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Heróis da resistência
Crianças e adolescentes de Americana fundaram o “Clubinho Recreativo e Esportivo Jardim da Paz” para resgatar a tradição de brincadeiras de rua e de atividades ofuscadas pelos tempos modernos.
COMO ANTIGAMENTE: grupo mostra a bandeira de um clube com leis e rituais, onde brincar no “mundo real” é a principal atividade
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De olho na notícia
Alunos de cinco e seis anos aprendem a lidar com a informação a partir de projeto pedagógico baseado em pesquisas ao TodoDia
Kelen Bueno - Americana
 COMUNICAÇÃO: crianças mostram jornal interno da escola após conhecerem as etapas de produção jornalística |
Alunos de cinco e seis anos da pré-escola estão aprendendo as etapas de produção de um jornal a partir de pesquisas ao TodoDia. O projeto “Meios de Comunicação” foi criado pela psicopedagoga e coordenadora da escola Passo a Passo, Simone Djiovana Guidolin Leonardi.
O objetivo do projeto é fazer com que as crianças aprendam e se identifiquem com os meios de comunicação, segundo a psicopedagoga. Para isso, os alunos da escola Passo a Passo visitaram estúdios de rádios, bancas de jornais e revistas e o jornal TodoDia, onde aprenderam todas as etapas de produção das reportagens, até a execução do projeto gráfico.
“É preciso possibilitar à criança a oportunidade de raciocinar, conseguir autonomia moral e tornar-se uma cidadã com capacidade de agir no mundo, contribuindo com o mesmo e transformando-o”, diz Simone. As crianças chegaram a escrever uma carta aos pais, foram até uma agência do correio, onde aprenderam como funciona uma postagem.
“O que eu mais gostei do projeto foi ter ido até o jornal TodoDia e ver como faz jornal. Sempre via jornais nas bancas, mas não sabia como fazia”, comenta Letícia Conte de Abreu, 7, aluna da escola Passo a Passo.
Renan Bortoletto Ferreira, 5, acumulou conhecimento. “Gostei de tudo, de escrever a carta, de ir ao correio, na rádio e no jornal, aprendi que é importante ler, mas o que eu mais gostei foram as fotos do jornal”, conta.
JORNAL
A partir da experiência das crianças com os meios de comunicação, a escola elaborou um jornal interno, que apresentou as atividades dos alunos e que integra o projeto pedagógico. A direção da escola informou que o jornal será publicado a cada quatro meses. “Além de ser importante para as crianças, é muito esclarecedor aos pais, pois informamos no jornal todas as atividades das crianças em sala de aula e isso familiariza os pais com a escola e com o modo de educação dos filhos”, afirma Simone.
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O resgate das brincadeiras de rua
Crianças e adolescentes do Jardim da Paz, em Americana, fundaram um clube recreativo e esportivo para recuperar tradições atropeladas pela modernidade
Kelen Bueno - Americana
 Diversão: integrantes do clubinho se encontram diariamente e, antes de brincar, fazem o hasteamento da bandeira do grupo |
Em um mundo onde videogame e computador dominam a cabeça das crianças, brincadeiras infantis como “queimada”, “pique-esconde”, “pega-pega” e “passa anel” já não fazem parte do cotidiano dos baixinhos.
Nos dias de hoje, a maioria das brincadeiras de rua foram trocadas pela tecnologia. Nem todas crianças conhecem músicas como “Alecrim Dourado”, “Escravos de Jó” ou “Atirei o pau no gato” - que na versão atual, ecologicamente correta, é “Não atire o pau no gato”.
Pensando em manter a tradição e curtir o momento e a idade, um grupo de crianças e adolescentes do Jardim da Paz, em Americana, fundou o “Clubinho Recreativo e Esportivo Jardim da Paz”.
A idéia do clubinho é levar a diversão, entretenimento e responsabilidade aos integrantes. O clubinho é formado por 11 crianças e adolescentes com idade entre 7 e 15 anos. Os encontros acontecem de segunda à sexta, das 18h às 20h, e, aos sábados, das 14h às 18h.
A sede do Clubinho é na casa de Daniel Souza Soares, 8, um dos integrantes do grupo. Outro membro do clubinho, Danilo dos Santos, 6, diz que os encontros sempre viram diversão. “As reuniões são como brincadeiras na escola, só que mais descontraídas, é em casa e podemos fazer o que queremos, por isso é muito legal”, explica.
As atividades variam de acordo com uma conversa entre os integrantes do clube. Os encontros são divididos entre brincadeiras, reuniões e esportes.
O clubinho tem um protocolo. Todos os dias quando os garotos chegam, a bandeira do clube é hasteada e se iniciam as atividades. “Geralmente jogamos queimada, jogos de tabuleiro, muitas vezes assistimos a algum filme e depois discutimos a respeito. Já realizamos peças de teatro, onde tudo é elaborado por nós, o texto, o figurino, os ensaios e, depois, reunimos a turminha do bairro e realizamos a apresentação. Cobramos R$ 0,50 para ajudar no lanche do dia, servimos pipoca e suco ao pessoal. Ainda temos os passeios programados ao Parque Ecológico”, comenta o presidente do clube, Marcos Paulo Rodrigues, 15.
O clube possui uma cartilha de leis e deveres de seus seguidores. Respeito é o principal lema do clube, segundo Marcos. Entre as leis estão: “respeitar uns aos outros”, “o presidente não pode faltar aos encontros”, “ter dignidade”, e “ter respeito à bandeira”.
No clube há cargos determinados que ajudam no seu funcionamento, como o secretário financeiro que cuida do dinheiro entregue pelos integrantes para a compra do lanche. Tem o juiz que cuida de assuntos mais sérios como, por exemplo, a punição de integrante do clubinho por atos “errados”, caso seja necessário. Punição que nunca vai além de ficar fora de alguma brincadeira.
“O presidente é eleito a cada duas semanas, o que possibilita a todos os sócios concorrerem ao cargo. Cada membro tem direito a cinco cédulas de voto, podendo ou não votar no mesmo nome. A faixa presidencial deve ser usada em todas as reuniões e no hasteamento da bandeira. Nas festas do clube, a faixa deixa de ser obrigatória e passa a ser opcional”, explica Joyce Mara, integrante do clube.
Aos sábados, o esporte predomina nas atividades. Futebol é o esporte predileto dos garotos.
FUTURO
Haverá novidades no clube. Nas futuras reuniões será elaborado o hino do clube e será discutida a carteirinha. “É uma tarefa difícil, mas todo bom clube tem que ter um. Vamos começar a trabalhar isso nos próximos encontros”, conclui o presidente.
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 Marcos: lidera o grupo |
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 Joice: explica as regras do grupo |
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Vivendo como criança
Convívio, responsabilidade, sociabilidade, respeito e amadurecimento. São adjetivos que a psicóloga Micheli Pessoa atribui a este tipo de “brincadeira”. Segundo a psicóloga, o clubinho é excelente para o amadurecimento da criança. Esses garotos desenvolverão vários aspectos fundamentais para o futuro, tanto na adolescência quanto na vida adulta, segundo a especialista. “Convivendo com outras crianças, o entendimento por respeito e limite serão superados, comparado a crianças que apenas freqüentam a escola”, comenta.
De acordo com a psicóloga, dentro de um espaço como este, noções como organização, tanto profissional quanto econômica, estarão presentes no dia a dia dessas crianças sem que elas percebam. As crianças aprendem de uma forma descontraída a base de respeito, regras e, principalmente, limite.
“A bandeira do clube demonstra que essas crianças têm um espaço demarcado, só delas. Criam um espaço na sociedade, forma-se um símbolo de identificação e começam a se estruturar dessa maneira”, explica Micheli.
De acordo com a psicóloga, essas crianças serão diferentes das demais, aquelas que ficam na frente da televisão o dia todo ou daquelas que não sabem fazer outra coisa a não ser jogar videogame, terão mais facilidade de encarar a vida em muitos aspectos e isso interfere na formação psicossocial. “Que bom seria se as crianças voltassem a viver como crianças”, diz. (KB)
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