Téo José


      Esta não é a São Paulo que eu conheço!



Amigos da Velocidade,

Agora são 23 horas e 42 minutos da segunda-feira, 15 de maio de 2006. Estou de volta ao flat em que fico em São Paulo - moro com minha família em Goiânia, mas devido ao trabalho na Band, Jovem Pan AM e Truck fico vários dias na capital paulista.

Sai porque o restaurante não está funcionando, apenas o serviço de quarto e não queria comer alguma coisa vendo TV. Queria, sim, ver gente. Desci por volta das dez horas e não vi nenhum táxi no ponto 24 horas, aqui do flat.

Perguntei para a recepcionista se poderia me chamar algum e ela assustada me disse: "não sabe do toque de recolher?". Dei uma risada e falei: "tá brincando né?". Ela fez cara feia e chamou um taxi. O motorista chegou e com cara feia, mais uma vez, falou do tal toque de recolher.

Aliás, toque de recolher totalmente inexistente. Não aconteceu nada disso. Nada passou de um infeliz boato.

Pedi para me levar a um bar, lanchonete ou restaurante perto. De imediato, ele me falou que seria difícil porque tudo estava fechado. Aí, sim, uma verdade. Em um trajeto de dez ou doze minutos, vi apenas uns três carros e nada mais.

Nunca vi - ou imaginei - presenciar uma São Paulo deserta como esta. Nem no Natal, no Ano Novo ou coisa parecida.

Encontrei um bar na avenida Nova Faria Lima. Tinha apenas uma mesa ocupada. Rolou apenas um sanduíche, já que poucos empregados estavam trabalhando. Fiquei menos de 1h e na volta foi difícil achar outro taxi.

No caminho vi apenas dois carros, da polícia, com as luzes apagadas. Passamos do lado e os policiais nem olharam para nós. Eles me pareceram tão assustados quanto a população.

Estou fazendo este relato, não com intuito de pegar carona em uma fato de grande repercussão, mas para mostrar como a falta de comando e a falta de prioridades dos governos e autoridades de uma forma geral, deixam a situação chegar neste ponto.

A quarta cidade do mundo, a maior da América do Sul, muda totalmente sua rotina. Se transforma. Perde suas características. Sempre falei que uma das coisas que mais gostava em Sampa era saber que a qualquer hora poderia se encontrar tudo.

Neste 15 de maio de 2006, não. Sampa está deserta. Quase uma cidade fantasma. Tudo fechado e todos em casa. A população, sim, está presa e os bandidos nas ruas. Triste saber que estamos nesta situação. Fico mais triste do que revoltado ou assustado.

Não foram os bandidos que conseguiram isto. Mas, sim a incapacidade das pessoas que dirigem o nosso país, o estado e a cidade de São Paulo. Estas pessoas me fizeram passar por uma cena, que nunca imaginei que poderia passar. Uma experiência única e muito triste.

Nestes últimos vinte minutos que converso com vocês, através de meu computador, não vi pela janela nenhum carro na rua.

Mais do que nunca eu digo aos amigos de São Paulo: "CUIDEM-SE BEM!"







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