08/04/2008 - 10h46 Stock: "Espero que 13 não seja meu número de azar", diz Ingo Stock Car
Da Redação
O paulista Ingo Hoffmann, aos 55 anos, começa no próximo final de semana, no circuito de Interlagos, em São Paulo, a sua 30° temporada na Stock Car. O piloto, que compete com um Mitsubishi, sai em busca do seu 13° título da categoria para enriquecer ainda mais o seu extenso currículo de conquistas.
O "Alemão", como é conhecido, iniciou sua carreira no automobilismo em 1972 na Fórmula Vê com o VW 1.600cc. Em 1975, partiu para o automobilismo europeu, com quinto lugar no Inglês de Fórmula 3. Chegou a Fórmula 1 em 1976, estreando no GP do Brasil pela equipe Copersucar-Fittipaldi com um 11º lugar. Correu de Fórmula 2 na Europa e foi campeão na F-2 Sul-Americana.
Em 1979, voltou ao Brasil e participou do primeiro ano da Stock Car, categoria em que conquistou seu primeiro título em 1980. Depois disso ainda se sagrou campeão em 1985, de 1989 a 1994, 1996 a 1998 e 2002.
Neste intervalo, Ingo teve tempo de ser campeão brasileiro de Marcas e Pilotos em 1988, campeão de Fórmula Uno em 1993, vice-campeão no Sul-Americano de Turismo pela BMW em 1999. Para completar, em 2003, foi pole position e vencedor da 31° edição das Mil Milhas Brasil.
No último ano, na Stock Car, o paulista conseguiu se classificar para o playoff e terminou o campeonato em sexto lugar. Em todo seu histórico, na Stock, Hoffmann venceu 79 provas e marcou 60 poles. Além disso, ele também participou de algumas etapas do Brasileiro de Rali.
Confira a entrevista, gentilmente, concedida pelo piloto Ingo Hoffmann ao site Amigos da Velocidade:
Amigos da Velocidade - Ingo, qual a expectativa para a sua 30° temporada na Stock Car?
Ingo Hoffmann - A expectativa é bastante grande, pois depois dos dois dias de treinos coletivos, o carro parece bem competitivo. Mas como é novidade para todos, acredito que só após umas duas corridas teremos mais parâmetros para analisar.
AV - Você entra neste ano para brigar pelo título da Stock, o que seria o 13° em sua carreira na categoria?
Ingo - Seria realmente maravilhoso eu conseguir mais um campeonato, completaria 13, o que para muita gente é um número de azar, mas espero que não seja para mim.
AV - Depois da sua última conquista, em 2002, pilotos mais jovens como David Muffato, Giuliano Lossaco e Cacá Bueno ficaram com o título. O que você pensa sobre a força destes pilotos mais jovens?
Ingo - Acho que esta força é muito bem vinda para a categoria, é a renovação.
AV - O que você espera da competitividade do seu carro, o Mitsubishi, em relação aos rivais, Peugeot e Chevrolet?
Ingo - Na realidade, todos os carros têm a mesma competitividade, pelo menos na teoria. Depende mais de um acerto bem feito, do que do tipo de carroceria.
AV - Qual avaliação você fez dos treinos coletivos em Interlagos? Quem você apontaria para a briga pelo título de 2008?
Ingo - Creio que a avaliação é muito positiva, principalmente, em relação aos pneus que tiveram uma boa performance. Sobre a briga pelo título, é difícil apontar favoritos, ainda mais estreando tantas novidades esse ano, tanto na parte técnica como na desportiva. Mas certamente serão muitos favoritos, como no ano passado.
AV - Você acha justo o sistema de playoffs da Stock, que só dá chances a 10 pilotos a lutarem pelo título da categoria nas últimas quatro corridas?
Ingo - No início, não fui a favor, mas como tudo acontece em função da Rede Globo, vamos lá.......
AV - Quais os pontos falhos na segurança da Stock Car? Em São Paulo, foi feita a chicane entre as curvas da Junção e do Café, o que você achou da mudança?
Ingo - Os Stock Car são bastante seguros, mas mesmo assim algumas melhorias foram feitas no final da temporada passada. Eu particularmente não gostei da chicane, mas se for para o bem da categoria, vamos lá.
AV - Você é a favor da volta do reabastecimento nas corridas da Stock?
Ingo - Sou a favor sim.
AV - Neste ano, a Stock fará uma prova com premiação de US$ 1 milhão para o vencedor. Você acha que é esta corrida será um espetáculo a mais só para o público? Ou para pilotos a motivação também será maior?
Ingo - Sem a menor dúvida, os pilotos também terão uma motivação maior, como os Comissários Desportivos terão que ter um trabalho perfeito.
AV - Você acompanhou a evolução da categoria nestes seus anos na Stock, o que você considera que melhorou bastante neste período?
Ingo - Na realidade tudo melhorou muito, ficando inclusive muito difícil de apontar um único ponto.
AV - O que ainda falta fazer para a Stock ser uma categoria mais forte?
Ingo - Não sei.
AV - Neste ano, você também disputará a GT3 Brasil com o Pualo Bonifácio e um Lamborghini Gallardo. Qual comparação que você faz entre a GT3 e a Stock?
Ingo - Não quero nunca ficar fazendo comparações. As duas categorias são muito boas.
AV - Além do Lamborghini, há também o Dodge Viper, o Ford GT, a Ferrari F430, o Porsche 997 e o Aston Martin. Como é correr com estes carros dos sonhos da GT3?
Ingo - Sem dúvida é um tremendo prazer poder pilotar um carro que a gente normalmente só vê em revistas, verdadeiras jóias da indústria automotiva.
AV - Na GT3, você enfrentará outros pilotos de hoje e do passado da Stock como o Giuliano Losacco, o Valdeno Brito, o Cacá Bueno, o Xandy Negrão, o Luciano Burti. Isso pode fortalecer a GT3?
Ingo - Sem dúvida.
AV - O tricampeão de Fórmula 1 Nelson Piquet irá disputar algumas etapas da GT3 de Ford GT. Qual a sensação será a de correr contra uma das grandes estrelas da história do automobilismo brasileiro e mundial?
Ingo - Na realidade, eu já corri muitas vezes com o Nelson. Nós dois estreamos na categoria de Formula (Super Vê), em 1974. Depois tive a oportunidade de correr em parceria com ele em algumas provas de longa duração pela BMW.
AV - Você imagina que será tranqüilo conciliar esta jornada dupla na Stock e na GT3?
Ingo - Sim.
AV - Aos 55 anos, você já vê chegar a hora de parar de competir? Você imagina que irá correr por quantos anos mais?
Ingo - Eu sei que este ano ainda vou correr, o futuro a Deus pertence.......