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Sábado, 10 de abril de 2004
Artur Nogueira

Prosperidade agrícola

No ano em que comemora 55 anos, Artur Nogueira assiste ao crescimento dos negócios ligados à produção no campo

  Uma cidade agrícola. Assim pode ser definida Artur Nogueira, cidade da Região que completa 55 anos de emancipação política e administrativa hoje. Os números confirmam. A agricultura é responsável por cerca de 70% da renda gerada no município, desenvolvida por imigrantes italianos e portugueses. A laranja é o principal produto. A fruta preenche 54% de toda a área de plantio da cidade.
  De acordo com dados da Casa da Agricultura de Artur Nogueira, os produtores rurais da cidade venderam, no ano passado, 2,9 milhões de caixas de laranja, o que significa R$ 26 milhões em dinheiro, R$ 3 milhões a mais do que o Orçamento que o prefeito Luiz de Fáveri (PTB) dispõe para administrar a cidade este ano.
  Alguns dos principais consumidores do fruto estão na região, como indústrias de Engenheiro Coelho e Limeira.
  Segundo a engenheira agrônoma responsável pela Casa do Tomate, Roseli Teresinha Paes Barbosa, há na cidade cerca de 600 produtores rurais. O número de propriedades agrícolas é maior. Cerca de mil. “Alguns produtores têm duas propriedades”, explica a engenheira.
  De acordo com ela, 1,2 mil dos 33 mil habitantes nogueirenses trabalham durante todo o ano na agricultura. “A maioria das propriedades rurais é familiar. Trabalham nelas uma ou duas pessoas”. Na época da colheita, o número de empregos cresce. “No período de colheita, que começa em agosto e vai até dezembro, contrato cerca de 30 pessoas para trabalhar aqui no meu pomar”, relata o produtor João Carmona, que durante o resto do ano conta com sete funcionários, como operadores de trator.
  A Casa dos Agricultores não tem estimativas de quantos empregos são gerados na época da colheita.   “A maioria dos contratados temporários é de Santo Antônio de Posse”, conta Carmona. Ele chega a vender 180 mil caixas de laranja por ano. “Este ano, espero que aumente um pouco”, diz.
  Depois da laranja, o produto mais cultivado em Artur Nogueira é a cana-de-açucar, responsável por 16% da área de plantio da cidade. Em seguida, vêm a mandioca e o milho, de acordo com Roseli.
  Segundo a engenheira, a maior dificuldade encontrada pelos produtores é a comercialização dos produtos. “Às vezes, a venda tem que ser intermediada e nisso os produtores acabam encontrando dificuldades”, conta Roseli.
  O produtor João Carmona discorda. “As dificuldades que temos aqui são as naturais, como pragas que atingem as frutas. A dificuldade é encontrar formas para combatê-las. Mas, para vender, não há problema não”, relata o produtor.


Balanço

Prefeito festeja avanço na área social

Luiz de Fáveri afirma ter concentrado sua gestão na melhoria dos serviços prestados no município

  O prefeito de Artur Nogueira, Luiz de Fáveri (PTB), afirma que o maior avanço da cidade sob sua administração aconteceu na área social. “Ampliamos o atendimento à população carente em todas as áreas, como Saúde, Educação e acesso a programas sociais. Hoje, contamos, em Artur Nogueira, com programas sociais como o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) e o Bolsa-Escola”, disse o prefeito, que anunciou a inauguração da maternidade do município, na próxima sexta-feira, como a grande obra do ano de término de seu mandato. O local terá capacidade para realização de 80 a 100 partos por mês, segundo Fáveri.
  De acordo com o prefeito, a inauguração da maternidade “coroa um trabalho dedicado a garantir o acesso à Saúde e Educação a todo o povo”. “O que temos feito é garantir o acesso da população aos direitos básicos. Além de ações na Saúde e na Educação, construímos também um cemitério. É algo que dá dignidade ao cidadão ser enterrado na própria cidade”, afirmou. Para ele, outra inauguração importante do mês de aniversário da cidade é o da Escola Municipal do Jardim Leonor, que contará com dez salas de aula.
  O prefeito garantiu que o orçamento para o próximo ano aumentará em relação a 2004. Este ano, Fáveri administra uma verba de R$ 23 milhões. “Vai aumentar para R$ 25 milhões ou R$ 26 milhões. Graças a Deus, além de aumentar o Orçamento, sempre estivemos dentro da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal)”, afirma.

DIVULGAÇÃO

  Questionado sobre o que considerava falho ou inconcluso em sua administração, Fáveri foi pouco modesto. “Falta divulgar melhor nosso trabalho. Mas isso também custa caro”, disse.
  Fáveri - que é pré-candidato à reeleição, considera que o maior desafio do próximo prefeito será atrair empresas às cidades. “Tanto grandes como pequenas empresas”, afirmou ele, que disse não ter se empenhado o suficiente nessa área porque priorizou Saúde, Educação e a área social.
  Os incentivos, segundo o prefeito, partiriam de leis que atraíssem novas empresas, como concessão de isenção de impostos. “É preciso atrair as empresas para que haja geração de emprego e renda na cidade”, afirmou o prefeito.


Em busca de consumidores

  Conquistar consumidores. Esse é o principal desafio do comércio de Artur Nogueira. A avaliação é do presidente da Acean (Associação Comercial e Empresarial de Artur Nogueira), Cristiano Francisco Conde.
  Para ele, não adianta mais repetir a velha ladainha de que é preciso fazer com que o morador da cidade gaste dinheiro no próprio município. “Não dá para obrigar as pessoas que moram aqui a comprarem em Artur Nogueira. Mas dá para criar formas de trazer pessoas de fora para gastarem aqui”, opina Conde, referindo-se à necessidade de criação de mais locais de entretenimento na cidade, que atualmente conta com uma casa noturna e poucos bares e lanchonetes.
  Segundo o presidente da Acean, a tentativa de manter os consumidores de Artur Nogueira na cidade é inóqua, por causa da proximidade com Campinas. “Hoje, você pega a rodovia e chega a Campinas em meia hora, sem pagar nenhum pedágio. Nossos principais concorrentes são os grandes shoppings”, relata. Artur Nogueira fica a cerca de 50 quilômetros de Campinas.
  Por isso, segundo Conde, é necessário criar um diferencial para a cidade. “Precisamos investir em pontos turísticos, pois existem poucos”, afirma.
  O perfil do comércio da cidade é típico de cidade pequena. Lojas de tamanho reduzido, com um ou dois funcionários. “Na maioria das lojas, trabalham o dono e a esposa dele”, afirmou.
  Para a comerciante Daniela Artuzi, proprietária de uma loja de roupas, as vendas do comércio estão aquém do desejado, mas o setor não enfrenta crise. “O movimento é razoável. Podia ser melhor, mas, pela facilidade do acesso a Campinas, não está mal”, resignou-se.
  Para o gerente da Cybelar, Leandro Marcos Nunes, a proximidade com Campinas não influencia em nada as vendas da loja. “Pelo tipo de produtos que vendemos, não perdemos mercado para Campinas”, conta.
  O maior problema para o comércio da cidade, segundo o presidente da Acean, é a realização de uma feira livre semanal em uma praça de Artur Nogueira. “Muita gente que vende lá é de outras cidades. Então, o cidadão vem de fora, ganha dinheiro na cidade, mas não gasta aqui. Isso é que precisa ser mudado”, comenta Conde.


‘Daqui não saio nem morto’

  Oswardir Pietrobom, 77, é o nome de registro do típico nogueirense nascido e criado na região. “Seu Dico”, esse é o apelido de uma das figuras mais queridas da cidade. Proprietário de imóveis, da casa lotérica de Artur Nogueira, ex-sitiante, tem como paixão o cultivo de orquídeas. Criou a Associação Nogueirense dos Orquidófilos, há 15 anos, a qual sempre presidiu. Possui, nos fundos de sua casa, na Rua 13 de Maio, no Centro, uma estufa com cerca de 1,3 mil vasos da sua planta preferida.
  Seu Dico sempre foi um empreendedor. Foi um dos que ajudaram na construção da nova sede do tradicional Clube Floresta, localizada na Avenida Madalena Santo Severino Grosso, 1.000, no Centro. O clube foi fundado em maio de 1938. Seu Dico o presidiu entre 1973 e 1977. O velho morador nogueirense tem orgulho de ser o sócio número um do clube.
  “A primeira piscina do Clube Floresta foi inaugurada na minha gestão, hoje o clube abriga quatro piscinas, além de salas de jogos, restaurante, sauna, bocha e salão de festas e danceteria”, conta. Ele é também sócio-fundador e presidente da Sociedade Recreativa Veteranos do Floresta, situada na Avenida XV de Novembro, no Jardim Planalto, próximo à saída para Mogi Mirim.
  Oswardir Pietrobom, o Dico, é um homem cuja história se confunde com a história da cidade em que nasceu. “Gosto daqui. Sempre fui feliz aqui. E daqui não saio nem morto”, diz em alto e bom som. Simpático, bem humorado e, acima de tudo bastante sereno, Dico aponta para o clima de paz, apesar da violência de que muitos reclamam, e amizade como um dos principais fatores gerador do seu amor por Artur Nogueira. “Todo homem tem que amar as suas raízes”, diz enfático. Casado com Wanda Pietrobom, Dico teve tem filhos, Eduardo, Tânia e Eloísa, e oito netos.


o povo fala

- “Moro aqui há um ano e meio e o que a cidade tem de melhor é o seu povo”
Kênya Gouvêia Bastos de Aguiar, crediarista

- “A falta de emprego é o principal problema do município”
Regiane Daniela Pires, vendedora

- “O setor de prestação de serviços na cidade é muito ruim. Para quase tudo precisa se deslocar para outras cidades”
Izildinha Delgado dos Santos, comerciante

- “Quando cheguei na cidade em 1980 fui muito bem recebido pelo povo, que me acolheu de braços abertos. Aliás, esta é uma característica do povo nogueirense”
Sebastião Salvador Leme, funcionário público

- “A cidade vive a situação de uma casa mal arrumada. É para isso que o Poder Público tem de olhar”
Luzia Maria Delgado, artesã


Povoado, distrito, cidade

  A comemoração dos 55 anos de emancipação política e administrativa de Artur Nogueira remete à posse do primeiro prefeito da história da cidade, Severino Tagliari, eleito em 13 de março de 1949. Mas a história da região remonta de bem antes. De meados do século XIX, quando chegaram os imigrantes italianos e portugueses. Em particular, os Rossetti, os Tagliari, os Arrivabene e os Sá.
  Diferente de muitas cidades que nascem às margens de um rio, Artur Nogueira, cortada apenas pelo Córrego Pirapitingui e Ribeirão Boa Vista, surge a partir da expansão agrícola do final do século XIX e início do seguinte. Mas, igual a muitos municípios do interior paulista, a região se desenvolveu com a chegada da linha férrea.
  A construção da estrada de ferro, entre 1891 e 1913, foi patrocinada pela família Nogueira, proprietária de terras na região. A estrada foi uma reivindicação do revolucionário Fernando Arens Júnior, cujo nome é dado à principal avenida da cidade, que se desenvolveu ao redor da Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida. A intenção era de povoar a região e de facilitar o escoamento dos produtos agrícolas da época - cana, café, algodão e cereais.
  Com a estação de trem, que levava o nome do gerente da Fazenda Funil, major Artur Nogueira, formou-se um pequeno povoado, conhecido por Estação de Artur Nogueira. A linha férrea foi retirada em 1962 e a estação não existe mais. As primeiras casas do povoado serviam também como estabelecimentos comerciais.
“O primeiro prédio construído foi aquele ali”, aponta o morador Elísio Arrivabene, 84, nascido e criado na região, para o Bar Floresta, localizado na Avenida Dr. Fernando Arens Júnior com a Rua 1º de Janeiro.
  Desde a formação do povoado, no início do século XIX, já existia a vontade em seus moradores de se organizar para criar uma cidade. Em dezembro de 1916, a lei 1.542 criou o Distrito de Paz de Artur Nogueira, da comarca de Mogi Mirim. A partir de então, surgiram movimentos pró-emancipação político-administrativa.
  No dia 28 de abril de 1948, um grupo pró-emancipação encabeçado por Raul Grosso protocolou na Assembléia o processo de emancipação, após plebiscito. No dia dois de setembro, a Comissão de Estatística da Casa anunciou seu parecer sobre a solicitação. Em 24 de dezembro, o Distrito de Paz de Artur Nogueira foi elevado a município pela lei 233. As primeiras eleições, ocorridas no 13 de março de 1949, foram vencidas pelo vereador do então distrito da comarca de Mogi Mirim, Severino Tagliari, que entrou para a história como o primeiro prefeito de Artur Nogueira.


Comemoração adiada

  As comemorações dos 55 anos de emancipação de Artur Nogueira, completados hoje, serão realizadas no dia 25, em respeito à Semana Santa. O desfile cívico acontece na Avenida Dr. Fernando Arens Júnior, a partir das 8h, com apresentação de escolas, fanfarras, comércio e indústria.
  Os comércios e indústrias que pretendem desfilar suas marcas no dia 25 deverão se inscrever até segunda-feira, na Acean (Associação Comercial e Empresarial de Artur Nogueira). As inscrições são gratuitas.
Embora as comemorações oficiais do 55º aniversário da cidade sejam realizadas no dia 25, a prefeitura festeja a data com diversas inaugurações de obras e melhorias, até o dia 1º de maio (confira programação no quadro abaixo).

INAUGURAÇÕES

  Entre estas inaugurações, o prefeito Luiz de Fáveri (PTB) reabre oficialmente no dia 16 a Maternidade Municipal, fechada há 12 anos, e inaugura, no dia 21, feriado de Tiradentes, a Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Vereador Professor Amaro Rodrigues”, localizada no Jardim Leonor, além de reativar oficialmente a agência da CEF (Caixa Econômica Federal), desativada desde 1997, no dia 30 de abril.


programação

Abril
Dia Horário Evento
16 17h Reabertura da Maternidade de Artur Nogueira
17 18h Inauguração das obras da galeria pluvial do bairro Vicente, com shows e apresentações de artistas locais
21 10h Inauguração da Emef “Vereador Professor Amaro Rodrigues”, que será marcada por brincadeiras com balão pula-pula, cama-elástica, maquiagem maluca, além de algodão-doce e pipoca
25 8h Desfile cívico
30 10h Reabertura da agência da Caixa Econômica Federal, na Rua 1º de Janeiro, 1660, ao lado da Guarda Municipal

Maio
1º 8h30 Torneio de futebol entre as equipes da cidade. A competição marca a inauguração do Campo do Itamaraty, situado na Rua João Bombo, ao lado do Sítio do Pica-Pau Amarelo

Fonte: prefeitura


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