Téo José

18/06/2008 - 09h37

Vítor Meira quer "estragar a festa" na Fórmula Indy

F-Indy

Da Redação

Vítor Meira, da equipe Panther da Fórmula Indy, está em seu sétimo ano na categoria. Agora, o brasileiro é o 12° colocado no campeonato 2008 com 136 pontos, continua em busca da sua 1ª vitória na série e acha que chegar ao lugar mais alto do pódio é uma "questão de tempo".

O brasiliense começou a sua carreira nos karts aos 12 anos e, em 1994, foi campeão brasileiro. Em 1995, foi para o exterior e ganhou a Fórmula Ford Inglesa. Porém, em 1999, voltou ao Brasil para disputar a F-3 Sul-Americana. Em 2000, conquistou o título e já neste ano fez um teste para a Panther.

Divulgação
Meira, hoje com 31 anos, estreou na F-Indy pela Menards, nas últimas provas de 2002, e seguiu neste time em 2003. Depois se transferiu para a Rahal Letterman e competiu nessa escuderia de 2004 a 2005. Em 2006, Vítor chegou à Panther e, neste ano, terminou o campeonato em quinto lugar, o seu melhor resultado.

Em corrida, sua melhor colocação foi o segundo lugar obtido nas 500 Milhas de Indianápolis deste ano, repetindo o desempenho de 2005 na tradicional prova.

No total, em 83 largadas na categoria, o piloto conquistou duas poles e terminou 26 vezes entre os cinco primeiros, além de liderar 394 voltas em provas. No próximo final de semana, o brasileiro disputa a oitava etapa do ano da F-Indy, no oval de Iowa.

Confira a entrevista exclusiva concedida, gentilmente, pelo piloto Vítor Meira ao site Amigos da Velocidade:

Amigos da Velocidade - Como foi chegar na 2° colocação nas famosas 500 Milhas de Indianápolis, a corrida mais importante da temporada da F-Indy, e com o autódromo cheio?

Vítor Meira - Foi muito emocionante. Desde os primeiros treinos para as 500 Milhas, nós sabíamos que o nosso carro estava bom e tudo era uma questão de se colocar na posição certa no final da prova. Este ano as peças se encaixaram e os pilotos e equipes, que estavam no grid, eram em sua maioria de alto nível. A vinda do pessoal da ChampCar também ajudou bastante na questão do público, que compareceu em peso ao autódromo.

AV - Você considera este resultado nas 500 Milhas o seu melhor desempenho na Indy?

Meira - Sim, por causa do nosso resultado em 2007 e também do nosso começo de temporada. Foi uma grande virada pra nós.

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AV - Você esperava, largando em oitavo, conseguir evoluir tanto na corrida a ponto de brigar pela vitória?

Meira - Sim. Como disse anteriormente, sabíamos que tínhamos um carro muito bom. A posição de largada em Indianápolis não importa tanto. Se você tiver um carro consistente e fizer bons pitstops, estará brigando pela ponta no fim da corrida. Nas cinco primeiras paradas, nós ajustamos o carro para a situação que a pista apresentava, colocamos um pouco de asa dianteira e também alteramos a pressão dos pneus. Daí pra frente foi só manter o ritmo e ir ganhando posições.

AV - Como foi a sua sensação dentro do carro naquela ultrapassagem fantástica sobre o Ed Carpenter e o Scott Dixon?

Meira - O pacote aerodinâmico que temos, hoje em dia, na prova de Indianápolis dificulta muito as ultrapassagens, por isso que é muito importante fazer bons pit-stops e principalmente boas relargadas. A ultrapassagem sobre o Carpenter e o Dixon foi o exemplo de uma boa relargada. Quando vi a brecha se abrindo entre o Dixon e o Carpenter na entrada da curva 1 falei pra mim mesmo: "Esta é a chance de ir para a ponta". Foi uma coisa natural. Só quando vi o replay após a prova que eu achei o espaço estava um pouco apertado.

AV - Se, após a última parada nos boxes, você tivesse voltado em primeiro na frente do Dixon, você acha que ganharia a prova?

Meira - Após ultrapassar o Dixon eu avisei aos meus engenheiros pelo rádio que o carro estava muito bom com o ar "limpo", isto é, sem ninguém na minha frente. No tráfego, o carro piorava um pouco, dificultando as coisas. O Dixon tinha uma posição privilegiada do pit (último da fila e o primeiro a sair), o que facilitava o trabalho da equipe dele. A nossa parada não foi ruim, mas não foi rápida o suficiente para sair na frente do Dixon, que não tinha que desviar de ninguém para voltar à pista. Não tem como garantir que eu ganharia a prova, mas que seria muito difícil ele me passar se eu estivesse em primeiro, isso seria.

AV - Na comemoração pelo seu segundo lugar, a equipe Panther pareceu celebrar você como um herói. A reação do time foi realmente essa?

Meira - Este foi o melhor resultado da Panther em dez anos de Indianápolis. Eles já correram lá com um carro, dois e até três carros, mas este segundo lugar foi a melhor colocação. A equipe ficou bem satisfeita com o resultado, principalmente depois do resultado ruim que tivemos em 2007.

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AV - Após a etapa, você comentou que o novo engenheiro da Panther é sensacional e que a equipe estava de volta à briga. Você aposta em mais evoluções da escuderia neste ano? O trabalho vai trazer resultados imediatos ou em longo prazo?

Meira - Realmente a adição do David Cripps foi muito positiva. Ele era a peça que estava faltando para montar uma equipe forte de engenheiros (alem de Henri Durand e Brent Harvey). Os resultados já estão aparecendo, como aconteceu em Indianápolis.

AV - Você imagina que, finalmente, pode lutar mais próximo dos pilotos de ponta e, quem sabe, vencer sua primeira corrida na Indy?

Meira - Claro. É uma questão de tempo, sei que a vitória vai chegar.

AV - Para o restante desta temporada, qual o seu prognóstico em termos de campeonato? Você pode ameaçar a Ganassi, a Penske e a Andretti-Green?

Meira - As três grandes continuarão dominando, mas há uma boa chance de eu estragar a festa deles.

AV - Em quem você aposta para o título deste ano da F-Indy?

Meira - Acho que o Scott Dixon (líder do campeonato 2008, vencedor das 500 Milhas de Indianápolis e ganhador também em Milwaukee e no Texas) levará o título.








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