Téo José

      A Fórmula 1 vai largar o cigarro. Fiz isso dias atrás



Acendi o primeiro cigarro já na faculdade, com 20 e poucos anos de idade, no famoso "só pra experimentar". Achava que seria muito fácil fumar só quando quisesse e que seria muito tranqüilo largar quando bem entendesse. Depois de uns 18 anos, venho apanhando de goleada do vício. No final da semana retrasada, depois de dois dias com uma dor de estômago dos diabos - herança de uma úlcera duodenal crônica que apresentou seu cartão de visita faz uns cinco anos, mas que de tempos em tempos insiste em dar um "oi" - resolvi parar de me envenenar.

Peguei o pacote (veja bem, falei pacote, não maço) de cigarros e joguei fora. Não quero mais. Fiz estoque de balas e chicletes em casa. Aí me disseram que o chiclete também vai ser ruim para o estômago. Já comecei e pensar no "se correr o bicho pega, se ficar o bicho come". Mas estou engolindo o bom e velho comprimido de Omeprazol (com receita médica, claro) e as dores sumiram. Assim sendo, as balas e gomas de mascar irão me ajudar a esquecer o cigarro.

Não sou muito desses tratamentos alternativos. Fui atrás de informação mais apurada sobre o fumo e descobri que até sessões de regressão o povo está fazendo para largar de fumar. Daqui a pouco até "lobotomia" serve. Acho que temos condição suficiente para largar o vício sem precisar de tanto. É certo que existe a dependência química e psicológica, que cada um é cada um e reage diferente, mas acredito que somos racionais o suficiente para sermos mais fortes.

E a guerra contra o cigarro segue em todo o mundo. De uma imagem de "status", de independência e até elegância, criada décadas atrás, o cigarro é agora apresentado como deve ser: um mal a ser combatido, evitado. No ano que vem, a Europa terá leis bem mais enérgicas contra a propaganda do fumo na mídia e em eventos ao vivo, principalmente os esportivos. Nessa linha, a Fórmula 1 também terá que fazer a sua parte, para tristeza de Bernie Ecclestone.

Marcas como Lucky Strike (BAR/Honda) e Marlboro (Ferrari) não serão mais vistas no circo, que agora deixa de ser, depois de muito tempo, um oásis para as indústrias de tabaco. Terão que ser substituídas por outros produtos. A BAT - British American Tobbaco - que era dona da BAR -, vendeu tudo para a japonesa Honda e se despede da categoria. A McLaren não terá mais a marca West, substituída em 2006 pela Johnny Walker.

E a campeã mundial em 2005 também será atingida. A Renault não poderá contar também com o vultoso patrocínio da Mild Seven, um de seus mais importantes apoiadores no circo. Mas agora o mundo é outro e o cigarro entrou como um dos maiores vilões dos novos tempos, por méritos. A partir do ano que vem, a Fórmula 1 terá que se adaptar. Eu já comecei dias atrás.





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