Apenas Tiago Monteiro teve motivos para comemorar no Grande Prêmio dos Estados Unidos. O templo sagrado do automobilismo não poderia nunca sediar uma corrida tão vergonhosa como a que tivemos neste domingo. Foram escolher logo Indianápolis. Pior: um mercado que ainda tem muitas restrições a Fórmula 1 e sempre os dirigentes, donos e patrocinadores, buscaram a conquista. Azar o deles, porque foram eles mesmos que fizeram esta verdadeira palhaçada.
Não quero entrar no mérito se as equipes e pilotos estavam certos de boicotar a corrida, devido a falta de segurança do pneu Michelin. Não é este ponto que quero colocar e sim a falta de senso e até mesmo de coragem de uma atitude dura, louca e/ou ridícula mesmo.
Tudo seria melhor do que deixar chegar ao ponto de vermos só duas Ferrari, duas Minardi e duas Jordan na pista. Como podem estas pessoas que sabem fazer um espetáculo tão lindo como a Fórmula 1 jogarem tudo a perder em apenas um final de semana. A categoria, pelos seus anos de glória, o esporte pela sua essência, o torcedor pela sua paixão e os verdadeiros profissionais, não merecem isto. Todos foram feitos de palhaços por cerca de uma dúzia que tinha o poder de não deixar chegar ao ponto vergonhoso que chegou.
A categoria nos EUA vai ter as portas fechadas e a Michelin, muito mais do que a parte esportiva vai, no lado comercial, sofrer um duro golpe, bem maior do que o de Ralf Schumacher, encontrando a mureta de proteção a cerca de 320 km/h. Mas além disto, precisa-se punir quem nos fez de palhaço, quem manchou o autódromo de Indianápolis.
Este assunto está apenas começando e vou voltar em breve aqui. Só quero terminar com um outro ponto. Sempre gostei de pensar que, em tudo de ruim, se tira algo de bom. E hoje gostei da postura do Barrichello na manobra para cima do Schumacher. Perdeu? Perdeu sim, mas pelo menos, no único momento que poderia reverter, lutou. Assim a derrota dói menos.