Sexta-feira, 11 de Agosto de 2006
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ELEIÇÃO PRESIDENCIAL


Lula tem mais que o dobro dos votos de Alckmin

Presidente sobe para 46% nas intenções de votos e seria reeleito no 1º turno, segundo o Ibope


Carlos Marchi/AE - São Paulo

Arquivo/TodoDia Imagem
Na simulação de segundo turno, Lula teria 51% dos votos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceria no primeiro turno se as eleições presidenciais fossem realizadas agora, mostrou ontem pesquisa do Ibope feita para a TV Globo. Lula, que pontuou em 44% na última pesquisa Ibope, há dez dias, tem agora 46%, com variação dentro da margem de erro. O candidato Geraldo Alckmin (PSDB), que tinha 25%, perdeu quatro pontos porcentuais e caiu para 21%, e a senadora Heloísa Helena (P-Sol) manteve a pontuação (tinha 11% e agora tem 12%).

O cientista político Antônio Lavareda atribuiu a queda de Alckmin aos novos ataques do crime organizado em São Paulo. ‘‘No momento em que o PCC descobrir que pode influenciar diretamente a eleição do futuro presidente, estaremos numa situação muito delicada. E se tivermos nova onda de ataques em fins de setembro, às vésperas da eleição, o que dizer?” Lavareda cobrou um novo posicionamento de Alckmin sobre os ataques: ‘‘O discurso dele tem sido insuficiente’’.

Segundo Lavareda, quando Alckmin diz que os ataques são uma resposta à dureza com que seu governo tratava o crime, cria um paradoxo na cabeça do eleitor, o que se repetiu quando ele falou em ‘‘terrorismo’’. Os ataques transmitem a todo o País a idéia de que São Paulo -o cartão de visitas de Alckmin- tem problemas e isso não ajuda a carrear votos, diz Lavareda.

De fato, Alckmin teve uma queda de 20 pontos entre os eleitores que ganham mais de dez salários mínimos -de 52% para 32%- o mais atemorizado pelos ataques criminosos, e deu a Lula, pela primeira vez, a liderança no segmento. Assessores do candidato admitem a queda e explicam: como Alckmin não é carismático e é pouco conhecido, precisa de suporte publicitário constante, o que voltará a ocorrer a partir de terça-feira, com o início da propaganda eleitoral gratuita.

Na simulação de segundo turno (hipotética, porque Lula venceria no primeiro) o presidente chega aos 51% contra 33% de Alckmin, que perdeu três pontos (há dez dias, Lula tinha 50% e Alckmin, 36%). Mas Lula já teve vantagem maior a seu favor: em junho, tinha 53% e Alckmin, 29%. Nos votos válidos, Lula tem 57% e sete pontos porcentuais a garantir sua vitória no primeiro turno. Segundo a pesquisa, 40% (38% na anterior) ainda não escolheram candidato.

A intenção de voto em Lula fica estável no Sudeste (36%) e cresce em todas as outras regiões: de 64% para 68% no Nordeste, de 45% para 48% no Norte/Centro-Oeste e de 31% para 37% no Sul, onde passou Alckmin (há dez dias estavam empatados em 31%). Mas o presidente é o candidato mais rejeitado pelos eleitores: 28% (32% em meados de julho) dizem que não votariam nele ‘‘de jeito nenhum’’; Alckmin é rejeitado por 22% (17% na anterior) e Heloísa por 23% (19% na anterior).


Petista fala em reforma política
Agência Estado

Preparado sob medida para não criar polêmica, o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato da Coligação A Força do Povo (PT-PRB-PCdoB) à reeleição, proporá uma reforma política com tempero light, embora o tema reforce a lista das ações prioritárias para um eventual segundo mandato. O projeto de Lula defenderá a fidelidade partidária, o financiamento público de campanha e o voto em lista para cargos eletivos, mas não pregará a convocação de uma assembléia constituinte exclusiva para votar a reforma, idéia considerada ‘‘genial’’ por ele, mas rechaçada pela oposição e até por juristas. ‘‘A proposta de reforma política será econômica. Não vamos detalhar o que deve ser feito porque isso tem de ser resultado de um acordo mais amplo’’, disse o coordenador da proposta de governo e assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. Sobre se o PT defenderia o fim da reeleição na plataforma, Garcia foi taxativo: ‘‘Isso não é coisa para programa de governo’’.

O chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Tarso Genro, adotou o mesmo tom e ensaiou um recuo estratégico: admitiu que é necessário ‘‘despartidarizar’’ a agenda política. ‘‘Nenhum presidente terá governabilidade sem essa reforma, tanto que ela é defendida por todos os partidos, do PFL ao P-Sol, passando pelo PSDB e PMDB. Mas, se for necessário distensionar (sic) o ambiente, vamos fazer o debate depois da eleição’’, afirmou.

Para o coordenador do projeto de governo e assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, ‘‘o grande mérito’’ da polêmica foi trazer à tona a discussão em torno da necessidade de mudança no sistema partidário. Vice-presidente do partido, Garcia criticou a proposta do candidato a presidente Geraldo Alckmin (PSDB), da Coligação Por um Brasil Decente (PSDB-PFL), de ‘‘fatiar’’ a reforma, com o argumento de que a estratégia tornaria mais fácil a aprovação pelo Congresso.

A proposta de governo de Lula para os próximos quatro anos terá cinco eixos, batizados de ‘‘grandes compromissos’’: educação, desenvolvimento, inclusão social, democracia e soberania com integração sul-americana. Os conceitos genéricos serão ‘‘traduzidos’’ em ações prioritárias e a mudança política é uma delas.


TUCANO


Conselho político traça rumo da campanha

Cida Fontes/AE - Brasília (DF)

A quatro dias do início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, o comando político da campanha do candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, ainda não conseguiu superar uma crise que se arrasta há meses: vincular o nome do presidenciável às eleições estaduais e engajar os prefeitos na campanha. O conselho político da campanha avaliou em reunião na quarta-feira que, sem colar Alckmin nos candidatos estaduais, a propaganda eleitoral na TV será ineficaz para puxar votos. Ainda mais levando em conta que Alckmin é pouco conhecido. O candidato anotou todas as sugestões oferecidas pelos dirigentes do PSDB, do PFL e do PPS.

Autorizou algumas providências e só reclamou da falta de defesa quando Lula lança mão de ministros e do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), para atacá-lo. ‘‘Aqui não falta gente. É só pautar’’, respondeu o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), que participou da reunião.

Uma das providências é de que, a partir de agora, a campanha passará a usar o nome completo do candidato -Geraldo Alckmin. Essa já era uma reivindicação dos coordenadores estaduais. Para eles, sem o sobrenome, o presidenciável pode ser confundido com outros candidatos, já que há muitos ‘‘Geraldos’’ disputando eleições pelo Brasil afora.

Os conselheiros pediram a Alckmin que incorpore o programa de governo à campanha para que, diariamente, ele tenha uma pauta criativa. Os políticos querem também mais proximidade com o setor de marketing, coordenado pelo jornalista Luiz Gonzalez, pois todos desconhecem a linha dos programas de TV. Os aliados são unânimes em defender a ‘‘desconstrução’’ do candidato petista. Na avaliação do comando político, Alckmin tem se apresentado sozinho na televisão, enquanto a candidata do P-Sol, senadora Heloísa Helena (AL), está sempre rodeada de populares, parlamentares e exibindo alegria e flores.

Os parlamentares não acham que a senadora vai superar Alckmin e contam como certo o apoio de seus eleitores ao tucano em um eventual segundo turno. O conselho político decidiu também simplificar a agenda. Num único dia o candidato vai a dois Estados, dando preferência a locais de maior concentração de eleitores a fim de produzir cenas para a televisão. Ou seja, vai reduzir as reuniões fechadas. Hoje, Alckmin fará comício em dois municípios da Bahia e, na última hora, incluiu Alagoas, o único Estado nordestino que ainda não visitou desde que lançou sua candidatura.

O coordenador-executivo da campanha, senador Sergio Guerra (PSDB-PE), começou ontem a pôr em prática as novas orientações discutidas pelo conselho político. Juntamente com a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), fez uma reunião com uma dúzia de coordenadores dos Estados do Norte e Centro-Oeste a quem pediu mais empenho. ‘‘Em alguns lugares o nome de Alckmin só pode ser visto com binóculo’’, disse.

Guerra contou que, em Pernambuco, pediu para regravar a propaganda que havia se limitado aos candidatos estaduais sem citar o nome de Alckmin. O coordenador reconheceu, porém, que o problema não é do candidato ao Planalto. ‘‘Já virou cultura essa falta de vinculação da campanha estadual com a nacional. Mas temos que mudar isso e fazer a campanha chegar na ponta’’, afirmou.


POLÍCIA FEDERAL


Procuradoria Regional pede instauração de inquérito contra Serra

Ellen Fernandes/AE - São Paulo

A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) de São Paulo requisitou à Superintendência da Polícia Federal (PF) a instauração de um inquérito policial para apurar a suposta prática de crime eleitoral nas declarações do candidato a governador José Serra (PSDB), da Coligação Compromisso com São Paulo (PSDB-PFL-PTB-PPS). De acordo com a documentação remetida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) à PRE, no dia 13, ao comentar os atos de violência na capital paulista, Serra apontou indícios de ligação entre a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e o PT.

Segundo a Procuradoria Regional, além da requisição, também foi enviada documentação originada por notícia-crime encaminhada pelo partido ao TRE. De acordo com o autor da notícia, o diretório estadual da legenda, ele teria cometido os delitos previstos nos artigos 324, 325 e 326 do Código Eleitoral, que tratam, respectivamente, da prática de calúnia, difamação e injúria na publicidade eleitoral, bem como o crime citado no artigo 323 do mesmo código, que trata da divulgação da publicidade de fatos que se sabe inverídicos.

No despacho, o procurador regional eleitoral, Mário Luiz Bonsaglia, indica que os elementos informativos disponíveis sugerem o possível uso de ilícitos previstos no Código Eleitoral.


RÁDIO E TV


TRE-SP mantém multa de R$ 21,2 mil a petista por propaganda antecipada

Folhapress - São Paulo

O TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) manteve a multa ao candidato ao governo de paulista pelo PT, Aloizio Mercadante, por propaganda antecipada. Mercadante foi multado em R$ 21,2 mil por causa de propaganda partidária no rádio e TV veiculada no primeiro semestre deste ano. O tribunal também decidiu manter a multa de R$ 21,2 mil ao candidato ao governo de São Paulo pelo PDT, Carlos Apolinário, também por propaganda eleitoral antecipada. Apolinário foi multado por causa de propaganda veiculada em rádio no dia 8 de maio. O tribunal resolveu ainda diminuir em dois minutos o tempo de propaganda partidária do PP por conta de propaganda eleitoral antecipada de candidato a deputado federal. Os candidatos podem recorrer.


ACIA


Ildeu e Lurdinha falam de suas propostas

Gisele Rodrigues - Americana

O deputado federal Ildeu Araújo (PP) e a vereadora e candidata a deputada estadual Maria de Lourdes Salvador dos Santos Ginetti, a Lurdinha Ginetti (PDT), foram os participantes da quarta edição de entrevistas da Acia (Associação Comercial e Industrial de Americana). Os candidatos falaram de suas trajetórias políticas e projetos. Na próxima semana, a entrevista ocorrerá, excecpcionalmente, na quarta-feira, a partir das 19h30, com os vereadores e candidatos a deputado estadual Luiz Antonio Crivelari, o Capitão Crivelari (PP), e Oswaldo Nogueira (PFL).

Ildeu foi o primeiro a se apresentar e falou de sua atuação na Câmara dos Deputados. O parlamentar alegou dificuldade de se trabalhar e dos interesses que muitas vezes barram suas propostas. O parlamentar defendeu a transformação da área da represa do Salto Grande em um pólo turístico e citou que tem uma empresa estrangeira interessada em explorar a área. Ildeu também defendeu a abertura de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para os pequenos e médios empresários do setor têxtil.

Sobre as denúncias envolvendo seu nome em Brasília, Ildeu disse estar sendo alvo de “calúnias” porque seu “gabinete não tem fronteiras partidárias”. “Atendo o prefeito que for no meu gabinete, independente de partido”, alegou.

Lurdinha defendeu a criação de uma política nacional contra a guerra fiscal entre os Estados e municípios. Para a candidata, não adianta o município ou o Estado entrarem na disputa, sem uma ação nacional. “O deputado não tem muito o que fazer nisso”, alegou.

A vereadora também citou a necessidade de se criar um desenvolvimento sustentável na cidade, pensando na poluição da água e do ar. Lurdinha também falou da necessidade de proteção do setor têxtil contra a invasão estrangeira. Nesse ponto, a parlamentar apontou que embora a cidade tenha deputado do partido do presidente da República e outros deputados, ainda há problemas para o setor têxtil. “Não basta eleger pessoa da cidade, tem que ter compromisso. Eu tenho compromisso”, garantiu. As reuniões ocorrem na sede da entidade, na Rua Primo Pícoli, 232, no Centro.



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