Domingo, 04 de Julho de 2004
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MOTO

Honda tem projeto de moto de baixo preço


Motocicleta popular deve ter custo na faixa de R$ 2,8 mil

Cleide Silva/AE - São Paulo (SP)

Arquivo/TodoDia Imagem
MOTOCICLETA: Honda projeta fabricação de veículos sem itens considerados sofisticados
A Moto Honda da Amazônia deve incluir, em projetos futuros, a produção de uma motocicleta popular, que hoje custaria na faixa de R$ 2,8 mil. Destinada aos consumidores de baixa renda, classificados como classe E, o produto seria despojado de itens considerados sofisticados, como painel completo e peças cromadas. Hoje, a moto mais barata da marca, a C100 Biz, custa R$ 3.890. Segundo revendedores, os modelos Biz e CG 125, que estão entre os mais vendidos da marca, têm acabamento sofisticado. O novo produto estaria nessa faixa de cilindradas, mas ‘‘sem luxo, totalmente básica’’, disse um concessionário.

O projeto foi discutido na semana passada entre revendedores da marca em São Paulo e diretores da empresa, responsável por 86% do mercado de motocicletas no País. A Honda não confirma a informação. A moto popular seria inspirada em veículos atualmente vendidos pela montadora em países como Tailândia, China e Índia, que custam entre US$ 800 e US$ 900. ‘‘Em seu plano de expansão no Brasil para os próximos anos, a Honda pretende colocar no mercado produtos com custos ainda mais baixos que os atuais’’, afirmou o sócio-diretor da revenda Comstar, Marcelo Bessa.

Este ano, a empresa está investindo US$ 30 milhões para ampliar a fábrica de Manaus, que, sozinha, terá capacidade para produzir um milhão de motos ao ano.

O mercado de motocicletas apresenta crescimento desde 1999. Naquele ano, foram vendidas 441,5 mil unidades, volume que alcançou 848,3 mil unidades em 2003 e deve chegar a 940 mil neste ano. Com exportações, o setor vai bater a marca de um milhão de unidades. Até maio, os negócios somam 421.075 unidades, 6,8% a mais que em igual período do ano passado, segundo dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas).


GOLFO DO MÉXICO

Petrobras encontra mais petróleo


Agência EFE - Rio de Janeiro (RJ)

A Petrobras anunciou na sexta-feira uma descoberta de petróleo em águas americanas do Golfo do México, onde opera uma concessão junto a outras empresas internacionais. A Petrobras explicou em comunicado que o consórcio fez novas perfurações em um poço pioneiro de avaliação na jazida de St Mau, no bloco ‘‘Walker Ridge 678’’, em águas ultra-profundas do Golfo.

Os novos testes detectaram uma área produtora de petróleo de uma espessura superior a 120m, abaixo do poço descobridor, ‘‘o que indica a existência de um acúmulo de petróleo ainda maior que o estimada originalmente’’.

A Petrobras opera no golfo do México através de sua subsidiária Petrobras America Inc, com sede em Houston. Os resultados preliminares estão sendo avaliados para determinar a magnitude da jazida, segundo a informação. A nova exploração, a um custo de US$ 31 milhões, foi feita no poço Dana Point, que havia sido considerado seco no início de 2001, quando foi perfurado até 8.818 metros.

No bloco ‘‘Walter Ridge 678’’, a Petrobras possui 25% das ações de um consórcio com as americanas Unocal Corporation (28,75%), Devon Energy Corporation (22,5%), Chevrontexaco Corporation (12,5%), EnCana Gulf of México LLC (6,25%), Exxonmobil (3,75%) e a italiana Eni Spa (1,25%).

A jazida de St Mau foi detectada em outubro de 2003 e os resultados de agora corroboram o sucesso da estratégia da Petrobras no Golfo do México, onde o consórcio também testou com sucesso os poços Cascade e Chinook, segundo o comunicado.

A Petrobras tem previstas novas perfurações na área até o fim do ano e este descobrimento e a futura extração de petróleo na zona contribuem para os objetivos do Plano Estratégico da empresa, segundo o comunicado. A empresa pretende produzir petróleo do Golfo do México e em outras oito frentes internacionais até somar 500 mil barris por dia nos próximos anos.


BIODIESEL

Mamona vai iluminar sertão do Ceará


Carmen Pompeu/AE - Quixeramobim (CE)

Em Serrinha de Santa Maria, no sertão cearense, o ferro ainda é a brasa, o fogão a lenha, a TV a bateria de carro. A iluminação vem de lamparina. O maior passatempo é debulhar o feijão e falar da vida alheia. Os mais jovens, eventualmente, vão dançar em algum forró pé-de-serra, daqueles animados por sanfona, triângulo e zabumba. Sem direito a som amplificado, porque o poste de energia elétrica mais próximo fica duas serras adiante, a 20 quilômetros dali, na fazenda Normal.

Neste mês, no entanto, tudo irá mudar neste pedacinho do Brasil - onde Educação, por exemplo, é sinônimo de, no máximo, aulas até a 4ª série do ensino fundamental. É que a comunidade, formada por 40 famílias de agricultores, servirá de piloto para um projeto inédito no País. Serrinha será o primeiro lugar a receber energia gerada a partir de biodiesel à base de mamona.

A usina de produção do combustível já está sendo instalada na fazenda Normal, no distrito de Uruquê, a 201 quilômetros de Fortaleza e a 20 de Serrinha. Mas o assunto é encarado com cautela pelos moradores. De difícil acesso, a comunidade vive praticamente isolada, no alto de uma serra. A população resistiu à idéia, inicialmente. Mas começou a ceder e a fazer planos.

A agricultora aposentada, Maria da Silva Nascimento, 66, pensa em comprar uma geladeira - a única do lugar fica na mercearia e funciona a gás. A agente de saúde Edileuza Farias Duarte, 33, sonha em fazer vitaminas no liquidificador para o filho, Cássio, 7. Este, por sua vez, torce por uma TV em que possa ver o colorido dos desenhos animados.

CONSÓRCIO

De acordo com o técnico agrícola Whertas Saldanha Freire, todas as necessidades dos moradores foram levadas em conta na elaboração do projeto, que está sendo tocado por um consórcio de cinco empresas, liderado pela CGE (Ceará Geradora de Energia) e com investimentos de R$ 1,5 milhão.



400l de óleo por dia


Na fazenda Normal, administrada pela Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará), está o maquinário para a extração de óleo e de produção do biodiesel, além do plantio da mamona em 70 hectares. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) responde pela plantação e pela colheita.

A previsão é produzir 1,5 mil quilos/ha, o que deverá render 400 litros de óleo de mamona por dia. O biodiesel será levado em galões para abastecer um gerador de 81 KVA, que ficará na comunidade e será suficiente para mover um motor de irrigação e os eletrodomésticos.

O cultivo da mamona não fazia parte da cultura local, onde a tradição era a pecuária leiteira e o plantio do algodão -dizimado pela praga do bicudo. A cultura da mamona foi introduzida com o projeto. Optou-se pela variedade nordestina mais resistente ao clima seco característico do Sertão Central cearense.

Handerzon Palma, gerente de projetos do consórcio, diz que a tecnologia do biodiesel já existe e a extração do óleo da mamona também. Mas na geração de energia o processo é inédito. O interesse das empresas participantes, segundo ele, é em buscar formas alternativas de energia. Palma explica que o contrato de algumas delas com a Comercializadora Brasileira de Energia Elétrica para fornecer eletricidade (estabelecido por ocasião do racionamento de 2001) vence no final deste ano.

CUSTO ALTO

Após uma avaliação do impacto econômico e social na comunidade de Serrinha, Palma diz que haverá a possibilidade de reproduzir a experiência em outros locais isolados, principalmente na Amazônia. Apesar do custo ainda ser alto - três vezes mais do que a energia comum -, Palma acredita na viabilidade do projeto. De acordo com ele, a idéia é trabalhar com o apelo ecológico, uma vez a energia gerada a partir do biodiesel é limpa e, portanto, reduzirá a poluição. (AE)



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