05/09/2003 - 11h17 Ferrari não pode contestar resultados passados
Apesar das ameaças de alguns de seus dirigentes a Ferrari não pode, agora, protestar equipes que utilizam pneus Michelin, devido a possíveis irregularidades nas provas já realizadas nesta temporada da Fórmula 1. O regulamento da categoria diz que qualquer protesto, seja ele desportivo ou técnico, tem que ser feito no mais tardar uma hora após a divulgação do resultado oficial da prova. Só depois deste tempo, os carros são liberados do parque fechado obrigatório. Ou seja, qualquer protesto oficial da equipe italiana, neste momento, não teria base, e pelas regras nem seria acatado.
O que a Ferrari pode fazer, como já fez, é pedir à FIA, através de suspeitas ou fatos, que na próxima prova tenha um rigor maior na checagem das medidas dos pneus, antes e depois da corrida. Também a escuderia tem o direito de fazer, após a cada uma das três etapas, um protesto formal.
A ameaça de seus dirigentes só poderá entrar em prática, nas três últimas corridas. Nenhum resultado pode ser alterado, agora, sem que a vistoria tenha sido feita no parque fechado. As possíveis fotos, que a equipe diz ter em mãos, só serviriam de prova, dentro do prazo que o regulamento estipula para os protestos formais.
Regulamento
A Ferrari está interpretando um artigo do regulamento da FIA, que é aplicado em todas as categorias, determinado como "code" para dizer que ainda há possibilidades de alterações nos resultados. Este artigo, 179D, diz:
"Se em campeonato da FIA for descorberto um novo elemento, os comissários - ou outras pessoas determiandas pela FIA - deverão se reunir e ouvir as explicações das partes envolvidas." Qualquer argumentação contrária, se for o caso de uma reunião acontecer, será extremamente frágil, com a liberação do parque fechado.
Fotografias, sem um recurso dentro do prazo de cada prova e sem um laudo dos comissários no dia do evento, são uma prova quase irrelevante. Ou seja, mesmo se a FIA acatar qualquer recurso da Ferrari, será quase impossível reaver pontos.
Mesmo na prova da Hungria, se fala que na vistoria técnica os comissários teriam detectado o problema, se isto aconteceu, eles erraram porque não ouviram na hora a Michelin e suas equipes. Sendo assim, liberaram o parque fechado e perderam as provas.
Outro detalhe que, no momento, se fala pouco é que no regulamento da Fórmula 1, antes de ser alterado no fim da semana pasada, se dizia claramente que os pneus antes das provas deveriam ter no máximo 270mm de largura. Nada dizia sobre fim da prova. Agora, sim, se fala em vistoria também no final para checar estas medidas.