Téo José

10/04/2007 - 08h27

Entrevista: maduro, Bruno Senna busca o passo certo na carreira

Especial

Rogério Elias
Em São Paulo

O que mais impressiona em todas as entrevistas que o site Amigos da Velocidade já fez com o piloto brasileiro Bruno Senna é sua exata noção onde está e de onde quer e pode chegar. Ou seja, apesar dos 23 anos e pouca experiência no automobilismo, é maduro.

Divulgação
Neste próximo final de semana, Senna (sim. Por que não? Afinal é um Senna) inicia outra fase na sua carreira - que começou há pouco mais de três anos: a Fórmula GP2, que nas últimas temporadas cumpriu muito bem o papel de fornecer novos talentos para a F-1.


Bruno correu na Fórmula 3 Inglesa até o ano passado e, a partir de agora, competirá na GP2 no mínimo nas próximas duas temporadas. O objetivo é aprender o máximo em 2007 e traçar metas mais altas para 2008. A Fórmula 1 poderia chegar em 2009.

Entre testes de preparação para as provas de abertura da GP2, que acontecem neste sábado (14) e domingo (15) no Bahrain, Bruno Senna encontrou tempo para atender o site Amigos da Velocidade. A entrevista exclusiva segue:

Amigos: a pré-temporada na Fórmula GP2, ao que parece, não caminhou exatamente como você esperava. O que faltou para o início do campeonato?

Bruno: acho que os testes não fugiram muito à minha expectativa. Foram três sessões de dois dias - duas em Paul Ricard e uma em Barcelona. Nestas, por exemplo, fiquei em 7º no primeiro dia, 9º no segundo e em 10º no geral. Não está mal para um estreante ainda em adaptação ao carro, à equipe e a algumas pistas. Em Paul Ricard, nos últimos ensaios, tive problemas com motor e freios. Tudo pesado, acho que está dentro do esperado. Claro que gostaria de ter ido melhor, mas este é só o início de um processo de aprendizado.

Amigos: você acha que fez a melhor escolha de equipe para 2007?

Bruno: dentro das alternativas existentes, fiz o que era melhor. Nunca escondi que gostei mais do carro da iSport nos testes que realizei no ano passado por quatro equipes. Mas a iSport queria dois pilotos experientes, para brigar pelo título, e assinou com Timo Glock e Andreas Zuber. Foi mais ou menos o mesmo caminho da ART Grand Prix, que vai com Michael Ammermüller e Lucas di Grassi. Entre a DPR e a Arden, fiquei com a segunda, que fez um excelente primeiro ano em 2005 com o Heiki Kövalainen e tem tudo para se recuperar de uma temporada apenas mediana em 2006.

Amigos: é muito diferente correr na GP2 do que na F-3 Inglesa?

Bruno: completamente. Treina-se muito mais na Fórmula 3 inglesa, até mesmo nas semanas de corrida. A potência dos motores - 600 cavalos contra 200 - é outra grande diferença, assim como no aspecto esportivo. São duas corridas na GP2, como na Fórmula 3, mas uma é mais longa, tem cerca de uma hora e pit stop para troca de dois pneus. Até a corrida mais curta do domingo, a sprint race, tem 40 minutos, 10 a mais que a duração média das provas da Fórmula 3. Além disso, a competitividade é inegavelmente maior na Fórmula GP2. Nos últimos anos, a briga na Fórmula 3 se resumiu a apenas duas equipes.

Amigos: então, pelo que você avaliou nos testes coletivos, o campeonato será equlibrado ou teremos alguma equipe despontando e dominando?

Bruno: a pré-temporada mostrou que os carros da iSport estão um pouco acima dos demais, mas logo depois a briga está muito equilibrada entre ART Grand Prix, SuperNova, FMS, Arden... E o campeonato será longo. Muita coisa poderá mudar e embolar outras equipes.

Amigos: quais pistas você já conhece nesta temporada?

Bruno: para ser sincero, tenho alguma experiência em boa parte dos circuitos, como Sakhir, Barcelona, Silverstone, Spa e até Mônaco, mas em outras categorias de fórmula ou até de turismo. A dificuldade maior será mesmo acertar o carro nos 30 minutos de treinos livres que antecedem à tomada classificatória na GP2. É pouco tempo.

Amigos: qual seu planejamento? Ou seja, pretende ficar na GP2 até quando e como programa seu futuro?

Bruno: a idéia é permanecer dois anos na Fórmula GP2. Para merecer uma chance na Fórmula 1, no entanto, preciso demosntrar uma evolução contínua. É o que espero que ocorra no final de 2008.

Amigos: como você compara o Bruno Senna de 2004 e o de 2007?

Bruno: não há termos de comparação. Cheguei completamente cru à Inglaterra em 2004. Era rápido desde o início nos treinos, mas sentia dificuldades com o ritmo de corrida e com a presença de pilotos mais rápidos atrás de mim. Cometia muitos erros. A falta de uma base mais sólida ainda é um problema. Por isso, toda corrida para mim ainda é um excelente aprendizado.

Amigos: e sua família como vem encarando sua trajetória no automobilismo já que a cada ano que passa a situação fica mais profissional?

Bruno: está totalmente engajada. Minha mãe tem acompanhado quase todas as provas e minha irmã trabalha como minha empresária, negociando com equipes, captando patrocinadores e fazendo a ponte entre ambos.








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