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SEM FINALIDADE
Abaixo as guaritas
LUIZ ANTONIO CRIVELARI
No início dos anos noventa a cidade de Americana, na contra mão da História, diga-se de passagem, entrou na era medieval em matéria de segurança pública, ao instituir guaritas de segurança em locais tidos como entradas e saídas da cidade.
Por ser novidade reeditada da Idade Média, logicamente chamou a atenção, até pelo aspecto psicológico que exercia, valendo-se mais como cartão de visita, mas sem nenhum sentido prático, e completamente fora da realidade no atual sistema de segurança pública moderno.
Fixas, sem acompanhamento de monitoramento por vídeo, sem sistema adequado de comunicação, isolada, deslocada do foco urbano, responsável direta pelo engessamento da preciosa mobilidade de que deve dispor a laboriosa Guarda Municipal, obedecendo a premissa de que o profissional de polícia vai atrás do crime e não fica inerte esperando o crime ser cometido na redondeza e ser meramente comunicado e registrado na fria base de concreto.
Passaram-se os anos, foram abandonadas, consideradas insalubres por laudo trabalhista, lá permanecem elas, agora no interior do conglomerado urbano, pois a cidade cresceu, o trambolho ficou inócuo, foram danificadas e perderam até a mera função psicológica de seu intuito inicial.
Como vereador da cidade que elegeu-se para fiscalizar os serviços públicos, não poderia deixar de requerer, como o fiz, para que o Poder Executivo, que as destrua, colocando abaixo tal inutilidade, até para dar mais fluxo ao trânsito e não enganar com a falsa sensação de segurança, item imprescindível que não se pode tratar, sem o mínimo de seriedade e por total ineficiência aos propósitos para a qual foi criada.
Quem duvidar que elas devem ser colocadas abaixo que pergunte a qualquer guarda municipal sobre a eficácia da mesma.
Luiz Antonio Crivelari é vereador pelo PP de Americana e capitão da reserva da Polícia Militar
Somente serão publicadas cartas com temas de interesse coletivo, com no máximo 20 linhas, que contenham nome e endereço completo, RG, profissão, idade e, exceto em mensagens por e-mail, assinatura. É indispensável um telefone para contato. O TodoDia se reserva no direito de solicitar a assinatura de um termo de autorização, selecionar as cartas e publicar apenas trechos delas, com foto do autor. As cartas não são devolvidas. Os textos opinativos podem ser enviados para o e-mail redacao@tododia.com.br, por fax (19-3406-6236) ou para:Redação - Jornal TodoDia - Avenida São Jerônimo, 2.210 Morada do Sol - Americana/SP CEP 13.470-310
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ARMAS
Em defesa dos inocentes
ROMEU TUMA JÚNIOR
O brasileiro volta às urnas no final de outubro em um referendo que vai confirmar ou não a proibição da comercialização de armas no País. Quem optar pelo sim está fadado a colaborar para que o Brasil cometa um grande erro histórico, com conseqüências lamentáveis para a população. Somos favoráveis ao desarmamento da população, mas o que será votado é a manutenção ou não do direito do cidadão em optar pela compra de armas.
O cidadão de bem tem o direito de comprar uma arma legal com o objetivo de se defender. O próprio Estatuto do Desarmamento impõe normas muito bem fundamentadas que regulamentam essa opção. Somente pessoas com mais de 25 anos, sem antecedentes criminais, entre outras exigências, poderiam ir a uma loja e adquirir o equipamento que só seria utilizado dentro de sua residência. Isso depois de passar por um exame psicotécnico que ateste sua sanidade, além de um exame de capacidade concedido por uma associação de tiro, devidamente reconhecida pela Polícia Federal.
Porém, o referendo está envolto em um clamor popular, que vem usando erroneamente as campanhas pelo desarmamento como pano de fundo. É comum, e até válido, vestir uma camisa branca e sair pelas ruas propagando mensagens em defesa da paz. Mas só isso não é suficiente para diminuir os índices de violência e fazer com que os bandidos deixem de ameaçar a população com suas armas. Infelizmente, a maioria das pessoas de bem não percebe que a proibição da comercialização, por si só, não vai ajudar a desarmar os marginais. Se a decisão for pelo sim, servirá apenas para tirar o direito de defesa da população.
A elaboração de leis sob o calor da emoção pública prejudica aqueles que deveriam ser os maiores beneficiados. Além de não inibir os crimes praticados por uma arma de fogo, a proibição deixa a população ainda mais vulnerável aos criminosos.
Vale frisar que desde o ano passado, quando o Estatuto do Desarmamento entrou em vigor, a comercialização de armas de fogo no Brasil praticamente está paralisada. Desde então, a Polícia Federal recebeu apenas três pedidos de registros em todo o Brasil. No Rio de Janeiro, onde as emissoras de TVs não cansam de exibir cenas de traficantes, ostentando os mais diversos armamentos à luz do dia, não há uma loja aberta que venda armas de fogo. Mesmo assim, a cidade dita maravilhosa está muito longe de se tornar um paraíso.
O mesmo ocorreu nos Estados Unidos. Os estados americanos que adotaram o desarmamento da população tiveram um sensível aumento dos índices da prática de crime e, conseqüentemente, o aumento da sensação de insegurança.
No afã de desarmar a população e deixá-la desprotegida, até as pessoas que passaram suas vidas a serviço da segurança pública são atingidas. Todos os policiais - civis, militares ou federais - são obrigados a devolver suas armas e perdem seus registros quando deixam a vida pública, por aposentadoria. Não é difícil imaginar que muitos desses homens e mulheres, em nome de praticar a Justiça, colecionaram inúmeros desafetos ao longo de suas carreiras. Fora de trabalho e desarmados tornam-se presas fáceis para possíveis vinganças.
Muito mais eficaz que proibir o comércio de armas e de munições é considerar o porte ilegal de arma um crime inafiançável. Desta forma, o Estado vai prevenir a ocorrência de outros delitos. Não é difícil perceber isto. Durante 25 anos como policial, constatei que a grande maioria dos ladrões, seqüestradores e homicidas já registravam em sua ficha criminal passagem por porte ilegal de arma. Se, por causa desse delito, eles não tivessem voltado às ruas, muitos crimes teriam deixado de ser cometidos.
Outra questão que está sendo desconsiderada neste debate é a possibilidade de se utilizar avanços tecnológicos na produção de armas legais e munições. Já existem mecanismos inteligentes que funcionam como uma espécie de DNA das armas. Cada uma tem sua identidade própria, cujas informações poderiam ser armazenadas em um arquivo geral centralizado pelos órgãos de segurança pública. Em qualquer exame de balística, seria possível identificar de que arma partiu o disparo e qual seu proprietário.
Há, ainda, outro fator que acaba com qualquer argumento contra a comercialização controlada das armas de fogo. Os marginais, sejam de grandes quadrilhas organizadas ou mesmo os pés-de-chinelo, continuarão a obter suas armas no comércio clandestino. É só observar o exemplo das armas exclusivas das Forças Armadas. Esse comércio, com certeza, nunca será proibido. Quem responder sim ao referendo, com a melhor das intenções, acabará dando mais munição ao avanço da criminalidade. Dizer não, neste caso, é a melhor opção para que mais inocentes não se tornem presas fáceis da bandidagem.
Romeu Tuma Júnior é delegado de classe especial da Polícia Civil e deputado estadual (PMDB)
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Opinião do Leitor
Por quer sair do PT
JOSÉ DA SILVA OLIVEIRA, 34 - Auxiliar Administrativo - Sumaré
O PT foi fundado há 25 anos com o objetivo de organizar os trabalhadores do campo e da cidade, de fazer valer o direito a voz e a vez de todos(as) aqueles(as) até então excluídos do poder de decisão política do País. Nesse percurso, muitos companheiros(as) tombaram por causa dessa luta teimosa em ver a organização dos trabalhadores: Chico Mendes, Padre Josimo, Santos Dias e tantos outros companheiros(as) que ousaram fundar o PT e foram mortos no campo e na cidade.
O sonho de um Brasil socialista é duramente abortado por dirigentes que ao longo desses anos foi deixando de lado os ideais e as bandeiras históricas do partido, ao passo que o PT vai deixando a luta e a organização dos trabalhadores, incorpora por outro lado a política da burguesia neoliberal, deixando de ser um partido de massa, presente na organização social do povo e passa a ser simplesmente um partido eleitoral, aliando-se a qualquer custo a partidos até então adversários. Sem falar que com esta prática ajuda a fortalecer a política tradicional, como por exemplo das famílias Sarney e Jader Barbalho.
Sair do PT é acreditar que o sonho socialista ainda é possível, e que o mesmo vem da luta incessante dos trabalhadores(as) excluídos do sistema. Não devemos esquecer as vitórias conquistadas pelo partido, mas fazer delas referência histórica para continuarmos com coragem para vencer o medo.
Sair do PT é acreditar que podemos recomeçar a luta pelo socialismo, e não começaremos do nada, pois muito já foi feito. Devemos honrar aqueles(as) que deram suas vidas em prol dessa luta, continuando a plantar consciência no meio do povo simples e explorado.
Sair do PT se faz fundamental, se quisermos genuinamente discutir com os movimentos sociais e o povo em geral um projeto socialista, sem os vícios do parlamento corrupto atual, que se baseia numa política arcaica do toma lá da cá, de uma burguesia atrelada ao capital internacional e de latifundiários retrógrados.
Para constatar os equívocos do governo e do PT, transcrevo a nota de solidariedade da CPT (Comissão Pastoral da Terra) ao bispo D. Luiz Cappio de Barra na Bahia: “Quando a razão se extingue, a loucura é o caminho. Com essa frase D. Luiz Cappio, bispo de Barra, Bahia, inicia sua greve de fome contra a transposição do rio São Francisco e a favor de um projeto de desenvolvimento para todo o semi-árido brasileiro. A Comissão Pastoral da Terra Nacional quer se solidarizar publicamente com D. Luiz. Entendemos a radicalidade, o profetismo e a magnanimidade de seu gesto. Quando em nível nacional assistimos a exibição da mediocridade, da mesquinharia, das atitudes mercenárias, o gesto de D. Luiz ganha um significado maior. Só quem permanece fiel ao povo brasileiro, aos mais simples, é capaz de gestos dessa magnitude”.
Oxalá o gesto de D. Luiz seja exemplo a todos nós nesse momento difícil para continuarmos lutando por um país justo e solidário com os mais pobres.
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