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Terça-feira, 17 de abril de 2001
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Marta e Eduardo Suplicy se separam

Casamento de 36 anos sofre desgaste e ambos assinam nota anunciando o fim da vida conjugal

Ana Paula Scinocca/AE - São Paulo (SP)

  O senador Eduardo Suplicy (PT) recusou-se, ontem, a comentar a separação com a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, anunciada na manhã de ontem em nota divulgada e assinada por ambos. ‘‘Você leu a nota? É tudo o que vou falar sobre o assunto’’, disse o senador. Suplicy esteve na TV Gazeta, em São Paulo, onde participou, ao vivo, do programa ‘‘Em Questão’’, da jornalista Maria Lídia.
  A nota divulgada por Marta e Suplicy na manhã de ontem diz o seguinte: ‘‘Informamos que resolvemos nos separar e, a partir de hoje (ontem), residiremos em casas diferentes. Trata-se de um assunto pessoal e familiar sobre o qual nenhum dos dois fará qualquer comentário’’ .
  A prefeita Marta Suplicy também cumpriu a promessa de não comentar o assunto ao chegar, ontem, ao Palácio das Indústrias. Marta participa de reunião com lideranças do PT, entre elas o presidente do partido, José Dirceu.

RELAÇÕES ESTREMECIDAS

  Marta e Suplicy conheceram-se ainda na adolescência. Eram casados há 36 anos e tiveram três filhos: Supla, André e João. A relação entre eles começou a ficar estremecida durante a campanha eleitoral de Marta à Prefeitura de São Paulo. Nos últimos meses, no entanto, o relacionamento do casal apresentava sinais aparentes de desgaste. Recentemente, em um evento público, no qual Marta e Suplicy participavam, eles chegaram separados e a prefeita não cumprimentou Suplicy, que deixou o local minutos depois visivelmente abatido.
  Dentro do PT, comenta-se que a separação entre Marta e Suplicy chegou a ser postergada por conta de um pedido do presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, que disse que o anúncio ‘‘não seria politicamente bom para ambos’’.
  Em entrevista recente à revista Veja, o senador admitiu ter ciúmes de Marta, principalmente em relação ao franco-argentino Luis Frave. Frave é colaborador do PT e é braço direito da prefeita desde o período das eleições municipais.


CAMPANHA

Governo pede economia de luz e de ‘chuveiro’

Julianna Sofia/AF - Brasília (DF)

  Dez dias depois de anunciar o plano de racionalização de energia, o governo colocou em prática ontem a primeira das 25 medidas para evitar o racionamento a partir de junho. Em pronunciamento de rádio e TV, o ministro de Minas e Energia, José Jorge, deu início à campanha publicitária -estimada em R$ 30 milhões- para convencer a população a diminuir o consumo de energia. A expectativa é reduzi-lo em 5%.
  Em uma primeira etapa, serão veiculadas propagandas em jornais, revistas, televisão, rádio, outdoors e ‘‘busdoors’’ (anúncio em ônibus) ao longo de 54 dias. A ofensiva prevê também a distribuição de cartilhas nas escolas. Para isso, serão gastos R$ 4 milhões. A campanha completa terá a duração de seis meses e será paga pela Eletrobrás.
  ‘‘Vamos apagar as luzes acesas sem necessidade. Vamos diminuir o tempo do banho quente. Vamos usar de maneira econômica o ferro de passar e o ar condi-cionado’’, disse José Jorge.
  Segundo o Ministério de Minas e Energia, nos próximos dias, deverão ser baixados os atos legais para formalização das iniciativas. Entre eles, estão o corte de 15% dos gastos com energia em prédios públicos e a substituição de lâmpadas de iluminação pública por modelos mais econômicos. O objetivo das 25 medidas é reduzir em 10% o consumo de energia nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste.


JUSTIÇA

Polícia Federal prende sete acusados de fraude na Sudam

Carlos Mendes/AE - Belém (PA)

  A Polícia Federal prendeu ontem em Belém, cumprindo decisão da Justiça Federal do Tocantins, sete pessoas acusadas de promover fraudes, receber propinas e forjar documentos de incentivos fiscais da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Estão numa cela da PF em Belém os técnicos executivos da área de incentivos fiscais da Sudam, Ângelo Almeida, Carlos Figueiredo, João Nepomuceno, Ronaldo Pamplona e Paulo Nery. Eles atuavam no setor de fiscalização de projetos.
  Dois engenheiros também foram presos, mas não tiveram os nomes divulgados. Outras 11 pessoas, entre empresários e servidores da Sudam, devem ser presas nas próximas horas, num total de 18 acusados com preventiva decretada. Eles tiveram suas conversas gravadas pela PF de meados do ano passado até março deste ano.
  Os agentes da PF de Brasília, Tocantins e Belém, munidos de mandado de busca e apreensão, começaram logo pela manhã estourando os escritórios do empresário Geraldo Pinto da Silva, dono da GPS & Companhia Ltda e da ex-funcionária da Sudam Maria Auxiliadora Barra Martins, proprietária da AME Consultoria. Esses escritórios são especializados na venda de projetos para clientes da Sudam.
  Juntos, Geraldo e Auxiliadora já teriam movimentado do órgão R$ 1,3 bilhão, intermediando cerca de 110 projetos beneficiados por incentivos fiscais. Ambos estão sendo investigados pelo Ministério Público Federal e também tiveram suas conversas grampeadas pela PF.
  O superintendente da PF no Pará, Geraldo Araújo, apresentou à tarde cópias de cheques que teriam sido pagos, a título de propina, por empresários aos cinco servidores. Os sete presos devem ser transferidos a qualquer momento para Palmas (TO), onde responderão a processo.
  Os valores variam de R$ 20 mil a R$ 50 mil. O dinheiro era liberado para que as áreas sob suspeita de irregularidades não fossem vistoriadas. ‘‘Trata-se de uma prisão arbitrária. Esses funcionários têm residência fixa e não possuem antecedentes criminais. Essa prisão preventiva é absurda’’, afirmou o advogado Ângelo de Albuquerque. Ele prometia dar entrada ainda na tarde de ontem a um pedido de habeas-corpus na Justiça Federal.
  Um avião com policiais federais deslocou-se na manhã de ontem para Altamira, no sudoeste do Pará, onde deverão ser presos dez empresários acusados de desviar recursos liberados para a implantação de projetos.


CARAJÁS

Justiça sorteia júri de Eldorado

Carlos Mendes/AE - Belém (PA)

  A juíza Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, sorteou ontem os 21 jurados que irão julgar os 150 policiais militares envolvidos na morte de 19 trabalhadores rurais sem-terra em abril de 1996, em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado. O episódio completa hoje cinco anos sem que os acusados tenham sentado no banco dos réus. Em agosto de 1999, três oficiais da Polícia Militar acusados de comandar a matança dos sem-terra foram absolvidos em tumultuada sessão anulada em março do ano passado pelo TJ paraense.
  O novo julgamento está previsto para maio, mas a defesa dos acusados informou que vai ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) com ‘‘efeito suspensivo’’ para impedir a instalação do júri. O advogado Roberto Lauria alega que o TJ ainda não julgou dois recursos contra sua decisão de anular o primeiro julgamento.


Globo não quer paródia com Sandy

  Pegar leve com Sandy. A recomendação, vinda da direção da Globo, foi dada à turma do Casseta & Planeta, quando os humoristas começaram a preparar a paródia da novela que tem a cantora como protagonista, Estrela-Guia. Os pais de Sandy, Xororó e Noely, não teriam gostado da brincadeira.











MERCADO

Dólar bate recorde e fecha a R$ 2,196

Mudança no peso argentino provoca alta na moeda, enquanto a Bolsa de São Paulo recua 3,5%

Fabricio Vieira e José Alan Dias/AF - São Paulo (SP)

  A ameaça de desvalorização do peso e boatos de moratória na Argentina puseram mais uma vez em pânico os mercados no Brasil. O dólar bateu novo recorde, subindo a R$ 2,196, e a Bolsa de São Paulo recuou 3,5%. Ontem foi o primeiro dia útil depois de Domingo Cavallo, ministro da Economia da Argentina, anunciar que o projeto de atrelar o peso também ao euro vai ser enviado ao Parlamento. Com os mercados fechados, Cavallo anunciou que mandaria o plano na madrugada de hoje. Desde 1991, um peso vale um dólar. Segundo o novo modelo de conversibilidade, a moeda argentina teria valor equivalente ao de uma cesta de moedas em que dólar e euro teriam a mesma participação. Com tal sistema, abre-se a possibilidade de desvalorização do peso, hoje proibida por lei. Um peso mais fraco faria o governo argentino gastar mais para pagar suas dívidas, o que aumentaria o risco de uma possível moratória -ou calote.
  O temor de que a piora financeira argentina contagie o Brasil e afete o real provocou uma corrida para o dólar. ‘‘Com a volta da preocupação com a Argentina, algumas tesourarias de bancos passaram a apostar em uma alta mais forte na Selic (taxa básica de juros da economia) e a precificar (adiantar as consequências) isso nos negócios”, afirma Rogério Mori, do Banco Santos.
  As projeções dos juros negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) dispararam ontem depois de recuar nas últimas semanas. Nos contratos DI (que consideram os juros dos negócios entre os bancos) que concentram o maior volume de negócios, com prazo de vencimento em outubro deste ano, a taxa pulou de 19,14% para 21,08%.
  Os principais títulos da dívida brasileira negociados no exterior, os C-Bonds, desabaram: no fim do dia, foram vendidos a US$ 0,77, com baixa de 1,91%.


EXPECTATIVA

Reunião do Copom dá o tom da semana

Maria Cristina Frias/AF - São Paulo (SP)

  O mercado financeiro reabre sob expectativa por causa da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que começa hoje.
  Hoje, o comitê deve definir os juros básicos da economia, a taxa Selic, que estão em 15,75% ao ano. Divididos, os analistas apostam desde na manutenção até no aumento de 0,5 ponto percentual da taxa. Na última reunião, do dia 21 do mês passado, o Banco Central surpreendeu o mercado ao aumentar a Selic em 0,5 ponto percentual. No dia seguinte, as taxas futuras dispararam.
  Os dados de inflação e a pressão do dólar num contexto de aquecimento econômico são apontados como fatores que podem levar o Copom a subir novamente a taxa.
  ‘‘Talvez venha até maior que meio ponto percentual”, diz Rogério Oliveira, da Ágora Corretora. O analista do Banco Prosper, Gustavo Alcântara, por sua vez, credita apenas 30% ao cenário de aumento de 0,5 ponto percentual. ‘‘Não há necessidade de alta, um remédio tão amargo”, diz Rafael Cardoso, do Banco Sudameris.
  A semana tem ainda vencimento de opções, hoje, e do índice futuro amanhã.
  Apesar do risco de volatilidade, para Oliveira, a Bolsa ‘‘pode ter uma alta suave nos próximos dias porque houve melhora nos mercados dos EUA e daqui, depois do exagero na queda, e alguns avisos de empresas nos EUA talvez tenham sido pessimistas.
  Nos EUA, os resultados do primeiro trimestre das empresas, que continuarão a sair, dividirão as atenções hoje com o índice de preços ao consumidor (CPI).
  Especialistas recomendam ações ordinárias brasileiras, apesar da menor liquidez e de a nova Lei das Sociedades Anônimas ainda não ter sido votada no Senado. O investidor pode ter ganho com eventual mudança de controle das empresas nos setores elétrico e de telefonia.
  ‘‘Mesmo sem mudança, pode lucrar quem se antecipar à expectativa de alta, como ocorreu com a Cemig”, diz Alcântara.


PAGAMENTO

Benefício do PIS já pode ser sacado em lotérica

Rosana de Cassia/AE - Brasília (DF)

  Os trabalhadores que ainda não sacaram os benefícios do PIS poderão fazê-lo agora também pelas lotéricas de todo o País. A medida foi adotada pela Caixa Econômica Federal (CEF) para tornar mais eficaz o pagamento desse benefício, nas oito mil lotéricas em todo o Brasil.
  Segundo informações da CEF, 600 mil trabalhadores com direito ao abono do PIS ainda não sacaram o benefício, que corresponde a um salário mínimo.
  O prazo para a retirada do abono termina no dia 27 de abril. Tem direito ao benefício o trabalhador cadastrado no PIS-Pasep até 1995 que tenha recebido em média dois salários mínimos mensais em 1999 ou que tenha trabalhado pelo menos 30 dias com carteira assinada durante 1999 para empregador contribuinte do PIS-Pasep.


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