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teste
Um litro de flexibilidade
Primeiro 1.0 com motor “flex-fuel” do País, Volkswagen Fox é talhado para as ruas das cidades
Roberto Dutra/Auto Press - Rio de Janeiro (RJ)
O Fox é a grande aposta da Volkswagen para recuperar o terreno perdido no mercado brasileiro. Embora a montadora ainda tenha em suas fileiras o líder absoluto de vendas do país, o veterano Gol, em 2003 a marca ficou atrás de Fiat e General Motors na soma total da comercialização de automóveis de passeio e comerciais leves. Para resolver esse “ultraje”, nada melhor que um modelo compacto, com preço acessível e aparentemente destinado a fazer elevados volumes de venda.
Os números do Fox, embora relativamente discretos até agora, são crescentes. O carrinho começou a ser vendido em meados de outubro último e alcançou, até o final de 2003, 6.010 unidades entregues. No primeiro mês foram 508 unidades, no segundo, 2.074, e em dezembro já bateu 3.428, segundo dados do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores). No último mês de 2003, o Fox já foi o 11º carro mais vendido do País - logo atrás do Peugeot 206, que anotou pouco mais de 4 mil, e já à frente do Toyota Corolla, que teve pouco mais de 3 mil unidades entregues. Motivada por essa progressão, a Volkswagen permanece otimista e acredita que, nos próximos períodos - ainda mais com a chegada da configuração com quatro portas -, o modelinho subirá posições no “ranking” e cumprirá a missão a que está destinado - que seria brigar pelo segundo lugar com Chevrolet Corsa e Fiat Palio.
Virtudes para isso o Fox tem. É um modelo absolutamente novo, ainda traz consigo o “status” de novidade que o comprador brasileiro tanto gosta e é competitivo em seu segmento. A versão 1.0 Plus Total Flex, por exemplo, custa a partir de R$ 24.888 mil. Por esse valor, naturalmente não é muito “recheada”: traz de série como itens realmente relevantes apenas ajuste de altura para o banco do motorista, brake-light, direção hidráulica, imobilizador do motor, lavador e limpador do vidro traseiro com temporizador, e tomada 12 volts no painel. A gavetinha porta-objetos sob o banco do motorista é de fato prática, mas trata-se apenas de um porta-luvas em um lugar diferente.
Como de hábito em modelos do segmento básico, os recursos de conforto e segurança mais interessantes integram a lista de opcionais - isso quando são oferecidos. Estão lá freios com ABS, ar condicionado, trio elétrico, alarme com controle remoto, cintos dianteiros e volante com regulagem de altura, rodas de liga leve, rádio/CD-player com comandos no volante e ajuste longitudinal para o banco traseiro. Com tudo isso, porém, o Fox 1.0 Total Flex Plus chega a “salgados” R$ 36 mil. Isso sem falar em airbags, que só passará a equipar o Fox quando ele começar a ser exportado, ainda este ano.
A impulsionar essa nova roda da história da Volkswagen no país, um velho conhecido: o confiável, mas comportado, motorzinho de 1.0 litro e oito válvulas que já era usado no Gol. Lá, porém, era instalado em posição longitudinal e, no Fox, é colocado transversalmente. Melhor, já que sua limitada força é mais aproveitada. São 71 a 72cv de potência máxima a 6 mil giros e 9,1 a 9,2kgfm de torque a 4.500 giros. As pequenas diferenças surgem de acordo com o combustível a ser usado, já que trata-se de um “flex-fuel”. Por sinal, aqui reside uma pequena, mas importante, virtude dessa versão do Fox: é o único 1.0 “flex” do País e, com isso, traz a bordo a comodidade de se poder escolher seu “alimento” - fato que fala diretamente ao bolso do consumidor.
Por fora, contudo, o Fox 1.0 Total Flex é igual às outras versões. O design atraente e simpático agrada de maneira geral, mas as linhas redondinhas são mais endereçadas ao público feminino. A Volkswagen sabe que o poder “delas” na decisão de compra de automóveis aumentou expressivamente nos últimos anos e tenta aproveitar-se disso. Tanto que o marketing em torno do carro o posiciona sempre como um compacto de uso familiar - ou, mais especificamente, feminino. Esse perfil é reforçado pelo habitáculo simples, mas bem-acabado, relativamente espaçoso e cheio de porta-trecos, próprios para carregar muitos objetos.
Limitações urbanas
O Volkswagen Fox exibe uma performance absolutamente coerente com a proposta de seu projeto. Trata-se de um modelo desenvolvido fundamentalmente para ser usado no dia-a-dia, preferencialmente em perímetro urbano sob condução civilizada. Utilizado desta forma, o carrinho não mostra limitações incômodas e atende bem às expectativas.
Por fora, o carrinho exibe um visual atraente e simpático, sem no entanto ousar em demasia. O resultado é um design palatável e endereçado ao público feminino, como a Volks deseja. Por dentro, também segue esse caráter, proporcionando um espaço interno que até surpreende em se tratando de um compacto. Os materiais utilizados não transmitem uma sensação de luxo, mas parecem razoavelmente resistentes e os encaixes são bem-feitos. A grande virtude está no teto elevado, que dá um agradabilíssima sensação de amplitude e faz com que cinco ocupantes não sintam grandes justezas a bordo. Como todo compacto, porém, o ideal é transportar apenas dois ocupantes no banco traseiro.
Para o motorista, o Fox é interessante. O condutor encontra posição de dirigir agradável e um banco cômodo, no qual as pernas ficam naturalmente dobradas. O resultado prático é que mesmo várias horas passadas ali dentro não trazem muito cansaço. Além disso, a posição é alta em relação aos outros compactos. Isso reforça o aspecto agradável da condução, já que o motorista tem ótima visibilidade periférica.
Na hora de acelerar, contudo, o Fox revela limites claros. O motorzinho 1.0 “flex” herdado do Gol é confiável e robusto, mas exibe parcimônia em suas solicitações, ainda mais em baixos giros. Na cidade o carro não faz feio: disputa os espaços em pé de igualdade com os concorrentes, não requer esforços para guiar, cabe em qualquer vaga e as manobras são tranqüilas de se fazer.
Mas os 71/72cv de potência gerados a 6 mil giros e o torque de 9,1/9,2kgfm a elevadíssimos 4.500 giros já não são tão suficientes em trechos livres e estradas. Nesses “ambientes”, o modelinho não tem como acompanhar os carros maiores e deve manter-se, humilde, na pista da direita. Desta forma, garante segurança e conforto para os passageiros.
Sintomas dessas limitações são os números de desempenho do modelinho, que variam apenas discretamente de acordo com o combustível utilizado. O Fox 1.0 Total Flex cumpre o zero a 100km/h em 14,1 a 14,7 segundos e chega à máxima de 160km/h - que não é muito recomendável, já que a partir dos 130km/h o modelo “flutua” um pouco. De toda forma, vale destacar que o Fox transmite boa sensação de segurança através da suspensão durinha, que não deixa o carro “rebolar” nas curvas e dá uma cômoda sensação de solidez. Na hora de abastecer, o Fox não fez feio: média de 8,9km/l com álcool, 10,7km/l com gasolina e 9,8km/l no “meio-a-meio”. (Roberto Dutra/AP)
Ficha técnica
Volkswagen Fox 1.0 Total Flex
Motor: A gasolina e álcool em qualquer proporção, dianteiro, transversal, 999cc, quatro cilindros em linha, oito válvulas e comando simples de válvulas no cabeçote. Alimentado por injeção eletrônica multiponto.
Transmissão: Câmbio mecânico de cinco marchas à frente e uma à ré. Tração dianteira.
Potência máxima: 71/72cv a 6 mil rpm.
Torque máximo: 9,1/9,2kgfm a 4.500rpm.
Diâmetro e curso: 67,1mm X 70,6mm. Taxa de compressão de 10,5:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com molas helicoidais, amortecedores e barra estabilizadora. Traseira independente com braços longitudinais, molas helicoidais e amortecedores.
Freios: Discos ventilados na frente e tambores na traseira.
Carroceria: Compacto hatchback com duas portas e cinco lugares. Comprimento de 3,80m, largura de 1,64m e altura de 1,54m. Entre-eixos de 2,46m.
Peso: 1.402kg com 440kg de carga útil.
Capacidade do porta-malas: 260 litros.
Capacidade do tanque de combustível: 50 litros.
Instantâneas
- O Volkswagen Fox começou a ser desenvolvido em 1998 e inicialmente recebeu o nome de Projeto Tupiniquim.
- O desenvolvimento do Fox exigiu investimentos de R$ 870 milhões por parte da Volkswagen.
- O Fox é produzido na fábrica da Volkswagen e da Audi de São José dos Pinhais, no Paraná. Na mesma unidade são fabricados os modelos Golf e Audi A3 e um pequeno volume da pick-up Saveiro.
- O Fox deverá ser exportado para países da América Latina e da África ainda este ano. No ano que vem, começa a ser enviado também para a Europa. As unidades a serem exportadas serão produzidas em São Bernardo do Campo, São Paulo - a produção por lá foi fruto de negociações com entidade sindicais.
- O teto e a tampa interna do porta-malas do Fox têm o revestimento feito em fibra de folha de curauá, uma planta nativa da Amazônia da família do abacaxi.
- O acionamento dos faróis do Fox por meio de uma haste que sai da coluna de direção foi uma quebra de tradição nos carros nacionais da Volks, cujos faróis sempre foram acionados por botões no painel.
- A Volkswagen deverá produzir ainda este ano duas novas versões do Fox: o “crossover” Crossfox e o “esportivo” Fox Pepper.
Giro Rápido
Passaporte cassado
O novo Audi A3 tem poucas chances de ganhar cidadania brasileira. Segundo a Audi, a nova geração do modelo só será produzida na Alemanha e dificilmente será montado em São José dos Pinhais, no Paraná. A produção por lá começa no segundo semestre deste ano e o modelo europeu deverá ser importado para o mercado nacional no ano que vem, quando o atual A3 deixará de ser feito também no Paraná.
Crescimento localizado
A Toyota mostrou, no ano passado, que não está mesmo para brincadeiras. A marca japonesa anotou crescimento de 10% nas vendas no mercado europeu em 2003. Graças aos modelos Yaris e RAV4, a montadora fechou o ano com 834.661 unidades comercializadas no Velho Continente - foi o sétimo ano consecutivo em recorde de vendas. Com isso, a japonesa passou a deter 4,7% de participação do mercado europeu e no mercado mundial se aproxima cada vez mais da Ford, segunda montadora em vendas do planeta.
Felino revigorado
Novos detalhes no interior e melhorias na estrutura são as novidades apresentadas no Jaguar S-Type 2005. O sedã ganhou novo motor turbo-diesel V6 de 2.7 litros e a suspensão foi recalibrada. O carro começa a ser vendido na Europa a partir de abril e chegará ao mercado brasileiro no segundo semestre de 2004.
Liderança inconteste
Com 11,1% de participação, a Renault manteve, pelo sexto ano consecutivo, a liderança no mercado europeu de veículos de passeio e utilitários. A montadora é líder na França, Espanha e Portugal, além de ter conseguido conquistar o primeiro lugar nas vendas de veículos a diesel, com 794.200 unidades comercializadas.
Conceito de série
A Suzuki apresentou no Salão de Detroit sua nova aposta para o mercado americano: o compacto Reno. O modelo utiliza a plataforma do Daewoo Laccetti e tem design desenvolvido pelo estúdio Pininfarina. O carro foi exibido como conceito, mas já tem data para chegar às lojas: começa a ser vendido ainda este ano nos Estados Unidos e seu preço deve ficar na faixa de US$ 13 mil.
Leão febril
O compacto 206 acaba de ganhar uma nova versão na Europa. É o 206 Fever, que ostenta um aspecto mais esportivo. Por fora, tem saias laterais e spoiler. Por dentro, recebe bancos em forma de concha e acabamentos polidos. Mas sob o capô o ímpeto é contido: terá motores de 1.1 e 1.4 litros. Para impulsionar as vendas da nova versão, a Peugeot oferecerá um ano de seguro grátis para os compradores com idades entre 21 e 80 anos.
Fantasma em festa
O Rolls-Royce Phantom comemorou, no Salão de Detroit, o primeiro aniversário de produção. Com um total de 481 unidades fabricadas, o carro prima pelo zelo da confecção da marca - são produzidas apenas cinco unidades por dia. O ano de 2004 marca também o centenário da renomada marca inglesa, que prepara um “tour” pelo mundo. O começou será na Nova Zelândia e o fim, nos Estados Unidos. O Brasil não está no percurso.
Espaço virtual
A Abla (Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis) está de site novo. No www.abla.com.br, os interessados podem obter variadas informações sobre o aluguel de carros. O espaço virtual dá suporte para quem trabalha no setor de locação de veículos, além de oferecer uma área restrita para locadoras, com tabelas de preço e principais indicadores de desempenho regional.
Vigor renovado
A Renault começa o ano com novidades no modelo Kangoo. O carro passa a contar também com o motor 1.6 16 válvulas, com potência reduzida de 110cv para 95cv, que substitui o “antigo” 1.6 oito válvulas de 90cv na versão RT. As outras continuam com o 1.6 oito válvulas, mas a montadora promete o multiválvulas também na versão RN ainda este ano. Além delas, o Kangoo também é comercializado com motor 1.0 16 válvulas, de 70cv.
Marco histórico
No ano em que comemora 40 anos, a Lamborghini alcançou um marco histórico. A montadora italiana fabricou 1.305 carros, contra o antigo recorde de 672 unidades em 1991. Nos próximos anos, a Lamborghini pretende melhorar o resultado com o lançamento de mais um veículo. Atualmente, a marca fabrica os modelos Murciélago e Gallardo.
serviço
O show do milhão
Mercado de motos deverá atingir produção histórica em 2004 e ficar ainda mais competitivo
Roberto Dutra/Auto Press - Rio de Janeiro (RJ)
A indústria brasileira de motocicletas manteve o crescimento em 2003: foram produzidos pouco mais de 954 mil veículos de duas rodas, volume 10,8% maior que as 861 mil de 2002. Embora seja um belíssimo índice para um ano dado como perdido pela maioria dos segmentos da economia brasileira, o setor se surpreendeu por não ter atingido a marca de um milhão de unidades produzidas no país. As montadoras davam essa meta como favas contadas, mas pequenas - porém contínuas - retrações de mercado na reta final do ano impediram que acontecesse. O otimismo, contudo, não foi abandonado e os fabricantes acreditam que esse objetivo será atingido em 2004.
Apenas uma inesperada grande crise impediria. Mas nisso as montadoras brasileiras não querem nem pensar. E apostam na produção impulsionada por um mercado que mais que multiplicou por 12 suas vendas no período relativamente curto de dez anos - de 67 mil em 1993 para 848 mil no ano passado. As previsões para 2004 apontam para 1,05 milhão de motocicletas produzidas, com 940 mil unidades destinadas ao mercado interno e 110 mil para a exportação. “Este ano será ainda melhor que 2003 e o crescimento poderá chegar a 11%”, projeta Yuji Horie, presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas).
O otimismo é mesmo a marca do setor. A indústria automotiva, por exemplo, sofreu com chuvas e trovoadas nos últimos anos. Reclamou, chorou, negociou cada centavo, viu as vendas subirem e depois descerem. Nesse mesmo período, os negócios com motos estabilizaram-se, em momento algum deixaram de mostrar tendência de crescimento e mesmo nos meses de queda as perspectivas positivas foram mantidas. “O crescimento contínuo é a busca do mercado. As eventuais reduções não são encaradas com absoluta tranquilidade, mas servem como base para a condução de novos estudos”, explica o diretor executivo da Abraciclo, Moacyr Paes.
As projeções otimistas, contudo, não se limitam às marcas que atuam nos segmentos de base - os que, naturalmente, registram os volumes mais expressivos. Também a marcas “top” de linha acreditam que o mercado brasileiro passa por um momento especialmente atraente e buscam ampliar seu espaço por aqui. A Harley-Davidson, por exemplo, fechou 2003 com 600 unidades vendidas e pretende dobrar esse volume em 2004. “Com o aumento nos preços dos carros aliado a uma baixa na taxa de juros e a uma atitude psicológica favorável, as pessoas terão mais coragem de se endividar e deveremos ter um forte incremento nas vendas”, prevê, otimista, o presidente da Izzo Motorcycles, Paulo Izzo.
O pensamento positivo para 2004 vale não só para o mercado doméstico, mas também para outros negócios. O principal deles é a exportação de motocicletas. Os volumes ainda são modestos, mas já mostram evolução gritante: foram 100.440 unidades exportadas em 2003, volume 67% superior às 68.050 unidades do ano anterior. A abertura de novos negócios pode garantir ganho de escala e maior rentabilidade e sustentação do negócio. “O produto brasileiro tem qualidade para conquistar novos mercados e estamos investindo nisso”, afirma Kazuo Nozawa, da Honda.
Mas os olhos dos fabricantes e dos importadores não deixam de estar mais voltados para dentro do País. O segmento que mais vende, o das motos de até 125 cilindradas promete ficar mais competitivo este ano, já que pelo menos cinco novos modelos devem chegar ao mercado e disputar a preferência do consumidor com os já existentes. Como brigar com a líder absoluta Honda CG 125 Titan e com a bem-sucedida Yamaha YBR 125 seria tarefa hercúlea, a idéia é sempre atacar em nichos. “Segmentar é uma estratégia eficiente para quem tem estrutura e produção enxutas”, explica o diretor presidente da J. Toledo Suzuki Motos do Brasil, João Toledo.
Identidade popular
O Brasil não é apenas o país dos carros “populares” - aqueles com motores de até um litro. É, também, o país das motocicletas “populares”, aquelas com motores de até 125 cilindradas. As vendas nesse segmento são o principal negócio dos fabricantes nacionais e dão sustentação a todas as outras operações do setor.
Os números falam por si mesmos. A moto mais vendida do país é a Honda CG 125 Titan, que sozinha soma uma média de 32 mil unidades entregues por mês e abiscoita 48% do mercado de motos do país. Os três modelos mais vendidos do país depois dela - a Honda C100 Biz, a Yamaha YBR 125 e a NXR 125 Bros û, abocanham somadas mais 34,8% do mercado.
Tirando as quatro, sobram pouco mais de 17% de mercado - que são disputados por quase 100 diferentes modelos, cujas participações raras vezes beiram 1%. Para completar, segundo dados da Abraciclo - entidade que reúne os fabricantes brasileiros de motocicletas -, apenas 5% das motos vendidas no País têm motores com mais de 125cc.
Como nada é por acaso, há uma explicação bastante lógica para isso. O fator fundamental é o preço. As motos de 125 cilindradas custam entre R$ 3,8 mil e R$ 4,9 mil, valores baixos em se tratando de veículos zero-quilômetro. Além disso, os consórcios e financiamentos facilitam significativamente a compra de uma motocicleta - é possível fazê-lo com menos de R$ 100 por mês. Aí, não fica tão difícil. (Roberto Dutra/AP)
Instantâneas
- O mercado brasileiro de motocicletas é disputado atualmente por mais de 20 diferentes marcas, que comercializam mais de 200 diferentes modelos.
- A Suzuki tem um consórcio com entrega programada que garante a retirada da moto no quinto mês, independentemente de sorteio ou lance.
- Honda e Yamaha, juntas, são responsáveis por 97% da produção brasileira de motocicletas, enquanto as outras nove marcas disputam os 3% restantes.
- A única fábrica da Harley-Davidson fora dos Estados Unidos é a brasileira, comandada pelo grupo Izzo Motorcycles. A matriz fica em Milwaukee.
- O índice de nacionalização das motocicletas nacionais de 125 cilindradas é de 95%, em média. Para as motos maiores, varia de 60% a 85%.
- A motocicleta mais vendida do país, a Honda CG 125 Titan, vendeu em 2003 exatamente 403.291 unidades - média de 33,6 mil unidades por mês.
perfil
Desembarque limitado
Dos muitos modelos apresentados no Salão de Detroit, poucos vão desfilar pelas ruas brasileiras
Fernando Miragaya/Auto Press - Rio de Janeiro (RJ)
O Salão de Detroit mostrou diversos modelos, em sua maioria, voltados para o gosto do público americano. Mesmo assim, entre os sport-utilities, sedãs grandalhões e esportivos, alguns vão dar as caras no Brasil. É claro que, se comparado ao volume de novidades mostradas no motorshow ianque, serão bem poucos os veículos que o “terceiro mundo” vai ter a oportunidade de conferir. E mesmo assim, os modelos que para cá virão também serão para poucas e privilegiadas garagens. A maioria chegará com preços bem superiores aos R$ 100 mil.
Entre essas caras novidades, dois modelos já conhecidos por aqui mas que ganharam novas gerações, debutadas em Detroit. Uma delas é a nova Nissan Pathfinder, que chega custando por volta de R$ 170 mil no segundo semestre deste ano. O utilitário esportivo da marca japonesa pertencente à Renault ficou com um desenho mais robusto, herdado da Pathfinder Armada, uma versão maior do modelo baseada na pick-up grande Titan. E isso fica claro também nos números. O entre-eixos da Pathfinder ficou 14cm maior, totalizando agora 2,84m, ao mesmo tempo em que o modelo está 8cm mais comprido e 4cm mais alto - 4,76m e 1,77m respectivamente no total - em relação à versão anterior
Além disso, a nova geração do sport-utility ganhou uma terceira fileira de bancos e um propulsor 4.0 litros com seis cilindros em “V” que gera 250cv. Para o Brasil, porém, deve ser mantida a importação apenas da versão com motor 3.5 V6 de 240cv. Outro veículo bem conhecido dos brasileiros é a Grand Caravan. A minivan da Chrysler ganhou leves modificações no conjunto ótico frontal e nos faróis de neblina, manteve os mesmos motores - inclusive o V6 3.3 litros de 182cv que vem para o Brasil - e a mesma dimensão mas ganhou um novo sistema de bancos chamado “Stown’Go” que possibilita rebater a segunda e a terceira fileiras totalmente no nível do assoalho. De acordo com a montadora, é possível fazer esta operação em apenas 30 segundos. A minivan deve chegar por mais de R$ 160 mil.
Já um modelo existente que foi apenas esticado é o Jeep Wrangler. Mas não que ele tenha ganho uma nova “geração”. Sob a alcunha de Unlimited, o veículo vai chegar ao Brasil possivelmente no primeiro semestre do ano que vem, a preços em torno de R$ 150 mil, com 25cm a mais no entre-eixos em relação ao modelo “normal”, totalizando 2,61m. O motor é o mesmo 2.4 litros que gera 147cv de potência a 5.200rpm e torque máximo de 22,3kgfm a 4 mil giros. E como carro grande não faltou em Detroit, outro modelo on/off-road que pode dar o ar da graça no Brasil é o Ford Freestyle. O crossover tem possibilidade de chegar ao Brasil para ocupar o espaço deixado pela Explorer, que deixou de ser importada. Confirmando-se a vinda do Freestyle, ele não chegaria por menos de R$ 100 mil. Concorreria com o Mitsubishi Airtrek, que custa em torno de R$ 105 mil.
De qualquer forma, mais certo para o Brasil é a vinda do PT Cruiser Convertible. A versão conversível do modelo retrô da Chrysler vai chegar às terras tupiniquins com preços em torno dos R$ 140 mil e a mesma opção de motor do PT Cruiser com capota vendido no Brasil: um propulsor 2.0 litros 16 válvulas de 141cv.
Máquinas dos sonhos
Alguns modelos que fizeram os olhos do público americano brilhar no Salão de Detroit também vão levar brasileiros abonados e aficionados a reservarem muitos milhares de dólares. Entre os esportivos e conversíveis presentes no motorshow, dois modelos que debutaram no evento ianque devem chegar ao Brasil no final deste ano ou início de 2005. Um deles é a Ferrari 612 Scaglietti. O modelo até destoa um pouco dos modelos da mítica marca italiana por ser mais comprido. A nova “machina” da Ferrari é 14cm maior que a 456 M, por exemplo, e chega a 4,90m de comprimento.
No mais, a Scaglietti tem estrutura toda em alumínio, o que facilita ainda mais o desempenho do motor V12, o mesmo que equipa a 575 Maranello. No 612, esse propulsor gera 540cv de potência, 25cv a mais que na 575. Com isso, sai da inércia e atinge os 100km/h em 4,2 segundos e alcança a máxima de 319km/h.
Os números de dólares necessários para se ter uma Scaglietti no Brasil são mais assustadores: em torno de US$ 500 mil - cerca de R$ 1,45 milhão. Por um pouco menos, porém, vai ser possível levar a BMW 645 Cabrio, que também teve sua world premiére em Detroit. A versão sem capota da nova Série 6 vai desembarcar por aqui com seu motor 4.4 litros de 333cv e deve custar cerca de US$ 400 mil - no Brasil com os impostos, cerca de R$ 1,15 milhão. Além disso, o modelo conversível tem opção de suspensão eletrônica, câmbio sequencial de seis velocidades, som com comandos no volante e ainda pode receber rodas aro 19. (Fernando Miragaya/AP)
Instantâneas
- Nos Estados Unidos, a Caravan e a Grand Caravan são comercializadas pela marca Dodge, que faz parte do grupo Daimler-Chrysler.
- Além da nova Pathfinder, a Nissan também apresentou em Detroit a nova Frontier. A pick-up média é fabricada no Brasil mas só deve incorporar as modificações do modelo americano a partir de 2006.
- A nova Ferrari 612 Scaglietti que estreou em Detroit marca os 50 anos de atuação da marca nos Estados Unidos e é uma homenagem a Sérgio Scaglietti, engenheiro chefe da montadora nos anos 50 e 60.
- No mercado norte-americano, o Chrysler PT Cruiser possui uma versão esportiva, chamada GT Cruiser, com motor 2.4 litros 16 válvulas e 220cv a 5.100 giros.
- De acordo com a montadora norte-americana, a Chrysler Grand Caravan possui 256 diferentes configurações dos assentos.
- Com o Unlimited, o Jeep Wrangler tem agora seis versões comercializadas no mercado ianque, onde conta com os modelos SE, X, Sport, Sahara e Rubicon.
- A Chrysler mostrou outra versão conversível de um modelo seu no Salão de Detroit: o Crossfire Roadster.
- O Ford Freestyle foi mostrado como conceito no Salão de Detroit do ano passado.
- A Volvo apresentou ao público americano a nova geração do S40 e o novo V50. Os modelos, que devem chegar ao Brasil já este ano, já tinham sido mostrados em outros salões.
mundo
Modernidade compulsória
Merdedes-Benz apresenta em Detroit a segunda geração do seu pequeno roadster conversível SLK
Luiz Almeida/Auto Press - Rio de Janeiro (RJ)
Um dia, até o carro mais glamouroso envelhece. Por isso, a Mercedes-Benz tratou de apresentar em Detroit a segunda geração do seu pequeno roadster conversível SLK, lançado em 1996. A reestilização foi completa e o cupê-conversível da marca alemã ainda ganhou motores mais potentes. A idéia é recuperar o terreno perdido para os rivais Audi TT, BMW Z4 e Lexus SC430, explicitamente mais modernos que o SLK atual. Em março, com o lançamento do pequeno esportivo ao mercado norte-americano, a Mercedes espera começar a virar este jogo. Para ganhar poder de fogo, o SLK chega em trêsversões de motores: a “básica” 200 Kompressor, a intermediária 350 e a superesportiva 55 AMG.
A versão 200 K tem o já conhecido motor de 2.0 litros, quatro cilindros em linha sobrealimentado por compressor mecânico com 163cv de potência. Ele pode ter transmissão mecânica de seis marchas ou automática seqüencial de cinco velocidades. Já a SLK 350 tem um novo motor V6 de 272cv e 36,4kgfm de torque, com 3.5 litros. Esse propulsor é o primeiro da montadora a ter comando variável de válvulas tanto na admissão e quanto na exaustão. A transmissão é automática de seis marchas, mas o modelo pode receber um câmbio manual sequencial de sete velocidades com acionamento por botões no volante. Com a transmissão normal, a versão 350 cumpre o zero a 100km/h em 5,6s. Com o seqüencial, são 5,5 segundos.
A versão mais “apimentada” do SLK, a 55 AMG, tem o tradicional motor 5.0 V8 da Mercedes “anabolizado” pela divisão de preparação de motores AMG. Ele passa a ostentar 5.4 litros e garante 360cv de potência e 53,1kgfm de torque, que levam o carro a acelerar de zero a 100km/h em parcos 4,8 segundos. O modelo “top” de linha traz de série a transmissão de sete velocidades no volante.
Mas as mudanças externas do SLK foram as mais significativas. O design segue a tendência inaugurada com a SL 500 em 2001, com vincos arredondados bem acentuados e frente muito baixa. Na dianteira, as duas saliências do descem até a grade do motor, onde está o logo da montadora. O novo design atingiu o jogo ótico, com faróis e lanternas nas extremidades cobertos por sobrelentes alongadas e de contornos arredondados. Nos retrovisores foram mantidos os piscas embutidos. O pára-choque ficou um pouco mais robusto e ostenta três entradas de ar auxiliares, além de faróis de neblina.
Ainda na parte externa, carro ganhou novas dimensões, com mais 7cm de comprimento - são 4,17 metros, contra 4,10m do modelo antigo. A largura passou de 1,72m para 1,78m e o entre-eixos, que antes era de 2,40m, foi para 2,43m. O porta-malas também aumentou a capacidade de carga: com a capota abaixada - o que ocupa boa parte do bagageiro, o conversível comporta 208 litros, contra 145 litros da versão anterior. Com a capota levantada, a capacidade sobe para 300 litros - 237 litros no antigo. O acionamento do teto rígido é feito por controle remoto ou por um botão no painel de controle e, de acordo com a montadora, leva 22 segundos.
Na traseira, o modelo perdeu as antigas lanternas triangulares. Na versão atual, elas são bem alongadas e levemente retangulares, mas com contornos arredondados. Partem do final do pára-lamas e chegam até o início da tampa do porta-malas, onde está o brake-light - que, por sua vez, continua centralizado na parte superior.
Na parte interna, os botões de comando e outros elementos decorativos metálicos contrastam com a forração de couro negro do painel de instrumentos. O carro pode receber seis diferentes tonalidades no estofamento de couro dos bancos e no restante do interior. Entre os itens de série estão rádio/CD player, trio elétrico e airbags frontais. E pensando nas temperaturas geladas dos mercados europeu e americano, a Mercedes-Benz instalou um sistema de ar quente para que os ocupantes não sintam frio mesmo estando com a capota arriada.
Entre os itens de segurança, a novidade fica por conta dos airbags frontais de duplo estágio, que funcionam com acionamento proporcional ao impacto. O carro ainda possui barras de proteção laterais e arcos embutidos atrás dos bancos - que se projetam em caso de capotamento. O novo SLK deve chegar ao Brasil no segundo semestre deste ano como modelo 2005. Atualmente, o veículo é importado com preços de US$ 85 mil para o 200 Kompressor e US$ 93 mil para o 350, cerca de R$ 242,2 mil e R$ 265 mil. O novo modelo 55 AMG, ainda inédito, deve chegar por aqui custando US$ 110 mil - aproximadamente R$ 300 mil.
lexus
O preço da liderança
Luiz Almeida/Auto Press - Rio de Janeiro (RJ)
Até pouco tempo, a Lexus era agia como um franco-atirador no mercado de luxo. Mas o sucesso está forçando a marca criada pela Toyota a tentar defender o seu quinhão no mercado americano, onde hoje está à frente de Mercedes, BMW e Audi. Daí a Lexus correr para lançar a terceira geração dos sedãs esportivos GS 300 e GS 430, mostrados no último Salão de Detroit. A linha, que nasceu em 1992 e entra agora na terceira geração, concorre com os modelos BMW Série 5, Mercedes Classe E e Audi A6. Os novos GS começam a ser vendidos no segundo semestre de 2005 na Europa e Estados Unidos.
A renovação foi de cabo a rabo e vários apetrechos são inéditos. Caso do sistema Vehicle Dynamic Management û gerenciador dinâmico do veículo, em inglês. Na prática, trata-se de uma central eletrônica que monitora o comportamento do carro e, através de sensores, corrige a trajetória do automóvel em casos de derrapagens, operando os controles de estabilidade e de tração conjuntamente. Outra novidade é a câmara instalada na traseira do sedã para ajudar nas manobras. As imagens captadas por ela são mostradas na tela de cristal líquido instalada no console frontal - que, por sinal, também exibe as informações do sistema de navegação por satélite, o GPS.
Entre as tecnologias oferecidas pela terceira geração do Lexus GS está o acesso inteligente, que abre e fecha as portas dos carros através da proximidade de um cartão eletrônico. Já a partida é feita através de um botão “start” de ignição no painel. Os modelos contam ainda com monitoramento eletrônico dos pneus que indica se algum deles está descalibrado ou até mesmo gasto.
Ainda na área de segurança, o modelo trás oito airbags: frontais, de joelho, laterais e de janela. Eles são de duplo estágio, para que a intensidade de acionamento seja dosada de acordo com a força do impacto. Como opcional, os sedãs ainda podem receber um conjunto de sensores que detectam obstáculos à frente do veículo e acionam um sistema que ativa a retração dos cintos de segurança e um assistente de frenagem.
Por fora, os modelos exibem comprimento total de 4,82 metros, com altura de 1,42m e largura de 1,82m. Em relação aos antecessores, o entre-eixos aumentou de 2,79m para 2,84m. Os carros têm teto solar e apresentam um design com linhas levemente arredondadas. Abaixo das portas, pequenas saias reforçam o caráter “apimentado”. Já os conjuntos óticos são compostos por pares em cada canto, porém abrigados por molduras independentes. Isso porque os faróis externos acompanham a trajetória do carro nas curvas.
Na dianteira, o GS 300 e GS 430 têm o capô cortado por dois pequenos vincos e um saliente corte que o separa do pára-lamas, deixando a frente discretamente abaulada. A grade do motor tem a forma de um trapézio invertido com o logo da marca centralizado. O carro ainda apresenta pára-choque envolvente com faróis de neblina embutidos e também três entradas de ar auxiliares.
Atrás, a “bossa” é caimento traseiro, que imita a de um cupê - recurso estético ainda pouco comum em sedãs um tanto “sisudos” como os da Lexus. Na tampa do porta-malas, uma pequena protuberância faz as vezes de aerofólio. Já as lanternas têm formato retangular com cantos arredondados e se estendem até parte da tampa. O pára-choque é bojudo e abriga na parte inferior duas discretas saídas de escapamento.
Os modelos terão duas opções de motor. A mais “comportada” tem seis cilindros em V, 3.0 litros e garante uma potência de 245cv e torque de 30,8kgfm. A versão mais “acalorada” dispõe de motor V8 de 4.3 litros, que rende 300cv e torque de 43,9kgfm. As duas versões serão equipadas com transmissões automáticas de seis velocidades com modo seqüencial manual. Nos Estados Unidos, o GS 300 é vendido hoje a US$ 39,3 mil e o GS 430 a US$ 48,4 mil - R$ 112 mil e R$ 137,9 mil, aproximadamente. Se fossem importados para o Brasil, custariam o dobro disso.
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