Téo José

      Sinceramente, não sei ainda o que pensar de Raikkonen



Fico olhando para essa temporada da Fórmula 1 e, sinceramente, ainda não sei o que pensar de Kimi Raikkonen. Penso, penso e penso e às vezes acho que é fantástico, às vezes tenho a impressão que está longe disso, não sei se foi o carro da McLaren que teve momentos de "super-máquina" e outros de tranqueira, se foi o piloto que não soube administrar os "n" motores que acabaram quebrando. Sei lá!

Após a última vitória de Fernando Alonso antes desse último GP da China, na Alemanha, se desenhava a recuperação da McLaren e seu "ice man", apelido que confere ao finlandês um controle total das ações, um domínio absoluto das atitudes. Mas lá foi o piloto tendo dificuldades para manter um desempenho equilibrado, indo de incríveis vitórias até abandonos decepcionantes.

O que adianta chegar a uma conquista cinematográfica em uma prova se na corrida seguinte seu equipamento abre o bico, seja porque tem lá suas falhas, seja devido ao piloto, que pode ser muito bom com o pé embaixo, mas só isso não basta. Numa comparação medíocre, era como uma amiga minha, que achava que carro era só colocar gasolina e sair passeando. Um dia, o motor abriu o bico no meio da Marginal Pinheiros e foi um "Deus nos acuda".

O que faltou a Raikkonen sobrou para Alonso. Abriu grande vantagem na primeira metade do campeonato e, mesmo depois da recuperação da McLaren, conseguiu administrar. Não se afobou e fez o suficiente para chegar ao título com duas etapas de antecipação. Muitos diziam que seria vergonhoso para o espanhol ser campeão com vitórias a menos que Kimi. Acho que seria pior para o finlandês, que estaria arriscado a ser o maior vencedor da temporada terminando como vice.

Para mim, Raikkonen é diferente do companheiro de equipe Juan Pablo Montoya. O colombiano é atirado, tem uma coisa de rebelde, um tanto quanto imprevisível, mas arrojado. É um grande competidor, com uma imagem definida. Kimi, eu não sei. Quem viu o piloto no Japão, achou que o título de construtores seria fácil de ser alcançado pela McLaren na China. Mesmo com a primeira fila no grid de largada em Xangai, achei que os carros da Renault não resistiriam ao "ice man". Acabei me enganando de novo, e acho que como muitos.

Tá certo que foi o segundo colocado na prova, com Montoya ficando no caminho devido a uma tampa de bueiro e ao mesmo motor que insiste em deixá-los "na mão". Mas às vezes são essas pequenas coisas que definem uma situação. E esse negócio de sorte é muito relativo. Já falei aqui em outra ocasião que isso acaba sendo uma explicação muito simplista para o problema. Não me convenço com isso.

Quero que a próxima temporada me dê mais subsídios para poder fazer uma imagem mais clara do finlandês. Apesar de achar que em 2006 a Fórmula 1 estará um pouco mais competitiva que neste ano (ter somente McLaren e Renault brigando pelos títulos foi muito pouco), acho que as duas escuderias ainda irão monopolizar, mais uma vez, os lugares mais altos do pódio. Raikkonen será muito mais cobrado na próxima temporada. Se não chegar ao título, vai continuar a dúvida sobre a sua real capacidade.





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