27/03/2008 - 09h10 Indy 2008: Unificação com a Champ Car, mudanças técnicas e mais F-Indy
Da Redação
A Fórmula Indy irá começar a temporada 2008 unificada com a Champ Car. As categorias de monopostos norte-americanas estão unidas depois de 12 anos separadas. Para a prova de abertura no oval Homestead, neste sábado, dia 29 de março, a IRL deve ter um grid de aproximadamente 26 carros. A Band transmite a corrida a partir das 21h.
Tony George, proprietário da Indy, e Kevin Kalkhoven, um dos sócios da Champ Car, fecharam o acordo para a fusão.
Por enquanto são 16 etapas confirmadas, que faziam parte do calendário oficial da Indy. Além destas, haverá a última disputa só com equipes da Champ Car, em Long Beach, que acontecerá no dia 20 de abril, no mesmo fim de semana, em que os times da IRL correrão em Motegi, no Japão. Ambas as disputas valerão pontos para o campeonato fundido.
A competição tem o seu encerramento previsto para 07 de setembro, em Chicago. Outro circuito, que recebia a Champ Car, o traçado de Surfers Paradise, na Austrália, vai integrar a programação da série, porém a data do evento ainda não foi definida e a disputa pode até finalizar o ano da Indy, já que deve acontecer entre 23 e 26 de outubro.
Detalhes da fusão
Todas as equipes da Champ Car receberão motor Honda e chassi Dallara, que são usados na Indy, de graça, além do suporte de 1,2 milhões de dólares. Além disso, os times da extinta categoria tiveram duas sessões de testes extras para buscar uma adaptação à IRL.
Para completar, as escuderias terão uma ajuda das construtoras já presentes na Indy, que consiste no apoio da parte técnica e logística e se deve ao pouco tempo de preparação das equipes da Champ Car.
Em contrapartida, a Champ Car entrou com pedido de falência. A série vendeu todos os seus ativos - direitos sobre corridas e equipes - para a IRL por US$ 6 milhões (pouco mais de R$ 10 milhões), restando mais de US$ 12 milhões em dívidas, sendo 2 milhões para a Cosworth, que fornecia os motores da categoria.
Até agora a Dale Coyne, a Newman/Haas/Laningan, a KV Racing e a Conquest confirmaram cada uma dois carros no grid deste ano. A HVM Racing anunciou a presença de um monoposto. A Forsythe desistiu de participar da categoria unificada por falta de patrocínios, o mesmo motivo pelo qual o Team Austrália está em dúvida se irá integrar a IRL ou não. A Rocketsports e a Pacific Coast ainda não revelaram os seus planos.
Para este campeonato, a IRL anunciou que mudará o formato do treino de classificação em circuitos ovais. A série adotará o sistema igual ao usado para as 500 Milhas de Indianápolis. Já, em Homestead, a nova regra será introduzida.
Antigamente os pilotos davam apenas uma volta rápida, mas, agora, todos os competidores terão quatro voltas para fazer na pista e o pole position será quem tiver o menor tempo acumulando os quatro giros.
Contudo, os traçados mistos e de rua continuam a utilizar o sistema de classificação com uma única volta para cada carro sozinho no circuito e, depois os seis melhores colocados, disputam a super pole position.
Mudanças Técnicas
Além das alterações esportivas e administrativas, a IRL também confirmou mudanças técnicas com o intuito de aumentar a segurança na categoria. As novidades ficam por conta do câmbio borboleta, usado desde a década de 90 na F-1, e uma barra de direção com assistência variável.
O novo sistema de mudança de marchas será instalado atrás do próprio volante e terá uso obrigatório todas as etapas, exceto nas 500 Milhas de Indianápolis. O antigo câmbio utilizava um sistema simples de alavanca e era instalado junto à perna do piloto, semelhante ao que é feito nos carros de passeio.
Já o componente mecânico da direção é optativo entre as próprias equipes. Nesta nova adaptação, os volantes diminuem a exigência de força dos pilotos à medida que o carro é mais virado para um dos lados.
Campeões
Para provar a alta competitividade da IRL e a disputa acirrada dentro das pistas basta analisar os últimos campeões. De 2003 a 2007, os cinco campeonatos mais recentes da categoria, o título ficou com cinco pilotos diferentes. Na seqüência, o neozelandês Scott Dixon, o brasileiro Tony Kanaan, o inglês Dan Wheldon, o americano Sam Hornsih Jr e o escocês Dario Franchitti se sagraram campeões.
Olhando para este ano, não haverá chances de se ter um bicampeão consecutivo, pois os atuais campeões tanto da Indy quanto da Champ Car não estarão na categoria. Franchitti se transferiu da IRL para a NASCAR. E o francês Sebastien Bourdais(f), tetracampeão da Champ Car, deixou o automobilismo norte-americano e foi para a equipe Toro Rosso de Fórmula 1.
Brasileiros
Os brasileiros neste ano contam com um esquadrão de respeito. Três pilotos já estavam na Indy: o baiano Tony Kanaan, campeão em 2004 e por sua experiência líder da escuderia Andretti-Green; o brasiliense Vítor Meira, que segue na Panther; e o paulista Hélio Castroneves, da Penske, bicampeão das 500 Milhas de Indianápolis.
O mineiro Bruno Junqueira(f) chega da Champ Car junto com a Dale Coyne e terá como companheiro o jovem Mário Moraes, que, no último ano, correu a Fórmula 3 Inglesa. Para encerrar, o ex-piloto de F-1 Enrique Bernoldi, que estava na Stock Car, estará na equipe Conquest.
26 carros
A prova de abertura da Indy, que acontece em Homestead, terá 26 pilotos alinhados no grid. Esta será a primeira vez desde 2001 que a categoria inicia uma temporada com tantos carros. Na época, a corrida, realizada em Phoenix, contou com 27 pilotos. No mesmo ano, a Champ Car começou seu campeonato em Monterrey, no México, com 28 carros.
No último ano, na Champ Car, 17 monopostos competiam a cada etapa, enquanto, na IRL, eram vistos 18 modelos, tirando as 500 Milhas de Indianápolis. Além das equipes já confirmadas, ainda não integram a relação de pilotos, a americana Sarah Fisher, que correrá parte da temporada pelo seu time próprio, e Thomas Scheckter, que competirá por três rodadas com a Luczo Dragon Racing, afiliada da Penske.