Téo José


      GP Masters: mais um ato viorioso do, sempre, campeão Emerson



Amigos da Velocidade,

Pessoalmente os melhores anos de cobertura na Fórmula Indy, hoje camada de Fórmula Mundial, foram os quatro primeiros. Profissionalmente, pode ter sido o quinto ou sexto ano, já que no SBT a categoria acabou se popularizando.

Coincidentemente foi quando o Emerson Fittipaldi abandonou as pistas, em 1996, que o clima mudou. Aí o lado pessoal já ficou mais carregado, mais interesses comerciais de patrocinadores, mais empresários de pilotos, assessores, marketeiros, etc.

Mas os anos de 93, 94 e 95 foram campeões. Exatamente neste período tive mais contato com Emerson. Aprendi muito vendo as atitudes dele. A filosofia e a determinação. Apesar da adimiração de fã mesmo, eu consegui deixar isto de lado e tirar proveiro de um convívio intenso com o campeão.

Ficar duas, três, horas ao lado dele. Ouvindo e perguntando, era uma delícia. Ele é um verdadeiro professor.

Neste tempo todo, ele nunca pediu para nossa equipe mais espaço em termos de mídia. Nunca quis dirigir nosso trabalho. Fosse o meu, o do Luiz Carlos Azenha ou o do Dedê Gomes. Pelo contrário, quando escutava as nossas informações era o primeiro a elogiar.

Apenas uma vez o vi demonstrar contrariedade e raiva. Foi em 1995 quando Roger Penske, com uma manobra estratégica errada, o tirou do grid das 500 Milhas de Indianapólis. Penske o sacrificou porque Al Unser Jr não havia conseguido o tempo mínimo.

Naquele dia, ele se irritou. Mas só demosntrou isto para nós do Brasil. A imprensa americana esperou duas horas para uma declaração. Ai, de cabeça fria, já foi mais comedido nas entrevistas.

Outro momento que me recordo foi na segunda-feira, após o acidente de Michigan. Ele estava na cama do hospital, imobilizado, antes da cirurgia, com o irmão Wilson. Segurou minha mão, apertou e disse: "viu o que aconteceu comigo, viu o que aconteceu comigo?". Fiquei sem ação. Uma pessoa tão forte, que tinha dado tantas voltas por cima na vida, estava totalmente fragilizado.

Em Milwaukke 1994, semana seguinte das 500 Milhas em que ele rodou na frente de Al Unser Jr e perdeu a corrida mais ganha do mundo, no início de uma noite de quinta, ele estava no oval dando autógrafos para uma centena de fãs e com a cara de que tinha vencido.

Voltei no tempo só para deixar algumas impressões. Emerson é um dos maiores desportistas que conheci. Ou mesmo ouvi falar. Ele sabe bem o que é o esporte e seu espírito. É uma pessoa especial, que marcou minha vida profssional e pessoal. Aprendi muito.

Ele é tão especial que corre todos os riscos de uma volta. Sabendo no fundo que não poderia. Deixando as coisas que mais ama de fora de um carro. E para ter o maior prazer de sua vida, voltar a correr e como um grande campeão. Volta de novo por cima. Que Deus te dê muitos anos de vida e saúde para poder mostrar porque é um dos maiores pilotos de todos os tempos. E sempre será. E porque é esta pessoa especial.

Cuide-se bem Emerson Fittipaldi!







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