De uns tempos para cá, a onda retrô virou mais um produto de marketing do que propriamente uma onda. E, assim, músicas, filmes, roupas, atitudes acabam voltando à crista. Todavia, mais pela força de campanhas publicitárias do que pelo poder da espontaneidade.
Pela espontaneidade, a onda vem sem muito alarde. E fica. Às vezes, pela espontaneidade, a onda nem vai embora. Ou, nunca foi. Coisa boa é coisa boa. Ontem, hoje e amanhã. Ninguém pode sequer sugerir que um vinho Château Mouton Rotschild está fora de moda. Ou velho.
Nestes dias, o imperdível Capital Inicial relançou algumas músicas de uma banda chamada Aborto Elétrico. Não sabe do que se trata? Também não vou explicar. Mas, quem puder, dê um verificada nas novas versões das músicas Fátima e Química.
Ainda na música, a Madonna está simplesmente demais (imagem e áudio) com seu novo disco: Confessions on a Dance Floor. A faixa 'Hung Up' remete-nos ao começo de carreira dessa mulher. Ou melhor, mulherão. Jeitinho de objeto. Porém, muito, mas muito, longe disso.
No mês que vem, estréia uma nova versão do filme King Kong. É a terceira. A primeira aconteceu em 1933. A segunda é de 1976. E a de 2005 parece ser a melhor de todas. Visualmente, pelo menos. A história é a mesma. Só que o jeito de contar pode estragar.
No automobilismo, a mais recente onda retrô é a GP Masters. Idéia muito legal. Quem viu a corrida inaugural da categoria em Kyalami não se arrependeu. Aliás, se fartou. Emerson Fittipaldi continua o mesmo, cerebral. Nigel Mansell continua impulsivo e rápido.
Patrick Tambay, Andrea De Cesaris, Riccardo Patrese, Hans Stuck também nos remeteram aos tempos mais antigos. E devo dizer: uma vez coadjuvante, sempre coadjuvante. O ideal é que a GP Masters não seja uma onda de marketing. E sim uma onda que fica.