O terror está de volta, infelizmente mais um dia na história mundial manchado de sangue, Londres - 07 de julho de 2005. Devemos prestar atenção que o modus operandi desta nova onda de terrorismo é bem diferente daquela utilizada há décadas, especialmente no começo dos anos 60. Este terrorismo islâmico de hoje busca o mínimo e quase sempre não pegar reféns, não realizar seqüestros, busca sim a especialização em destruição total de alvos, caos e morte de civis.
Estamos acompanhando diariamente uma escalada da violência, desde o uso de armas leves, passando a carros-bomba possíveis de derrubar prédios inteiros em segundos e até mesmo armas químicas mortíferas (como ocorrido no Japão), passíveis de ameaçar países inteiros.
Nos perguntamos: quanto tempo levará para que estes grupos terroristas ou os países que os financiam (principalmente Iran e Síria), levarão até obter tecnologia suficiente para o desenvolvimento de armas de destruição em massa, levando o terrorismo a um novo nível que nem mesmo em nossos piores pesadelos podemos imaginar o que poderá acontecer?
Esta é uma luta de toda a humanidade, de todos os países. Mesmo o nosso amado Brasil, que sempre adotou uma política neutra quando relacionada a assuntos de segurança internacional, precisa imediatamente abrir os olhos e enxergar que não estamos imunes ao terrorismo, não estamos imunes a um ataque. A mensagem passada por estes covardes terroristas é que todos nós somos culpados, que ninguém, em nenhum lugar, em momento algum, está a salvo, nem mesmo nós brasileiros com esta política de neutralidade.
A tríplice fronteira (Brasil - Argentina - Paraguai) é um verdadeiro paraíso para o desenvolvimento de células terroristas e do crime organizado, onde já sabemos que o próprio Osama bin Laden já esteve. Uma vasta fronteira sem controle, seja por culpa da imensa extensão territorial, seja por incompetência política ao deixar no descaso as nossas forças armadas e unidades policiais.
O Brasil abriga inúmeras multinacionais de diversos países que lutam contra o terror, instituições de ensino, embaixadas, consulados, todos alvos perfeitos aos olhos do terrorismo e, em todos estes locais, a presença diária de inúmeros trabalhadores, cidadãos brasileiros, todos vítimas em potencial pelo simples motivo de nosso governo achar que o terrorismo é algo que está longe daqui.
Não possuímos nem ao menos um grupo especializado antiterror, não possuímos política antiterror, não possuímos legislação sobre terrorismo, nenhum plano de emergência e caso de ataques, nada, simplesmente nada! Lutar contra o terrorismo não é uma “opção política”, é uma necessidade para a sobrevivência da sociedade democrática e, principalmente, a nossa liberdade.
Fábio Feldman é advogado e especialista internacional em segurança