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ETA
Conselho da ONU pode emendar condenação
Resolução acusa grupo espanhol pelos atentados de Madri
Agência EFE - Washington (EUA)
A ONU assinalou anteontem que é uma decisão do Conselho de Segurança emendar ou não a resolução em que condena os atentados ‘‘cometidos em Madri no dia 11 de março de 2004 pelo grupo terrorista ETA’’, caso se confirme que esta organização armada não perpetrou os ataques. De acordo com o porta-voz da ONU, Fred Eckhard, o secretário-geral, Kofi Annan, não tinha voz no assunto das retificações porque eram os membros do Conselho de Segurança quem podem fazê-las se achar necessário. ‘‘Não lembro nada parecido nos últimos anos. O Conselho de Segurança é dono de seus procedimentos e de suas ações’’, disse Eckhard ante as insistentes perguntas dos jornalistas sobre como seria possível corrigir o texto caso se confirmasse que a ETA não é responsável pelos atentados de Madri.
O atual presidente do Conselho de Segurança, o embaixador francês Jean-Marc de la Sabliere, disse anteontem, por sua vez, que este órgão máximo de decisão da ONU ‘‘não tem previsto realizar nenhuma retificação à condenação de ontem (anteontem)’. Eckhard informou, por outro lado, que o secretário-geral entrou em contato com o presidente do governo espanhol, José María Aznar, e o rei Juan Carlos I anteontem à noite para expressar pessoalmente suas condolências. Os 15 membros do Conselho de Segurança adotaram na quinta-feira por unanimidade uma resolução de condenação dos atentados na qual pedia aos estados membros que colaborassem com os esforços para encontrar e levar à justiça seus autores.
O terceiro parágrafo do texto afirma: ‘‘o Conselho de Segurança condena nos termos mais enérgicos possíveis os ataques com bomba cometidos em Madri no dia 11 de março de 2004 pelo grupo terrorista ETA, atos que deixaram numerosos mortos e feridos’’. O Conselho de Segurança ‘‘considera que esses atos, como todo feito de terrorismo, constituem uma ameaça à paz e à segurança’’, conclui o parágrafo.
O jornal árabe ‘‘Al Quds-al Arabi’’, publicado em Londres, disse haver recebido uma carta do grupo islâmico Brigadas de Abu Hafs al-Masri, vinculadas à Al Qaeda, onde assumem a autoria dos atentados. Além disso, uma pessoa que assegurava falar em nome da ETA negou em telefonemas dados ao jornal basco ‘‘Gara’’ e à televisão pública do o País Basco (EiTB) qualquer responsabilidade da organização terrorista pelas ações terroristas.
As autoridades espanholas acharam na quinta-feira uma caminhonete em Alcalá de Henares, perto de Madri, com sete detonadores e uma fita com versículos do Alcorão em árabe, por isso o Governo espanhol não descarta nenhuma linha de investigação. Todas essas informações desencadearam uma polêmica entre a imprensa credenciada nas Nações Unidas sobre quais seriam as conseqüências caso ficasse comprovado que a ETA não foi a responsável pelas bombas que causaram a morte de 199 pessoas e deixaram mais de 1,4 mil feridos.
Fontes da missão da Alemanha na ONU disseram que os membros do Conselho ‘‘atuaram com boa fé com base na informação proporcionada pelo Governo espanhol, por isso depende da Espanha a emenda da resolução’’.
Rússia, Alemanha e outros países membros do organismo tinham delineado dúvidas quanto a conveniência de mencionar o grupo terrorista ETA até que ele reivindicasse o atentado. Em algumas ocasiões anteriores, o Conselho adotou resoluções de condenação a atos terroristas, como os ocurridos no dia 11 de setembro nos Estados Unidos, o da discoteca de Balí e o do teatro de Moscou, mas nunca tinha mencionado os supostos autores.
GRILOS COM BANANA
Insetos, fenômeno da nova gastronomia ocidental
Grilos com banana e guacamole, casulos de bicho-de-seda com ovos de codorna, escaravelhos gigantes e escorpiões flambados constituem, na opinião da cozinheira espanhola Montserrat Guillén, o novo fenômeno da culinária ocidental.
Guillén e seu colaborador, o colombiano Juan Pablo Valencia, converteram os insetos nos protagonistas dos pratos que exibiu no encontro de gastronomia contemporânea BCN Vanguardia, que acabou na sexta-feira, em Barcelona. Para Guillén, os insetos são ‘‘divertidos, versáteis e aportam diferentes texturas e sabores aos pratos’’, ao acrescentar que a gastronomia dos insetos encontra no Ocidente um problema de ‘‘preconceito’’ que precisar ser solucionado. A cozinheira, que vive em Miami, disse que ‘‘se comemos bichos do mar como lagosta, camarão e caranguejo, não sei por que não podemos fazer o mesmo com os bichos da terra’’, e explicou que oito em cada dez animais são insetos, motivo pelo qual ‘‘não é estranho que eles acabem fazendo parte dos menus dos restaurantes’’.
Guillén explicou que comem-se vermes em países latino-americanos como o México e a Colômbia, que os grilos fazem parte da culinária da Tailândia e que no Vietnã e no Camboja os escaravelhos gigantes são um prato muito elegante. Já os lagartos e os cupins podem ser degustados com facilidade na China e em Uganda, respectivamente. A cozinheira esclareceu, no entanto, que são necessárias precauções higiênicas antes de cozinhar os insetos, que não devem ter entrado em contato com inseticidas. É importante também tirar o veneno dos escorpiões antes de comê-los.
Guillén, que pretende abrir um museu gastronômico em Barcelona, assegura que há meio milhão de espécies de insetos, 1,5 mil das quais são comestíveis. Além disso, destacou que os insetos aportam grande quantidade de proteínas e são uma fonte de alimentação que ‘‘deve ser aproveitada’’. A cozinheira ressaltou as possibilidades culinárias com grilos, casulos de bicho-da-seda, escaravelhos, gafanhotos, cupins e escorpiões. Eles podem servir para rechear pastéis e sanduiches. Guillén assinalou o grande aporte de ferro e de iodo oferecido pelos insetos e disse que eles são o melhor acompanhamento para milho, abacate, coco, cacau e mandioca.
(Agência EFE)
MENTAL
Texas altera pena de morte
O governador do Estado do Texas, Rick Perry, alterou anteontem a sentença de morte pela de prisão perpétua imposta a um retardado mental, condenado por assassinato. A decisão de Perry supõe uma vitória pouco habitual aos condenados à pena de morte, principalmente no Texas, o Estado que tem o maior número de execuções nos Estados Unidos.
O beneficiário é Robert Smith, 35, condenado à morte em 1990 pelo assassinato de uma pessoa durante um roubo cometido em Houston. O escritório de Perry emitiu um comunicado no qual explicou que a alteração da pena de morte pela de reclusão perpétua baseia-se em várias determinações médicas.
(Agência EFE)
CASO DE EUTANÁSIA
Juiz volta a negar intromissão de pais
Um juiz dos Estados Unidos negou pela segunda vez o pedido dos pais de uma mulher em coma para que intervenham em um ação apresentada contra uma lei da Flórida que autorizou novamente a conexão de sua filha à máquina que a mantém viva. O togado W. Douglas Baird rejeitou o pedido de Bob e Mary Schindler, com argumentos que o litígio determinará se a decisão sobre a vida de Terri Schiavo deverá ser tomada por seu marido, Michael Schiavo, ou pelo governador da Flórida, Jeb Bush. Bush ordenou a reinserção do tubo mediante o qual alimentam Terri, depois que o Legislativo da Flórida aprovou uma lei em 21 de outubro passado autorizando-o a intervir no caso.
O marco legal foi sancionado depois que vários tribunais estaduais autorizaram o marido da mulher a desconectá-la da máquina, o que ocorreu em 15 de outubro. O marido da mulher recorreu da decisão de Bush, irmão menor do presidente dos Estados Unidos, alegando que a lei é inconstitucional. Diante deste passo legal de seu genro, os pais de Terri, que dizem que sua filha nunca expressou seu desejo de não ser mantida com vida artificialmente, como afirma Michael Schiavo, pediram para participar da ação judicial através de uma organização civil. Porém, Baird, em novembro passado, rejeitou a possibilidade de o American Center for Law & Justice intervir no caso em nome dos Schindler.
Em fevereiro deste ano, um tribunal de apelações da Flórida decidiu que o juiz devia reconsiderar a questão porque não seguiu as normas judiciais quando determinou que os pais da mulher não poderiam participar do processo para a impugnação da lei. Terri ficou em coma durante 14 anos e seu caso gerou uma feroz batalha legal de mais de quatro anos, período no qual seu marido conseguiu que lhe permitissem desconectá-la da máquina com o argumento de que ela ‘‘nunca quis ser mantida com vida artificialmente’’.
A mulher, quem tem 40 anos, está em estado vegetativo depois que, em 1990, sofreu um ataque do coração devido a uma queda brusca de potássio em seu organismo.
(Agência EFE)
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