Todo Dia
TodoDia Anuncie
Sábado, 10 de abril de 2004
Delfin Netto

Romper algemas

Não existe nenhum país do mundo que tenha se desenvolvido sem a participação do Estado, sem que os governos tenham acionado alavancas importantes de estímulo aos investimentos. Para não ir mais longe na História, desde a primeira revolução industrial na Inglaterra, o desenvolvimento só se realizou porque o Estado construiu estradas e portos e permitiu o funcionamento de um sistema de crédito que financiou os investimentos; foi assim nos Estados Unidos, na França, na Itália, na Escandinávia, em todos os países que souberam se desenvolver.
  No Brasil, até 20 anos atrás, o Estado foi além dos estímulos: ele foi um ator importante no processo de implantação da siderurgia, na construção de rodovias, portos e usinas hidrelétricas. Foi com a participação do Estado que a economia brasileira passou de quadragésima oitava para a nona posição no mundo, uma posição de liderança dentre os países em desenvolvimento.
  Desde a época do governo Collor, no entanto, o Brasil se deixou dominar por uma idéia atrasada, segundo a qual bastava vender o Estado e depois algemá-lo, deixando que o “mercado” e o setor privado comandassem todo o processo de desenvolvimento. Essa “ideologia”, vendida como a “vanguarda da modernidade”, resultou no seguinte: faz 15 anos que a economia patina, a renda per capita estagnou, vendemos às pressas o patrimônio público para pagar juros das dívidas mas continuamos endividados até a alma, enfim o País estagnou e a população empobreceu. Ficou mais pobre e caiu para o décimo quinto lugar na classificação no ranking econômico mundial. Tal “política” (que até hoje tenho dificuldade em qualificar) nos acompanhou até o final do governo FHC e manteve algemado o governo Lula em seu primeiro ano.
  Semana passada criou-se a oportunidade de romper as algemas com o lançamento de um projeto de política industrial, tenazmente defendido pelo ilustre ministro Luiz Fernando Furlan. Ele pretende dar ao setor industrial o suporte que se tem dado à agricultura (onde o Moderfrota é um exemplo bem sucedido), setor que vem salvando o Brasil do desastre das contas externas há três anos.
  O projeto de política industrial precisa ser aperfeiçoado. Ele ainda está em aberto, mas se a nova política for levada a sério, bem gerenciada e com coordenação inteligente, poderá fazer a grande diferença de qualidade que todos nós esperamos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela será o complemento importante do extraordinário resultado da política de estabilização do ministro Antonio Palocci.
  Estabilidade que todos sabemos ser fator necessário, mas não suficiente para melhorar a condição de vida do brasileiro que só virá com novos investimentos para o rápido crescimento da produção e a criação de empregos.


Antônio Delfin Netto é deputado federal pelo PP e escreve aos sábados

Editorias
Capa
Cidades
Brasil
Internacional
Esportes
Polícia
Z
Colunistas
TodoDia Imagem
Fogo Cruzado
Charge
Opinião
Erramos
Editorial
Cadernos
Toda Gente
Triboz
Revista da TV
Veículos
Zzinho
Social
Máxima
Dez
Barbarizando
Big´z
Nova´z
Evidência´z
Estilo´z
Outros
Pesquisa
Especiais
Assinaturas
Publicidade
Fale Conosco
Tira Dúvidas
A Empresa
A Região
Edições Anteriores

Copyright © 2001 - Editora Z -Jornal TodoDia - Todos os direitos reservados. Esta página é melhor visualizada nos browsers MS Internet Explorer 4.0 ou superior ou Netscape 4.0 ou superior, com resolução de tela de 800 x 600 pixels e 256 cores ou melhor. webmaster