08/10/2003 - 12h17 Hélio X Hornish: O primeiro round é agora
Hélio Castroneves neste domingo no Texas não estará apenas correndo para ser o primeiro brasileiro campeão da IRL, estará, na verdade, acelerando para não ser "preterido" pela Penske no ano que vem. Com a saída de Gil de Ferran e a chegada do norte-americano Sam Hornish, só mesmo o número 1 em seu carro vai lhe dar, no mínimo, as mesmas condições do "queridinho" da IRL.
Roger Penske, um empresário poderoso e frio, além de competente na maioria das vezes em sua equipe, sempre teve uma preferência. Ninguém me tira da cabeça que ele foi o responsável, por apressar a aposentadoria de Gil de Ferran. Apesar de achar que o brasileiro, um dos melhores que já tivemos e ainda temos, já que não parou e pode ser o campeão, está saindo na hora certa. Olhando o lado dele. A IRL, repito, nunca me atraiu muito e os riscos são enormes, está na hora do Gil ficar com segurança e boa vida com a família, que sobretudo merece.
Voltando ao Penske, ele também na época do Rick Mears, apressou a parada do norte americano, já com seqüelas de acidentes, e empurrou Emerson Fittipaldi para Hogan, já que tinha olhos para Al Unser Jr. e Paul Tracy, e também fez o mesmo com André Ribeiro.
Hornish é um bom instrumento para manter patrocinadores norte-americanos fortes na equipe, já que não há uma certeza da permanência da Marlboro por muito tempo. A lei tabagista dos EUA está fechando o cerco. Mesmo as duas vitórias nas 500 Milhas e a aceitação de Castroneves pelo público norte-americano, não tem o peso de Hornish, sempre paparicado pela IRL.
Não entro no mérito da competência, nem poderia, porque acho Hélio e Gil bem superiores. Mas o automobilismo é também um negócio, e Penske sempre pensou assim, e tem estratégias definidas em sua cabeça. Caso Castroneves não seja campeão, a situação no ano que vem será toda favorável a Sam Hornish Jr., o que seria uma pena, já que o talento e determinação do brasileiro podem ser colocados em segundo plano, com grande risco para sua carreira.