Domingo, 12 de Dezembro de 2004
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Condução das novelas ‘frustra’ atores

Artistas de tramas de sucesso gostariam que desfecho da história de seus personagens fosse diferente


Folhapress - São Paulo (SP)

Arquivo/TodoDia Imagem
MATERNIDADE COMPLICADA: Suzana Vieira (à esq.) gostaria que sua personagem contasse a verdade à filha, vivida por Carolina Dieckman (à dir.) em “Senhora do Destino”
A revelação do seqüestro de Lindalva (Carolina Dieckman), há pouco mais de uma semana, agradou muito aos telespectadores de “Senhora do Destino”, da Globo. Prova disso é que o capítulo em que Nazaré contou a Isabel que não era ela, mas Maria do Carmo, sua mãe biológica rendeu à emissora carioca 58 pontos de média no Ibope. Mas, apesar do sucesso, a cena deixou pelo menos uma pessoa decepcionada. Suzana Vieira, que vive a retirante nordestina Maria do Carmo, gostaria de ter tido a chance de contar à filha da ficção que era sua mãe.

A atriz chegou a dizer que ainda se sentia sufocada, apesar de entender que Aguinaldo Silva tenha tentado fugir de uma solução óbvia para a história. Ela torcia para que Maria do Carmo pudesse contar à filha desaparecida que era a sua mãe. Mas a novela está apenas no meio.

Esse tipo de “frustração” não é um caso tão isolado assim. A morte de Tomé, em “Cabocla”, também deixou o ator Eriberto Leão desolado. Os colegas de elenco fizeram até uma festa de despedida para o rapaz, inconformado com sua morte fictícia. Leão diz que se envolveu demais com o personagem. “Para mim, o Tomé existiu de verdade. Ele ainda existe em mim. ‘Cabocla’ fez tanto sucesso por causa disso: os personagens eram reais”, disse.

Muitas vezes, no entanto, os atores são azarados. Patrícia França disse no lançamento de “A Escrava Isaura” que “tudo o que não queria era que Rosa (sua vilã na trama da Record) morresse no final”, pois ela já tinha “morrido demais”.

Madonna também declarou que suspeitava “que muita gente gostaria de vê-la morta”, por isso suas personagens costumam morrer no fim dos filmes. Ricardo Linhares, autor de “Agora É Que São Elas” e co-autor de “Celebridade” e “Porto dos Milagres” (esta última também de Aguinaldo Silva), diz que é comum que os três principais envolvidos em uma novela (ator, diretor e autor) discordem dos rumos da história.

“Quase sempre, nós (autores) somos poupados de determinados comentários que ocorrem nos estúdios e nos corredores, mas é normal que as pessoas não pensem da mesma forma o tempo todo”. Apesar de dizer que o ator acaba se tornando um “co-autor” de seu personagem, Linhares é categórico ao defender o ponto de vista autoral.

“Quem sabe como conduzir melhor o personagem é o autor. Nós não sabemos exatamente como as coisas vão acontecer, mas sabemos aonde queremos chegar”, afirma.

Ricardo Linhares endossa a solução autoral dada pelo colega Aguinaldo Silva ao “caso Lindalva”. “Foi bem acertado. O fato de a Nazaré ter revelado o mistério para a Isabel rende mais cenas. Quando fugimos do óbvio, geramos situações inusitadas. Acho que todas as intérpretes saíram ganhando”.

É óbvio que o autor de “Senhora do Destino” não deu ponto sem nó. “Quis criar essa ‘conspiração’ em torno da Isabel para que a novela ganhasse mais tempo. Se a Maria do Carmo contasse sobre o seqüestro e elas se entendessem, a novela acabaria”, finaliza Silva.

O ator e apresentador Márcio Garcia discorda da opinião de Linhares, um dos criadores de seu personagem mais popular até hoje, o vilão e michê Marcos, de “Celebridade”. “Acho que o ator sente com mais proximidade o que se passa com seu personagem, se envolve mais. O autor é quem cria, mas ele tem mais personagens com que se preocupar”.

Mesmo assim, ele afirma que ficou satisfeito com o final de Marcos. “Achei certo que ele tenha morrido. Assim pagou suas dívidas. Teria ficado triste se o desfecho fosse diferente, embora eu saiba que muita gente tenha pedido que o Marcos tivesse um outro fim”.

AUTORES

Filha de Benedito Ruy Barbosa e uma das autoras da última versão de “Cabocla”, Edilene Barbosa afirma desconhecer casos em que a discordância entre “criador” e “criatura” tenha ocasionado problemas no desenvolvimento de uma novela. “Nas novelas do meu pai, nunca houve. Mas acredito que haja um certo conflito de egos, sim”.

Mesmo assim, a autora defende a autonomia, não apenas dos escritores, mas também da própria história. “O que eu e a Edmara (sua irmã e co-autora de ‘Cabocla’) sempre levamos em consideração, acima de tudo, é a necessidade do enredo”.

Essa posição levou as duas a decidir pela tão sofrida morte do personagem Tomé, interpretado por Eriberto Leão. “Na primeira versão da novela, o Tomé morria. Tentamos, desta vez, não matá-lo. Mas o problema foi que a trama estava tão bem amarrada, que não teve jeito”.


GLOBO


Filmes nacionais vão ao ar

Agência Estado - São Paulo (SP)

A Globo preparou para janeiro um pacote de filmes nacionais. De três a sete de janeiro, a emissora exibe o Festival Nacional, com longas que vão ao ar logo após “Senhora do Destino”. Entre os filmes do pacote estão “Avassaladoras”, história de desencontros amorosos estrelada por Giovanna Antonelli e Reynaldo Gianecchini.

No dia cinco, vai ao ar “Bufo & Spallanzani”, história de suspense policial. Inspirado no livro “Canto dos Malditos”, de Austregésilo Carrano Bueno, “O Bicho de Sete Cabeças” também faz parte do festival. O filme premiado estrelado por Rodrigo Santoro vai ao ar no dia seis de janeiro.

O pacote ainda inclui “Bellini e a Esfinge”, trama baseada no livro homônimo do titã Tony Bellotto.

NEGÓCIO

O Festival Nacional se mostrou um negócio bem interessante para a Globo, tanto em ibope, como em faturamento. A primeira aposta da rede nesse tipo de programa foi em 1998, quando abriu espaço em sua programação de janeiro para vários longas brasileiros.

A iniciativa surgiu de olho na aceitação e embalada pelo sucesso de “O Auto da Compadecida” lançado anos atrás nos cinemas. Foi um trampolim para vitórias da rede sobre o concorrente mais direto, o SBT.

Em todos esses anos de Festival Nacional, no embate entre os filmes estrangeiros exibidos pelo SBT e os longas nacionais da Globo, quem tem levado a melhor são os títulos brasileiros. O Festival alcança em média 24 pontos de audiência e tem patrocinador garantido.


TEATRO DE ARENA


Arquitetos de Americana são premiados em SP

Kelen Bueno - Americana

Os arquitetos da Prefeitura de Americana, Victor Chinaglia Junior (secretário de Planejamento e Controladoria) e Antônio Cândido de Nadai (diretor da Unidade de Desenvolvimento Físico-Urbanístico), conquistaram o primeiro lugar na premiação 2004 do IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) - Departamento de São Paulo, categoria “Arquitetura na Cultura”. Eles foram premiados com o projeto de revitalização do Teatro de Arena Elis Regina. O presidente do Masp (Museu de Arte de São Paulo), Júlio Neves, fez a entregua do prêmio na quinta-feira passada, no próprio museu, na Capital.

Desde a década de 1960 o prêmio IAB-SP contempla projetos arquitetônicos elaborados e executados no Estado de São Paulo. Mais de 200 projetos foram inscritos. Os projetos vencedores dos arquitetos americaneses estão habilitados a concorrer ao prêmio IAB nacional.

O Teatro de Arena passou por duas grandes reformas desde a inauguração em 1981, quando tinha a concepção de circo-teatro. Em 1986, o tetro foi reformado e passou a ser o Teatro de Arena (sem cobertura) e, em agosto de 2004, o teatro foi reinaugurado como Teatro Elis Regina.

Atualmente, o teatro conta com uma estrutura para 1.100 pessoas, em um espaço físico com 1.488 metros quadrados, possui dois camarins, quatro sanitários, bilheteria, bomboniere, além de um palco externo para cerca de duas mil pessoas e 130 vagas para estacionamento.



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