14/02/2008 - 11h12 Diego Nunes troca de equipe na GP2 Ásia no mesmo dia GP2
Da Redação
O jovem piloto Diego Nunes compete neste início da temporada 2008 na Fórmula GP2 Ásia, que tem cinco rodadas duplas. O brasileiro, de 21 anos, busca mostrar serviço para atingir a versão Internacional da GP2, a principal categoria de acesso à Fórmula 1.
No seu começo no automobilismo, em 2001 e 2002, o paulista foi bicampeão paulista de Kart, quarto colocado na Copa Brasil de kart e participou de algumas provas do Campeonato Europeu de kart. No ano seguinte, Diego foi pole position das 500 Milhas de Fórmula Kart, corrida com 350 pilotos de todo o mundo.
Ainda, em 2003, já fez testes na Inglaterra e na Espanha com carro da Fórmula Renault Inglesa e realizou a primeira temporada na F-Renault Brasileira. Em 2004, disputou novamente a série e ficou em nono no campeonato com 76 pontos.
Depois deste estágio, Diego Nunes chegou, em 2005, na F-3 Sul-Americana, sendo o melhor estreante com três vitórias no ano e o quarto lugar no certame. Agora, em 2006, o paulista correu pelo segundo ano na F-3, ganhando duas etapas e ficando em terceiro na competição.
Na mesma temporada, o jovem brasileiro teve a chance de participar da última rodada dupla da F-3000 Européia, além disso, testou na World Series by Renault. No ano passado, Diego completou um campeonato inteiro na F-3000 pela escuderia Minardi-Piquet, faturando quatro provas e sendo vice-campeão.
Neste final de semana, Nunes, que disputaria a segunda rodada da GP2 Ásia, em Sentul, pela equipe Campos Grand Prix, foi substituído pelo britânico Ben Hanley. No entanto, ele acertou com a escuderia DPR para correr na Indonésia.
Confira a entrevista, gentilmente, concedida pelo piloto Diego Nunes ao site Amigos da Velocidade:
Amigos da Velocidade - Como tem sido a experiência de andar na GP2 Ásia?
Diego Nunes - Está sendo uma experiência única, porque a GP2 é um dos campeonatos mais difíceis do automobilismo mundial e, hoje, é a principal porta de entrada da Fórmula 1.
AV - O que você acha do carro da GP2 Ásia e da equipe Campos Grand Prix onde vocês corre?
Diego Nunes - O carro da GP2 Ásia é um carro muito atual e parecido com o de um F-1, tem cerca de 550 cavalos e tem sua aerodinâmica parecida com o de um F-1. E a Campos é uma equipe muito grande, bem estruturada e também é uma das grandes equipes da GP2.
AV - Qual é seu objetivo nesta categoria? Obter resultados competitivos ou ganhar em aprendizado?
Diego Nunes - Meu objetivo é aprender muito com a GP2 Ásia para chegar na GP2 Européia com alguma experiência, porque a versão européia é um campeonato muito difícil e que não se pode treinar. Então aqueles pilotos que já estão no segundo ou terceiro ano na GP2 sempre estão um passo a frente dos outros e, por isso, a GP2 asiática está sendo muito importante para eu conhecer o carro e a categoria
AV - O seu intuito com a participação na versão asiática é assegurar um lugar na série internacional da GP2?
Diego Nunes - Meu intuito é de conhecer o carro e a categoria já pensando na série internacional e também de tentar conseguir um lugar em uma equipe boa.
AV - Como andam as negociações com times da GP2 Internacional?
Diego Nunes - Está um pouco difícil conseguir uma vaga, porque quase todas as equipes já estão completas. Mas nós estamos negociando com uma equipe e, se tudo der certo, eu vou ter um carro bom este ano na internacional.
AV - Você imaginava que podia ser vice-campeão da Fórmula 3000 Européia na temporada passada em seu primeiro ano no exterior?
Diego Nunes - O ano passado eu trabalhei muito duro para ser competitivo e passei muito perto do título. Eu sabia que não seria fácil, mas eu imaginava que se eu tivesse um carro bom poderia fazer um ótimo trabalho e, graças a Deus, deu tudo certo
AV - Existe a possibilidade de você disputar mais um campeonato da F-3000 Européia para tentar conquistar o título?
Diego Nunes - Talvez sim, mas nós estamos focados na GP2 que é hoje a principal porta para a F-1.
AV - Com a recente chegada de brasileiros à Fórmula 1 com Nelsinho Piquet como titular da Renault e Lucas di Grassi como reserva da montadora francesa, você faz uma previsão de quanto tempo você precisa para chegar na principal categoria do mundo?
Diego Nunes - Se tudo der certo talvez em dois anos isso já seja possível, mas antes muita coisa tem que acontecer e dar certo para eu chegar lá.
AV - Por dois anos você esteve na F-3 Sul-Americana como foi participar desta categoria?
Diego Nunes - Foram os dois anos que eu aprendi mais com monopostos e me prepararam muito bem para ir para Europa e ser competitivo.
AV - Como você vê as categorias de base do automobilismo brasileiro? Como você avalia a Fórmula 3 Sul-Americana hoje, ela prepara o piloto adequadamente?
Diego Nunes - Eu acho que a nossa F-3 é a melhor escola para pilotos brasileiros, porque tem um carro muito forte e que começa realmente a ensinar o piloto a ser competitivo, além de aprender mais sobre o fórmula e o seu funcionamento.
AV - Dos seus rivais na F-3 Sul-Americana, o Alberto Valério está confirmado na GP2, o Luiz Razia Filho correu com você na F-3000 Européia, o Mário Moraes está na F-3 Inglesa, a Bia Figueiredo foi para os Estados Unidos, qual você acha que tem melhores condições para chegar à F-1 primeiro?
Diego Nunes - Talvez o Valério por estar já na GP2.
AV - O que você pensa sobre a reformulação da Fórmula 1 com a chegada de vários jovens pilotos à categoria, como Lewis Hamilton, 23, Nelsinho Piquet, 22, Heikki Kövalainen, Nico Rosberg, 22, Sebastian Vettel, 20, Robert Kubica, 23?
Diego Nunes - Eu acho muito bom, porque renova sempre a categoria e mantém o nível de pilotos sempre muito alto.
AV - Você imagina fazer algum caminho paralelo ao invés da F-1 como F-Indy ou Champ Car ou até categorias de turismo?
Diego Nunes - É uma possibilidade, mas, no momento, o meu foco é a F-1.
AV - Quais são seus ídolos no automobilismo?
Diego Nunes - Ayrton Senna.
AV - Como foi o seu início no automobilismo? Teve incentivo dos seus pais?
Diego Nunes - Meu início foi no kart muito contra vontade do meu pai, porque ele queria que eu fosse jogador de futebol, mas infelizmente para ele minha paixão era com motor e carro de corrida.
AV - Qual previsão você faz sobre a participação dos 3 brasileiros na F-1, Rubens Barrichello na Honda, Felipe Massa na Ferrari e Nelsinho Piquet na Honda?
Diego Nunes - O Rubens já está perto do fim da sua carreira na F-1. O Felipe, eu acredito, que ainda vai ganhar muitas corridas e talvez um título, porque ele tem um dos melhores carros na mão e tem também muita experiência e talento. E o Nelsinho é um piloto muito rápido, que vai aprender muito na F-1 e um dia será um dos favoritos se tiver um carro competitivo.