Bernie Ecclestone vendeu sua parte na Fórmula 1. Foi mais uma tacada de mestre desse britânico de 75 anos que revolucionou a categoria e a transformou na mais importante do automobilismo mundial. E porque foi um movimento genial? Simplesmente por que o dirigente irá seguir no controle de toda a estrutura comercial e administrativa, vai engordar ainda mais sua conta bancária e deve se livrar de problemas futuros.
A Alpha Prema, empresa criada pelo fundo de investimento britânico CVC Capital Partners, que adquiriu os direitos da F1 junto a Ecclestone e aos bancos BayernLB e JP Morgan (falta ainda o restante das ações, em poder do Lehman Brothers), vai deixar Bernie no comando, pois sabe que ninguém tem seu conhecimento, seu trânsito e o respeito junto a todos os organizadores, patrocinadores, promotores e representantes de equipes.
Além disso - fazendo aqui uma conta de padaria - o britânico irá somar algo em torno de US$ 250 milhões à sua já grande fortuna, o que é um negócio fantástico. Esse valor vem do que foi anunciado como investimento que seria feito pelo CVC para controlar os 100% da F1, da ordem de US$ 1 bilhão. Como Ecclestone tinha 25% disso, chegamos a esse valor. E como ainda vai ficar com boa parte da administração geral do "circo", deve ainda faturar alto com comissões e extras.
Outra vantagem para ele é que, caso seja levada a cabo o projeto das montadoras presentes na F1 de criar uma categoria rival em 2008, Ecclestone não ficaria com um abacaxi nas mãos para descascar daqui a três anos. Com 74 anos, Bernie estaria próximo de uma aposentadoria - que será bastante tranqüila, diga-se de passagem - e a última coisa que gostaria de enfrentar de agora para diante seria uma ruptura tão dramática na categoria que levou ao topo do esporte mundial.
Outro motivo para se tirar o chapéu para o dirigente foi que ele conseguiu fazer tudo "na moita", sem ninguém saber por antecipação o que tratava nos bastidores. Quando se falou sobre o caso pela primeira vez, já era o anúncio oficial feio por ele e pelo banco alemão BayernLB. Foi mais um prova do talento de Ecclestone para os negócios. Além disso, tratou com um grupo que já tem experiência nos esportes a motor, pois controla a MotoGP, o que economiza em matéria de tempo e paciência. Agora é só esperar para ver o que muda na Fórmula 1, se é que vai mudar alguma coisa.