Eu devo ser anacrônico mesmo. Movo-me no século 21 com aquela lentidão de meados do século passado. Sinto-me, por vezes, como meu avô reclamando da modernidade do mundo. "Essa história de televisão não vai dar certo", dizia ele. Pois é.
Eu gosto de 'Jeanie é um Gênio' ainda. Um seriado cult hoje. Mas, no meu tempo, apenas um seriado. Sou do tempo do 'Super Dínamo', do 'Ultraman' e do 'Príncipe Submarino'. Do tempo do Gol com motor refrigerado a ar e do refrigerante tubaína.
Eu lembro do Silvio Santos na Rede Globo. Os domingos inteirinhos. Lembro do 'Amaral Neto, o Repórter'. Lembro da Olga Korbut na Olimpíada de 1972. E lembro do Jorge Mendonça, jogando pelo Seleção Brasileira, na Copa do Mundo da Argentina em 1978.
Para mim goleiro não bate falta e pode receber bola recuada. Lateral joga na defesa e não como ponta. O cara que veste preto é o juíz e não árbitro. O resto é bandeirinha. E o campeão do mundo está sempre classificado para a próxima Copa.
Treino de classificação na F1 é com todo mundo andando na pista e vendo quem é o mais rápido. E já começava na sexta-feira. Pneu slick e tanque cheio. Pra corrida toda. Se o combustível for terminando, o cabra tem que fazer umas voltas em 3 minutos e economizar.
Devo ser anacrônico mesmo.
"É claro que somos as mesmas pessoas / Mas pare e perceba como seu dia-a-dia mudou / Mudaram os horários, hábitos, lugares / Inclusive as pessoas ao redor / São outros rostos, outras vozes / Interagindo e modificando você / E aí surgem novos valores / Vindos de outras vontades / Alguns caindo por terra / Pra outros poderem crescer"
É. Anacrônico. Mas, nem tanto.
É. Anacrônico é o título da música de Pitty que contém esses versos.