longe' da carreira do pai. Mario Andretti é lendário. Ganhou quatro títulos na F-Indy. Estreou na F1, em 1968, conquistando a pole position no GP dos EUA. Foi campeão em 1978. Agora, cabe a Marco Andretti (filho de Michael) a continuar a saga. Se igualar o pai, será um grande piloto. Mas, se chegar próximo do avô, vira um piloto genial.
Em 1996, o inglês Damon Hill, filho do bicampeão do mundo Graham Hill, sagrou-se campeão na F1. Até hoje, são os únicos pai e filho a vencerem o Mundial. Porém, mas mais uma vez, o pai leva a vantagem na comparação. Graham é único piloto a vencer a chamada Tríplice Coroa do automobilismo: o GP de Mônaco da F1, as 500 Milhas de Indianápolis e as 24 Horas de Le Mans. Damon, como consolo, tem 22 vitórias na F1. Seu pai apenas 14.
Jacques Villeneuve, estreou na F1 em 1996, com o "fantasma" do pai também lhe apavorando. Gilles Villeneuve tinha sido um ídolo da Ferrari nos anos 80. Mas longe de ser um gênio. Jacques, que já tinha em seu currículo a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis e o título da F-Indy de 1995, conquistou em 1997 o título na F-1. Nesta, os genitores perderam. Jacques conquistou mais títulos e teve mais feitos que seu pai.
Christian e Wilson Fittipaldi Jr são os exemplos brasileiros de pai e filho na F1. Até hoje, os nossos únicos representantes neste sentido. Aqui, o filho também levou vantagem. Tanto Christian como Wilson não conseguiram grandes feitos. Mas, Christian conquistou vitórias importantes: 24 Horas de Spa e 24 Horas de Daytona.
Ainda temos mais dois exemplos a serem lembrados: Tomas Scheckter - hoje na IRL - corre com o peso de ser filho do campeão mundial de F1 de 1979: Jody Scheckter. Na NASCAR, Dale Earnhardt Jr é o filho de um dos maiores mitos americanos: Dale Earnahrdt - sete vezes campeão da categoria.
Nos EUA temos uma outra história interessante sobre pais e filhos. Al Unser (outro gênio) conquistou seu terceiro título na F-Indy, em 1985, vencendo seu filho Al Unser Jr, por um ponto.
Em breve, outros sobrenomes famosos podem fazer mais sucesso: Lauda e Piquet. Os jovens Nelsinho e Matias estão atrás de suas chances para mostrarem que são tão bons quanto seus pais foram.