|
|
|
Nova programação
Globo traz novidades a partir de amanhã
Agência Folha - São Paulo (SP)
Abril é o mês das estréias na televisão. Enquanto os outros canais começam a colocar aos poucos as suas novidades no ar, a Rede Globo dá, no ‘‘Fantásitco’’ de amanhã, o pontapé inicial em uma verdadeira avalanche de inovações. Quem ligar a TV no programa dominical poderá conferir dois quadros novos: ‘‘O Futuro das Espécies’’ e ‘‘As 50 Leis do Amor’’.
Enquanto o primeiro, produzido pela emissora inglesa BBC, traz previsões de cientistas para o mundo, o segundo põe Diogo Vilella, Andrea Beltrão e Débora Bloch para fazer o público rir. E as novas atrações continuam a entrar no ar durante toda a semana. A primeira a estrear, já na terça-feira, é a série ‘‘A Diarista’’, protagonizada por Cláudia Rodrigues.
No domingo, dia 18, é a vez da dupla inseparável Ingrid Guimarães e Heloísa Périssé, que apresentam o seu ‘‘Sob Nova Direção’’. Vale lembrar que as duas atrações foram testadas com a exibição de pilotos no final de 2003, e fizeram sucesso. Outra série já testada é a importada ‘‘24 Horas’’, que volta para trazer um pouco mais de ação para as noites ‘‘light’’ de domingo. Será exibida a segunda temporada do programa, estrelado por Kiefer Sutherland.
Filmes - a principal arma da emissora concorrente SBT - também não faltarão na nova programação. A Globo tem um pacote de produções inéditas para exibir às segundas, no ‘‘Tela Quente’’. A emissora não adiantou os títulos disponíveis nem as datas em que irão ao ar. Sabe-se apenas que o primeiro a ser exibido será ‘‘Náufrago’’, com Tom Hanks. Os programas ‘‘antigos’’ do canal também passaram por inovações. É o caso do ‘‘Mais Você’’, da ‘‘Turma do Didi’’ e do ‘‘Linha Direta’’, entre outros.
Eles chegam totalmente renovados, com cenários novos, quadros diferentes e histórias inéditas. O ‘‘Video Show’’, exibido nas tardes de segunda a sábado, também traz as suas novidades. ‘‘Vamos usar uma linguagem mais ágil e jornalística’’, revela o diretor da atração, Mariozinho Vaz, lembrando que o programa, que existe há mais de 16 anos, precisa ser constantemente renovado.
‘‘Também descobrimos, por meio de pesquisa, que o programa tem um público grande com mais de 45 anos’’, conta Vaz, justificando os quadros sobre a memória da TV que estréiam segunda-feira.
No pacote de novidades da Globo para 2004 estão também as novas temporadas de séries que já estavam em cartaz no ano passado, como ‘‘Carga Pesada’’ e ‘‘A Grande Família’’. E há, também, a previsão de novas estréias. Duas atrações que foram testadas no final do ano passado ainda não entraram na programação. ‘‘Sexo Frágil’’ deve ganhar o espaço deixado por ‘‘Carga Pesada’’ - este vai durar apenas sete semanas - nas noites de sexta-feira. ‘‘Papo de Anjo’’, com Cláudia Jimenez, pode virar um quadro do ‘‘Fantástico’’.
Emissoras apostam em filmes
As novas atrações da Band, da Record, da Rede TV! e do SBT incluem noticiários, programas de auditório e muitos, muitos filmes. A Band aposta em ‘‘Brasil Verdade’’, com Datena, para concorrer com os noticiários policiais da tarde.
Para quem não gosta do gênero, a Rede TV! oferece a sua opção: um novo programa com João Kléber. Ainda sem nome, a atração já tem dois quadros definidos, o ‘‘Culpado ou Inocente’’ - em que acusados que já cumpriram pena se submetem a um júri popular - e outro que que oferece cirurgias plásticas.
No próximo sábado, estréia ‘‘Raízes do Campo’’, com Chitãozinho e Xororó. O programa mostrará um pouco do estilo sertanejo, com música, culinária e festas regionais. A novidade da Band para os domingos é o ‘‘Show de Bola’’, comandado por Jorge Kajuru. Já o ‘‘Domingo Record’’ pretende ganhar audiência com um formato parecido com o do ‘‘Fantástico’’.
Assim como o SBT, Band e Record prepararam pacotes de filmes. A Record exibirá ‘‘Fomos Heróis’’ e ‘‘A Última Profecia’’, entre outros. Dentro do investimento de US$ 3 milhões, a Band terá ‘‘Quero Ser John Malcovich’’ , ‘‘Elisabeth’’, ‘‘Entre Quatro Paredes’’ e ‘‘A Última Ceia’’.
Na quarta, o SBT lança um humorístico que começou a ser gravado em 2001: o ‘‘Meu Cunhado’’, com Moacyr Franco e Ronald Golias. ‘‘É um humor para a família’’, define Franco. Na semana que vem, chega outra novela mexicana. ‘‘Amy, a Menina da Mochila Azul’’ entra no lugar de ‘‘Poucas, Poucas Pulgas’’. (AF)
POLÊMICA
Mudanças na Lei Rouanet geram dúvida no setor cultural
As anunciadas mudanças na Lei Rouanet provocam já um acirrado debate no mundo das políticas culturais. Segundo o Ministério da Cultura, serão feitas duas principais mudanças na lei, cuja base é a renúncia fiscal: 1) o porcentual de abatimento do Imposto de Renda será flexível e seguirá uma tabela; 2) os projetos serão aprovados por mérito e pertinência, na sistemática de editais de seleção.
Para Yacoff Sarkovas, consultor de patrocínio empresarial, a mudança anunciada significa que não haverá reforma significativa no sistema de financiamento da cultura. ‘‘A princípio, me parece que essa reforma significa a desistência desse governo de instaurar um verdadeiro sistema de financiamento público no País’’, disse Sarkovas. ‘‘Se o dinheiro não é privado, não há porque ele passar pelo caixa privado. O movimento deveria ser inverso: o dinheiro público não deveria passar pelas empresas e o dinheiro das empresas deveria ser desregulamentado’’, avalia.
Sarkovas diz que não acredita numa mudança significativa com o projeto do MinC por um motivo simples: a outra lei de estímulo à cultura, a Lei do Audiovisual, não tem modificações anunciadas e, portanto, continuará oferecendo porcentuais de até 125% de dedução do Imposto de Renda investido. Assim, se as mudanças na Lei Rouanet fossem radicais e eliminassem a possibilidade de 100% de dedução às empresas (ou seja, sem nenhuma contrapartida de dinheiro próprio), os investidores migrariam todos para o cinema, o que o provocaria ‘‘um colapso’’ no sistema, em suas palavras. ‘‘Como não vão mexer muito na questão do porcentual, então a iniciativa privada vai continuar fazendo política cultural com o dinheiro público, o que é um absurdo’’, avalia o consultor.
O produtor de teatro e cinema Paulo Pélico discorda dos argumentos de Sarkovas, mas por motivos opostos, e também critica a mudança na lei. ‘‘É evidente que sair dos 100% é um erro. A produção cultural não está preparada para a perda da dedução integral. Hoje em dia, nós temos cinco atividades econômicas que têm incentivos fiscais. Eles visam a desenvolver setores que não têm ’musculatura’ para se desenvolverem sozinhos. Quatro dessas atividades têm dedução integral. Por que não a cultura?’’, diz Pélico.
Edemar Cid Ferreira, presidente da Brasil Connects, viu com simpatia as mudanças anunciadas, em especial a queda dos 100% na dedução do Imposto de Renda e os editais de seleção de projetos. ‘‘Isso é ótimo. Porque o que a gente quer é que, cada vez mais, a iniciativa privada contribua com seus recursos próprios. Tem de haver incentivo, mas não 100%, porque aí não precisa da lei. As regiões carentes talvez se beneficiem também dessa possibilidade de ter uma dedução maior. E é muito bom que haja uma avaliação qualitativa dos projetos, uma linha curatorial. Há um esforço sadio que motiva as modificações’’, diz Ferreira. (Agência Estado)
|
|
|