Ainda é cedo, mas acredito num ano bem melhor na F-1.
A expectativa para o começo da Fórmula 1 era a maior dos últimos tempos. Regras novas, bons testes da equipe Renault, carro ainda sem ser bicho papão na Ferrari e muita gente de casa nova. Depois da prova, deste domingo na Austrália, o que vi não foi o esperado. Eu esperava mais disputas e ultrapassagens e, mesmo, mais rodadas e batidas - já que os carros estão mais nervosos.
No que diz respeito à parte aerodinâmica, deu para notar uma dificuldade maior, mas bem menor do que se previa. Ou seja, os engenheiros rapidamente encontraram soluções. O sistema de classificação se tornou um tédio. No monitor da FIA, o segundo treino classificatório é uma das coisas mais frias que já vi na história de todo o automobilismo.
O melhor seria como antigamente. Dois treinos: um na sexta e outro no sábado. Um certo número de voltas para cada piloto e o mais rápido largaria na pole. Mas, e se chover no sábado? Azar. Garanto que seria bem melhor do que agora. E este negócio de acordar aos domingos sem saber quem é pole position é muito chato também.
Não resta dúvida de que com as novas regras algumas equipes encontraram um atalho para o melhor desenvolvimento e rápida competitividade. Principalmente aquelas com pneus Michelin. A Ferrari, com um carro "remendado" de 2004, teve em Barrichello e na estratégia o ponto forte. Mas, o carro ainda está longe de ser aquele imbatível dos últimos anos.
Tanto que largou atrás, foi mais lento em quase todos os treinos e na prova chegou onde chegou pela atuação de Rubens. Michael Schumacher ficou quase o tempo todo sofrendo na "cozinha" - lugar que pouco freqüentou em sua carreira. Ele sentiu o quanto é difícil. Nada como estar na ampla "sala de estar, na frente da casa".
A BAR andou para trás. E a Red Bull, ou antiga Jaguar, foi uma boa surpresa. A Williams mostra que não erra só na escolha dos pilotos, o problema está em toda a estrutura. McLaren tem muito potencial, mas não mostrou quase nada ainda. E Montoya precisa conhecer mais o carro e modificar um pouco a forma de pilotar - para desgastar menos pneus e ser mais constante.
A Renault tem o melhor carro neste momento, nem precisa dizer. Deu um banho. Independentemente das regras, acredito em uma temporada mais disputada. E vejo a Ferrari, a Renault e a McLaren em condições de uma boa briga do começo ao fim. A Ferrari pode mostrar uma máquina que impressione de novo na estréia do modelo F2005 - na quinta etapa, em maio.
Mas, continuará a ter dificuldades com estes dois outros times que têm na francesa Michelin um grande trunfo e estão no caminho certo de construção dos novos carros.
Claro que não se pode ter uma idéia mais concreta depois de um final de semana apenas. Porém, estou otimista no sentido de ver uma Fórmula 1 mais próxima daquela que desejamos. Com bons pegas, boas disputas e resultados menos previsíveis. Que venha a Malásia!