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Sábado, 10 de abril de 2004
5 morrem durante ação na Rocinha

Traficantes ligados ao Comando Vermelho tentaram invadir favela, na madrugada de ontem, no Rio

Mario Hugo Monken/AF - Rio de Janeiro (RJ)

  Traficantes vinculados à facção criminosa CV (Comando Vermelho) bloquearam a avenida Niemeyer (ligação entre São Conrado e Leblon, na zona sul) e tentaram invadir a favela da Rocinha (São Conrado), ontem de madrugada. A ação resultou na morte de dois policiais militares e três civis, duas mulheres e um homem. Sete pessoas ficaram feridas. Participaram da tentativa de invasão cerca de 60 traficantes fortemente armados e vestidos com coletes da Polícia Civil. Os tiroteios duraram cinco horas.
  Nenhum dos mortos tinha envolvimento com o tráfico de drogas. Os invasores não conseguiram ocupar a favela. Telma Pinto Veloso, 38, foi morta com um tiro na cabeça porque seu marido não parou o carro que dirigia no cerco montado pelos traficantes na Niemeyer, fechada durante toda a madrugada.
  Por causa dos tiroteios, o túnel Zuzu Angel (Gávea-São Conrado) foi interditado por cerca de três horas. No início da noite, o tiroteio com traficantes recomeçou na Rocinha e foram mortos o tenente Rolim, do Bope (Batalhão de Operações Especiais), e outro policial militar. Até o momento a PM não havia fornecido os nomes completos dos oficiais. Um morador da Rocinha que passava de bicicleta foi ferido a tiros. O comandante-geral da PM (Polícia Militar), coronel Renato Hottz, disse que a corporação soube que poderia ocorrer uma invasão na Rocinha por volta das 18h de anteontem. Ele disse que mobilizou 180 policiais para a favela, que não conseguiram impedir a ação dos criminosos e a morte dos inocentes. Mesmo assim, Hottz disse que não houve falhas. ‘‘A polícia não pode estar em todas as áreas ao mesmo tempo. A Rocinha é um mundo. Se não houvesse a intervenção da polícia, teríamos uma situação lastimável’’, afirmou.
  Segundo a Polícia Civil, as ações foram comandadas pelo traficante Eduíno Eustáquio de Araújo Filho, o Dudu, que planejava invadir a Rocinha para retomar os pontos-de-venda de drogas, hoje controlados por Luciano Barbosa da Silva, o Lulu. Os traficantes, embora rivais, integram a CV. Em menos de uma semana, foi a segunda tentativa de Dudu de ocupar a Rocinha. No domingo, a polícia havia conseguido impedir a invasão.
  A polícia informou que suspeita que Dudu tenha agido a mando do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso na penitenciária Bangu 1 (zona oeste). Para invadir a Rocinha, Dudu foi apoiado por traficantes de outras favelas dominadas pelo CV, como o complexo do Alemão e Vigário Geral, ambos na zona norte, e o Vidigal, vizinho à Rocinha. A ação começou por volta de 1h, quando os traficantes ligados à Dudu bloquearam a Niemeyer para roubar os carros usados na invasão.
  O Citroen em que estava Telma Veloso não parou. Ela foi morta com um tiro na cabeça. Seu marido, Renato Gonzaga, e o sobrinho Bernardo Alves foram feridos por estilhaços. O sobrinho Artur Pinto, 16, foi baleado e está internado no Hospital Espanhol (centro). O casal, que vivia em Belo Horizonte, morava no Rio havia três meses. Após roubarem seis carros, o grupo seguiu para a Rocinha, mas encontrou com policiais militares. Houve tiroteio. Uma parte dos traficantes desistiu da invasão e fugiu para o Vidigal. Um outro grupo conseguiu furar o cerco policial e alcançou a Rocinha pela estrada da Gávea. Na curva do S, eles enfrentaram traficantes do bando de Lulu. Houve novo tiroteio. Acuado, o grupo ligado a Dudu abandonou os carros e fugiu correndo da favela. Outros traficantes ligados a Dudu e que estavam no Vidigal, tentaram invadir a Rocinha pela mata e fizeram disparos em direção à favela.


Disputa se acirra este ano

  As disputas pelo controle dos pontos-de-venda de drogas na favela da Rocinha (zona sul) se acirraram no início deste ano, depois que Eduíno Eustáquio de Araújo, o Dudu, fugiu do presídio Edgard Costa (Niterói, a 15 km do Rio), onde estava preso desde 1995.
  Segundo a polícia, há cerca de dois anos, os principais chefes do CV (Comando Vermelho), presos em Bangu 1 (presídio na zona oeste), determinaram que Luciano Barbosa da Silva, o Lulu, entregasse parte da favela a Dudu quando este saísse da cadeia.
  Dudu liderou o tráfico na Rocinha na década passada. Lulu não obedeceu às ordens dos chefes, causando um racha na facção. Desde que fugiu, Dudu vem tentando invadir a Rocinha, com o apoio de lideranças de várias favelas dominadas pelo CV, como a vizinha Vidigal e o complexo do Alemão (zona norte).
  A Rocinha é considerada o principal entreposto de drogas do Rio. Segundo a polícia, os traficantes da favela arrecadam, por mês, cerca de R$ 50 milhões com a venda de drogas. Para a polícia, uma das razões que pode ter levado Lulu a não aceitar as ordens dos chefes da facção é uma suposta aproximação dele com a ADA (Amigo dos Amigos), facção inimiga do CV.
(AF)


Marta será ‘malhada’

  A prefeita Marta Suplicy (PT) vai ser ‘‘malhada’’ hoje durante o tradicional evento realizado no Sábado Santo na rua Lavapés, no Cambuci, em São Paulo. Marta, que terá a companhia de bonecos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do terrorista Osama bin Laden, já foi malhada em 2003.











FHC passa Páscoa na praia

  O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) passa o feriado na famosa praia de veraneio de Porto de Galinhas (PE). O ex-presidente chegou anteontem a Recife, em um jatinho fretado, e seguiu direto ao balneário, onde está hospedado na casa do senador José Jorge (PFL).











SEXTA-FEIRA SANTA

30 mil lotam santuário de Aparecida

Maior parte dos fiéis acompanhou a via sacra, celebração que relembra o sofrimento de Jesus Cristo

Eliane Mendonça/AF - São José dos Campos (SP)

  Trinta mil pessoas participaram ontem das celebrações da Sexta-feira Santa na Basílica Nacional de Aparecida, superando a expectativa da administração do Santuário Nacional, que esperava a visita de cerca de 17 mil pessoas, o mesmo número de romeiros do ano passado. Segundo o padre Joércio Gonçalves Pereira, reitor do santuário, o maior público foi visto durante a via sacra, que é a celebração mais típica da sexta-feira santa e relembra o sofrimento de Jesus Cristo durante todo o percurso, até sua crucificação.
  Em Aparecida, a via sacra aconteceu em dois lugares distintos, ambos com um grande público - o primeiro aconteceu às 5h, no Morro do Cruzeiro, que contou com a participação de cerca de dez mil pessoas. A outra aconteceu ao redor da basílica, às 10h, e reuniu cerca de cinco mil pessoas. Além disso, à tarde, a basílica também registrou um público de cerca de 15 mil pessoas que assistiram a celebração de uma missa e depois seguiram a procissão de Jesus morto.
  Para hoje, a expectativa é de um movimento maior que o de ontem. ‘‘É uma tendência que o público vá aumentando a cada dia, durante a semana santa. Pelo menos, é o que temos observado em todos os anos’’, disse Pereira. Segundo o padre, a via sacra ao redor da basílica será repetida hoje, para que os fiéis que não puderam comparecer ontem possam assistir à encenação, que conta com a participação de 67 atores da cidade. A via sacra também deverá ser repetida no Morro do Cruzeiro, às 5h e às 8h.

PONTO TURÍSTICO

  O Morro do Cruzeiro tornou-se um dos pontos turísticos mais visitados em Aparecida desde 2000, quando o local foi reformado, recebendo asfaltamento, arborização, sinalização e iluminação. Além disso, no local também podem ser vistas as 12 estações da via sacra de Jesus por meio de painéis que retratam cada momento da via sacra, uma verdadeira obra de arte. Os painéis levaram nove meses para ser feitos pelo artista plástico Adélio Sarro Sobrinho, de São Bernardo do Campo. Confeccionados com cimento, cada painel tem 3,7m x 4m, mas parecem ter sido moldados com ferro fundido devido à uma técnica de pigmentação que imita o bronze, utilizada pelo artista. Na entrada do Morro do Cruzeiro outra escultura chama a atenção dos visitantes: um par de mãos, postas em oração, com 15 metros de altura.


Várias encenações

  A via-sacra foi encenada ontem nas principais capitais do País, como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Pela manhã, cerca de 300 pessoas do movimento católico Comunhão e Libertação fizeram uma passeata silenciosa na Avenida Paulista, em São Paulo, e celebraram a via-sacra de Jesus Cristo.
  Durante uma hora e meia, o grupo fez três paradas estratégicas: em frente do Hospital Santa Catarina, nas escadarias da TV Gazeta e no vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo).
  A escolha da avenida para o evento, realizado há seis anos, não foi por acaso. ‘‘A Paulista é o centro do trabalho, onde as pessoas passam a vida’’, explicou o vigário Cássio Carvalho. O objetivo do movimento, que nasceu há 50 anos na Itália dentro das universidades e chegou ao Brasil há cerca de 30 anos, é integrar religião e vida diária.
  No centro da capital paulista, cerca de 400 pessoas, a maioria moradores de rua, também encenaram a via-sacra. A passeata começou no Largo São Bento e teve seu ápice nas escadarias da Catedral da Sé, com a encenação da crucificação. À tarde, cerca de 900 pessoas participaram do ato litúrgico da Sexta-feira Santa, na Catedral da Sé.
(Agência Estado)


ATAQUE

Funai localiza corpos em terra indígena de Rondônia

  A Funai (Fundação Nacional do Índio) informou ter localizado ontem três corpos no interior da terra indígena cinta-larga Roosevelt, em Espigão d’Oeste (534 km de Porto Velho, em Rondônia). Como a área é de difícil acesso, os corpos não foram resgatados.
  Segundo 16 garimpeiros ouvidos ontem pela Polícia Civil, um grupo de índios atacou a tiros, por volta das 11h da última quarta-feira, um grupo estimado de 60 garimpeiros que extraíam clandestinamente diamantes na terra indígena, numa área à beira do rio Roosevelt. Morreram pelo menos quatro garimpeiros, de acordo com os depoimentos, mas todos disseram que o número pode ser maior.
  Com base nos relatos, o delegado da Polícia Civil de Espigão d‘‘Oeste Raimundo Souza Filho estimou que o número de mortos possa ser de 12.
(Agência Folha)


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