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Opinião do leitor

Editorial

 

Juventude e futuro

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Ministros de fora

O PFL vai pedir ao presidente Fernando Henrique Cardoso que ‘‘impeça’’ seus ministros de subir em palanques na campanha municipal de outubro. Segundo o líder do partido no Senado, Hugo Napoleão (PI), a participação dos ministros na campanha é prejudicial ao governo porque indispõe o poder federal com a própria base aliada em vários Estados que não têm representantes na Esplanada dos Ministérios.
  A preocupação do PFL é tentar barrar o trabalho eleitoral de ministros tucanos que comandam áreas sociais e econômicas que têm peso nas cidades e podem desequilibrar as disputas. Segundo o presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), caso decida liberar seus ministros, Fernando Henrique terá, no mínimo, que baixar as normas para esta participação.
  Bornhausen sugere que, na pior hipótese, o presidente limite a participação dos ministros a seus Estados, onde são eleitores. Mas Hugo Napoleão insiste que não é ética essa interferência ministerial. Tanto que ele próprio jamais subiu em palanques nas três oportunidades em que assumiu o comando de Ministérios.
  Maciel não é o único que evita os palanques. A governadora pefelista do Maranhão, Roseana Sarney, também decidiu não participar diretamente das eleições municipais em seu Estado. ‘‘Como governadora tenho que me afastar, porque governo para todos os partidos e todos os maranhenses’’, justifica.
  Candidato do PFL a prefeito de São Paulo, capital em que dois atuantes ministros do PSDB - José Serra, da Saúde, e Paulo Renato Souza, da Educação - figuram na lista dos eleitores mais ilustres, o senador Romeu Tuma (PFL-SP) também quer os ministros fora dos palanques.

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Opinião do Leitor

Plano fajuto

Devido aos acontecimentos recentes, o plano de segurança nacional desenvolvido pelo governo federal parece dar sinais de vida. Infelizmente este plano não traz nada de novo, apenas distribui verbas para mascarar o negligente sistema policial brasileiro.
  O problema da polícia no Brasil vem de longa data e foi extremamente agravado no período de exceção, pois a estrutura policial concebida pelos militares visava apenas a repressão. Outro problema desta estrutura é a ridícula hierarquia militar, em que os superiores mandam e os soldados obedecem, sendo se o soldado acerta o superior acerta, mas se o soldado erra, este erra sozinho. Interessante esta falta de responsabilidade sobre os atos de seus comandados que justifica a falta de preocupação com o treinamento policial.
  A Polícia Civil acaba sendo refém desta política de repressão, onde os investimentos vão mais para a Polícia Militar, contrariando o movimento de países desenvolvidos onde os investimentos são maiores para a polícia investigativa e no aparato legal e desenvolvimento do judiciário, assim garantindo que se um cidadão infringir a lei, ele sempre será levado a julgamento.
  Para se criar um plano de segurança nacional, é preciso começar com a unificação e municipalização das polícias brasileiras. Sendo criado um plano de carreira em que um policial que sair de uma academia ou faculdade para policiais, entraria na polícia como agente escolar, de patrimônio ou de trânsito. Com o desenvolvimento destes trabalhos passariam a fazer rondas policiais e depois chegariam a ser investigadores ou agentes de pelotões de elite. Com um plano de carreira deste tipo, os policiais poderiam ter um objetivo dentro da profissão, em que um bom trabalho poderia terminar em promoção ou um deslize em rebaixamento de cargo, assim garantindo um salário justo e resgatando a profissão de policial.
  Para se ter uma polícia nestes moldes, é necessária a municipalização da polícia brasileira, pois a polícia com controle de governos estadual e federal só deve agir em crimes considerados estaduais ou federais, mas nunca em uma briga de vizinhos ou investigar um assassinato ocorrido no município. Sem contar que os recursos necessários para o desenvolvimento ou mesmo o aumento de criminalidade do município.
  Esta municipalização também possui um ganho político para a segurança pública, porque teríamos a quem cobrar quando a segurança se fizer falha: o prefeito. A prefeitura seria responsabilizada por tudo que se refere à segurança, assim quando a população se vê refém dos bandidos podem se organizar para pedir uma providência junto ao prefeito ou simplesmente não votar no prefeito que não oferecer um bom trabalho na segurança pública. Infelizmente a municipalização da polícia não entra em pauta no nosso país. Nem como os deputados, que não querem perder a boquinha das licitações milionárias. Nem com os candidatos a prefeito, que não querem assumir responsabilidades extras para os seus pretensos mandatos, até mesmo candidatos de partido liberais rechaçam a municipalização.
  Sem uma mudança estrutural na segurança pública, não adianta planos emergenciais de segurança que só servem para engordar os cofres dos políticos e das pessoas que lucram milhões com a situação de falência da polícia, da justiça e do Estado brasileiro.
Marcelo Martins
Santa Bárbara d’Oeste


  A opinião emitida em artigos e cartas assinadas publicadas pelo jornal TodoDia, são de responsabilidade de seus autores. Somente serão publicadas cartas e artigos que contenham nome completo, assinatura, endereço, RG e, se possível, o número do telefone. Cartas e artigos devem ser enviados para à Redação, Avenida São Jerônimo, 2.210, São Domingos - Americana-SP - CEP 13.470-310 ou para um dos balcões de anúncios do TodoDia, ou ainda por fax (460.6236) ou pelo email: redacao@na.com.br 

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Juventude e futuro

ARNALDO JARDIM

Estudo recente da Fundação Perseu Abramo, divulgado pelo jornal Valor, nos revela a quantas anda a relação do jovem brasileiro com a cultura. Os números indicam a porcentagem de jovens brasileiros que nunca freqüentou algum tipo de espetáculo cultural: chega a 15% no caso do cinema; 52% em relação a museus; 46% quando se trata de teatro; 30%, no caso de espetáculo de musica brasileira; 59% para show de rock, pop, funk e 77% para espetáculos de música clássica.
  Se restringirmos o universo dos pesquisados àqueles que têm apenas o primeiro grau verificamos que, no caso do teatro o número dos que nunca freqüentaram sobe para 64%; no de música brasileira, para 38% e nos espetáculos de música clássica para 77%.
  Ao mesmo tempo as atividades mais freqüentadas pelos jovens, segundo a pesquisa são shopping center (64%); praça ou parque público (59%); festa em casa de amigos (52%); bar com amigos (42%) e McDonald’s (40%).
  Faltam dados comparativos para uma análise mais aprofundada sobre o comportamento atual da juventude, mas preocupa a atração pelos shoppings centers, que simbolizam uma sociedade de consumo que valoriza o material e passageiro em detrimento de questões mais sólidas e perenes como a educação e a cultura. Vale lembrar recente sugestão de um líder comunitário da Morro da Mangueira no Rio, que disse que uma das formas de conter a violência era fornecer roupas de grife para os jovens do lugar.
  É importante ressaltar ainda que o número de espetáculos gratuitos nos últimos anos tem crescido muito e mesmo assim não têm sido suficientes para atrair nossa juventude que, ao mesmo tempo, se mantém ávida de conhecer gente e se relacionar. A questão é como, por que e de que forma esse relacionamento está se dando?
  Havia um tempo em que os jovens se reuniam nos centros acadêmicos, nas praças, nos centros comunitários, nas igrejas para desenvolver atividades culturais, que muitas vezes se desdobravam em outros tipos de participação. Hoje há uma sensação de vazio no ar e parece que a vida vai sendo vivida sem muito sentido: joga-se o jogo da vida com as regras dadas, sem esperança nem desejo de transformação.
  O universo cultural é fundamental ao ser humano. Ele dá asas a imaginação, alimenta sonhos, cria dúvidas, provoca reflexões, instiga-nos e semeia em nossos corações e mentes anseios de transformação. Nossa relação com esse universo começa na infância mas incendeia na juventude, período em que consolidamos nosso caráter, nossa personalidade e no qual delineamos o futuro das nossas vidas.
  Sem querer reviver situações passadas ou comparar coisas distintas, é necessário que tenhamos um carinho especial para o relacionamento dos nosso jovens com a cultura. Afinal esse contato com o universo cultural é essencial para o desabrochar de desejos incontroláveis de melhorar o mundo. E se eles não aflorarem na juventude, fica difícil acreditar na capacidade das gerações futuras tornarem melhor o nosso mundo.

Arnaldo Jardim é deputado estadual, engenheiro civil, secretário da Habitação (1993), relator geral do Fórum São Paulo Século 21 e presidente estadual do PPS

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Reflexão

“A fortuna não muda os homens; desmascara-os”.
Madame Suzanne Necker

 “O poder é a pior das drogas”.
Paulo César Farias

 “A melhor armadura é ficar fora do alcance”.
Ditado italiano

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 10/07/2000 03:40 h.