Téo José

      Título de construtores não é prêmio de consolação



Conversando um dia desses com um grupo de amigos, começamos a falar sobre a Fórmula 1. Resolvi perguntar para quem cada um torcia em relação ao título de construtores de 2005, depois de resolvido o de pilotos. Um deles foi rápido e categórico: "isso não vale nada". Fiquei assustado com a reposta.

Parece que, para a maioria de nós brasileiros (e talvez até para a maioria dos fãs do esporte no resto do mundo), a conquista do campeonato entre as equipes representa apenas um "prêmio de consolação", se ele não for para o time que conseguiu, também, o mundial entre os pilotos.

Isso pode acontecer neste ano, caso a McLaren confirme a melhor fase que a da Renault nesta reta final de temporada. É certo que, quando se fala de título mundial, é sempre a figura do piloto que vem à mente, como é o caso de Michael Schumacher nos últimos anos. Quase nunca falamos dos seis títulos consecutivos da Ferrari no mesmo período.

Talvez até mesmo a escuderia de Maranello tenha contribuído para "desgastar" a importância da conquista ao não dar chance para ninguém nesse tempo, da mesma forma que o alemão fez entre os pilotos. Mas para as marcas e equipes presentes no "circo", esse título representa muito.

A força que tal conquista tem como ferramenta de marketing, marca de excelência, é tudo em uma competição que reúne grandes montadoras de automóveis e equipes de tradição. Em uma categoria onde o montante de dinheiro investido é grande, terminar como a empresa vencedora é a realização. Ainda mais agora, quando se quebra a hegemonia do time vermelho depois de tanto tempo.

É por isso que esse campeonato se mostra ainda atraente em relação ao seu final. Depois de garantir o título de campeão para Fernando Alonso, espera-se agora que a Renault não fique de braços cruzados vendo a McLaren "passeando" em Suzuka e em Xangai. O próprio Flavio Briatore já falou sobre isso e garantiu que, agora, é partir para cima.

O time de Ron Dennis sabe disso e quer o mundial de equipes, depois de ver Kimi Raikkonen cabisbaixo pelo feito de Alonso. A diferença entre McLaren e Renault é pequena, de apenas dois pontos. Se a McLaren repetir - senão no Japão, em Xangai - o mesmo resultado do GP do Brasil, com seus dois pilotos nas duas primeiras colocações ao final da prova, ponto final.

Mas várias são as possibilidades que podem garantir o título, tanto para uma como para a outra. Quebras, acidentes, condições do tempo (as previsões apontam chuva para a etapa japonesa), etc. Mas, com certeza, nada será tão fácil como antes.





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